APRENDIZADOS NA QUARENTENA | Meu filho está cada vez mais distante e isolado da família. E agora?

APRENDIZADOS NA QUARENTENA | Meu filho está cada vez mais distante e isolado da família. E agora?

Colégio Stockler

28 de maio de 2020 | 15h37

Por Lara Silbiger 

 

Não é de hoje que os fones de ouvido e celulares se tornaram peças obrigatórias no figurino adolescente. Contudo, em tempos de distanciamento social, a relação dos jovens com esses dispositivos parece ter se intensificado ainda mais. Aos olhos dos adultos, tal comportamento é visto com desconfiança. Ao esconder-se atrás da tela, meu filho estaria me desafiando? Ou, pior, rejeitando a mim e aos demais membros da família?

Não. Na prática, trata-se apenas de uma estratégia encontrada pelos adolescentes para regular suas emoções.  “São atitudes típicas dessa etapa do desenvolvimento emocional”, comenta Alessandra Bronze, orientadora educacional do Fundamental II do Colégio Stockler. “O autocontrole é um dos maiores desafios nessa fase”, completa Maria José Gimenes, orientadora educacional da 3ª série do Ensino Médio também no Stockler.

A Neurociência e a Psiquiatria explicam que comportamentos tidos como antissociais tornam-se mais frequentes dos onze aos dezoito anos. “Na parte biológica, ocorre o início do desenvolvimento sexual. Na psicológica, a aceleração do desenvolvimento cognitivo e a consolidação da personalidade. Já do ponto de vista social, se dá a preparação para a vida adulta, com novos papeis a serem desempenhados”, descreve a psiquiatra Beatriz Trigo, especialista em transtornos do humor.

 

As dores do distanciamento

“O isolamento imposto pelo COVID-19 gera muitas privações pessoais e interpessoais para os adolescentes que agora se veem afastados do grupo de amigos, do qual tanto dependem para formar a própria identidade”, reconhece Beatriz Trigo.

Em paralelo, eles ainda enfrentam a difícil missão de se tornar independentes em pleno confinamento. “A necessidade de separação física dos pais, considerada saudável e até desejável nessa fase da vida, já não é possível como antes”, comenta ela.

Não é de se estranhar, portanto, que esse conjunto de fatores – alguns típicos da adolescência e outros provocados por um contexto excepcional – gere estresse nos filhos. “Aumentam as chances de o jovem apresentar comportamentos como se isolar no quarto, passar mais tempo diante das telas e reagir com irritabilidade e tristeza a situações corriqueiras”, diz a psiquiatra.

Segundo a especialista, outra consequência do stress provocado pelo isolamento social nos adolescentes é a redução da capacidade de concentração, o que torna mais difícil prestar atenção nas aulas à distância e realizar as tarefas propostas pela escola.

 

O que as famílias podem fazer para atenuar esse quadro?

O primeiro passo é exercitar a empatia. Afinal, o período é excepcional e não está fácil para ninguém. “Pratique a observação e a escuta, sem julgar as sensações, sentimentos, medos e frustrações que os adolescentes carregam”, recomenda Katia Ritzmann, orientadora educacional de 1ª e 2ª séries do Ensino Médio no Colégio Stockler.

Os pais também podem estabelecer com os filhos rotinas que vão além das atividades acadêmicas e contemplem o lazer e o desenvolvimento de habilidades em campos do saber que favoreçam a abstração, como música, poesia, arte e culinária. “Nem só de estudo vive um bom estudante”, garante Maria José.

Vale calibrar ainda o grau de exigência. “A estabilidade psíquica deve ser prioridade, em detrimento de cobranças excessivas sobre o desempenho escolar. As expectativas precisam ser readequadas à realidade que estamos vivendo”, ressalta a Beatriz.

Por fim, fique atento ao exemplo. “Não adianta querer que os filhos se livrem das telas se os próprios pais estão em seus computadores e smartphones o tempo todo. É preciso desconectar para se conectar”, assegura Alessandra.

 

 

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