APRENDIZADOS NA QUARENTENA | Mitos e Verdades do Ensino a Distância – Parte II

APRENDIZADOS NA QUARENTENA | Mitos e Verdades do Ensino a Distância – Parte II

Colégio Stockler

26 de junho de 2020 | 12h11

Por Lara Silbiger 

 

Qual a melhor forma de aprender a distância? Os adolescentes realmente são capazes de se engajar nos estudos sem a mediação direta de um professor? Dúvidas como essas são comuns entre as famílias no atual contexto de ensino remoto, especialmente quando se tem em conta que apenas 16% dos alunos de Ensino Médio no país tinham feito algum curso online até o final de 2019, de acordo com a pesquisa TIC Educação.

A boa notícia é que o novo cenário que se delineia – apoiado em trabalhos acadêmicos e experiências de educadores que já trabalhavam com Educação a Distância (EaD) e metodologias ativas de aprendizado – traz também oportunidades. A seguir, confira algumas delas na segunda parte da série “Mitos e Verdades sobre o Ensino a Distância na Educação Básica”.

 

1. Adolescentes não têm maturidade para o estudo independente. Só aprendem com a mediação direta do professor nas aulas síncronas (transmitidas ao vivo).

MITO. “O estudo independente tem mais a ver com o interesse do aluno pelo conhecimento do que com a maturidade em si”, afirma Ana Lúcia Souto, produtora de conteúdos de Ciências na Khan Academy, maior plataforma mundial de suporte acadêmico à Educação Básica. Como exemplo, ela cita o aluno que volta da escola todo animado, querendo contar o que viu na aula. “Nesse caso, a tendência natural é se aprofundar naquilo que lhe interessou, recorrendo a indicações de leitura, videoaulas, infográficos e exercícios.”.

No ensino remoto, a vantagem é que tudo isso está a um clique de distância, no ambiente virtual de aprendizagem. “O aluno já está aprendendo por meio de um dispositivo com o qual tem intimidade – tablet, celular ou computador –, ainda que a princípio possa apresentar alguma resistência em usá-lo com essa finalidade. Este, porém, pode se tornar um instrumento poderoso de aprendizado em atividades assíncronas dependendo da forma como o professor medie as relações de pesquisa – seja com fóruns de discussão, formulação de hipóteses, experimentações, trabalhos colaborativos, entre outros”, comenta Ana Lúcia.

Para acompanhar o nível de interação online com as propostas, o educador dispõe de uma série de ferramentas que lhe permitem saber se os alunos estão, de fato, acessando as atividades e conteúdos, quando e como o fazem. É possível, inclusive, enviar lembretes para cobrá-los. “O pulo do gato, porém, é levá-los a acessar porque aquilo faz sentido para eles, o que se impõe como um desafio tanto no ensino a distância quanto no presencial”, garante ela.

 

2. Estudantes não participam ativamente das aulas online. Assim, dinâmicas como debates devem ser deixados de lado e dar lugar apenas a aulas expositivas.

MITO. “Experiências recentes no Stockler mostram o contrário. Mais do que nunca é um período de atitude, e não de passividade”, afirma Beatriz Torrano, professora de Biologia no Ensino Médio e responsável pelo suporte técnico do ambiente virtual de aprendizagem do Colégio.
Como exemplo, destaca-se o projeto “2ª série convida”, em que alunos da 2ª série do Ensino Médio organizam bate-papos ao vivo com professores para discutir temas que não fazem parte do conteúdo programático. “São os próprios adolescentes que selecionam os temas, os convidados e os textos científicos que alimentam os debates, que acontecem sempre às quintas-feiras, com câmeras e microfones abertos”, conta a orientadora educacional Katia Ritzmann.

“Isso prova que é um engano achar que os estudantes se neguem a participar de aulas e demais atividades online”, garante Ana Lúcia. Quem já era ativo no modelo presencial tende a continuar no virtual. “Já os mais tímidos encontram no chat uma boa alternativa para se expressar”, comenta Ana Paula Severiano, professora e coordenadora de produção textual no Stockler.

Muito além do engajamento, o que está em jogo quando se fala em participação no ensino remoto é o próprio aprendizado. “Pesquisas e experiências em EaD provam que investir na dupla ‘interação-colaboração’ é fundamental. Não é à toa que fóruns de discussão são uma constante nessa modalidade de ensino, que tem o diálogo e o aprendizado colaborativo como parte da proposta de valor”, destaca a designer educacional Maria Luiza Rodrigues, especialista em Inovação e Gestão em Educação a Distância pela USP.

É claro que tudo isso só faz sentido em um ambiente que incentive e propicie a participação. “Cabe ao professor manter a leveza, buscar elementos lúdicos para contextualizar o conteúdo e principalmente fazer conexões com o mundo dos alunos, a fim de deixá-lo o mais à vontade possível para interagir nas aulas”, recomenda Ana Lúcia.

 

3. É possível avaliar a participação e o grau de aprendizado dos alunos no ensino remoto.
VERDADE. “Ainda que a avaliação continue sendo um desafio no ensino não presencial, a EaD já vem colhendo bons resultados em função de muitas das atividades propostas terem finalidade avaliativa e apresentarem critérios claros. Assim, ao receber feedbacks, os alunos sabem exatamente onde foram bem e onde precisam melhorar”, explica Maria Luiza.

Trata-se de uma oportunidade que se abre também para a Educação Básica com o ensino remoto adotado pelas escolas na quarentena. “Exige diversificar as estratégias de avaliação e criar condições para o aluno se expor mais, se posicionar, realizar projetos, pesquisas, produções e trabalhos em equipe, além de desenvolver novas competências”, explica Simone André, especialista em Educação e design de políticas educacionais voltadas à inovação curricular e formação de educadores.

Na prática, essa nova forma de avaliar a participação e aprendizado dos alunos já começa a fazer parte do dia a dia de algumas escolas. “Mais que investir em prova, que é apenas um dos instrumentos, os professores passaram a avaliar o desempenho dos alunos com base no interesse e no comprometimento que revelam na participação nas aulas ao vivo, na entrega de tarefas, em perguntas pertinentes nos plantões de dúvidas, nas análises e comentários sobre textos, filmes e vídeos indicados, entre outros”, explica Maria José Gimenes, orientadora educacional da 3ª série do Ensino Médio no Stockler.

“Sem dúvida, é uma estratégia que requer do professor um olhar que vai além do conteúdo, contemplando outras facetas do aprendizado”, conclui Simone.

 

 

 

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