APRENDIZADOS NA QUARENTENA | Ergonomia na Pandemia – Parte 2

APRENDIZADOS NA QUARENTENA | Ergonomia na Pandemia – Parte 2

Colégio Stockler

14 de outubro de 2020 | 10h39

Por Lara Silbiger

 

A conexão constante e a presença quase ininterrupta no ambiente online são alguns legados que a pandemia deixará. Novos comportamentos, bem como formas alternativas de aprender, pesquisar, trabalhar e se relacionar, dão os primeiros contornos de como será o mundo pós-Covid-19.

 

Enquanto ele não chega, o desafio é conviver com as telas digitais sem que coloquem em risco nossa saúde e bem-estar. “Trata-se de um momento importante para se multiplicar o uso positivo e mais saudável das tecnologias”, afirma a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em nota de alerta emitida no último dia 21 de maio.

 

O primeiro passo é identificar onde mora o perigo. “Se utilizada de forma consciente, a tecnologia traz praticidade para o dia a dia. Mas, em excesso, provoca alterações orgânicas importantes”, comenta o médico Paulo Roberto Lima, coordenador médico do Trabalho no Hospital Adventista de São Paulo.

 

Entre as possíveis consequências, estão as doenças de coluna, nos ossos e músculos; problemas de visão; distúrbios do sono; transtornos de humor e ansiedade; e dependência digital.

 

Nesta segunda parte da série “Ergonomia na Pandemia”, confira os ajustes tanto de ergonomia quanto de hábitos dos jovens para melhorar sua qualidade de vida daqui para frente.

 

 

Mente quieta, espinha ereta

Estar confortável e manter a postura saudável nem sempre são a mesma coisa. “Sentar no sofá ou na cama com o notebook no colo pode até ser cômodo no curto prazo, mas não necessariamente ideal para a saúde e bem-estar do estudante”, afirma Mariana Fonseca, professora de Mindfulness e Educação Física no Stockler.

“Doenças de coluna, nos ossos, músculos e visão, bem como estresse, são as principais consequências de ficar longos períodos sentado de forma desregrada na frente do computador”, assegura Lima.

 

Como prevenir:

• Em casa, fique atento à postura do jovem. “Os pais devem observar se ele está sentado de forma correta enquanto estuda, com mesa e cadeira ergonômicas para o seu porte físico”, recomenda Mariana.

• “O estudante deve manter os ombros relaxados e os cotovelos, junto ao corpo”, enfatiza Lima. A posição correta auxilia inclusive na melhora do desempenho escolar.

• Fique de olho nas características da cadeira ideal, que deve:

– Permitir que a coluna fique em 90 graus com as pernas;

– Ter o encosto posicionado exatamente na curvatura lombar, de forma que a coluna se mantenha apoiada. Opte por modelos com regulagem; e

– Ter encosto e assento com estofados macios e revestidos de material perspirante, que ajudam a garantir o conforto;

• Dê preferência para cadeiras com braços, que oferecem opção de descanso; e

• Para manter os pés sempre apoiados no chão, confira se as regulagens são compatíveis com as características físicas do adolescente.

 

 

Escrevinhando

 

“Escrivaninhas que não atendem padrões de ergonomia são prato cheio para o desenvolvimento de postura inadequada e problemas como lesão por esforço devido a movimentos repetitivos, tendinites – principalmente em mãos e punhos –, entre outros”, destaca Lima. Na hora de escolher a mesa ideal, ele orienta que:

• Os ombros do estudante fiquem relaxados e não se elevem enquanto usa o teclado ou mouse;

• O ângulo que se forma entre o braço e o antebraço seja de 90°;

• O material seja antirreflexivo;

• Sua amplitude permita acomodar todos os objetos que serão utilizados no período de estudo; e

• A altura possibilite que os pés fiquem firmes no chão. Caso isso não ocorra, adote o apoio de pés, que serve para relaxar a musculatura e melhorar a postura e a circulação sanguínea nos membros inferiores.

 

 

Acessórios pra que te quero

Ajustando a postura e adotando os acessórios adequados, é possível aumentar a produtividade no ensino a distância e ainda evitar doenças. Seguem algumas sugestões do coordenador Médico do Trabalho do Hospital Adventista de São Paulo:

• Dê preferência às telas fixas. Por exemplo, monitores de desktops

• Opte por teclado móvel, em detrimento de teclados incorporados aos dispositivos, como é o caso dos notebooks. Isso garante mais mobilidade, especialmente para longos períodos de exposição às telas;

•  O teclado deve ser regulável e estar alinhado na altura dos cotovelos para que os braços trabalhem em posição neutra. Do contrário, poderá provocar distúrbios musculares em todo o membro superior; e

• A utilização de mouses – com apoio para o punho – é mais indicada que touchpads.

 

 

Tempos no tempo

 

Em fevereiro deste ano, antes do início da pandemia, a SBP declarou que o tempo máximo de tela recomendado para adolescentes e crianças acima de seis anos é de duas horas por dia.

 

No mês de maio, porém, publicou recomendações específicas sobre o uso saudável das telas digitais em tempos de pandemia de COVID-19. Entre outros aspectos, enfatiza que o tempo funcional no ensino à distância – reservado para assistir às aulas virtuais, fazer pesquisas e tarefas escolares – pode variar de acordo com a faixa etária, o novo planejamento escolar e as tecnologias oferecidas para proporcionar o aprendizado remoto.

 

Isso não quer dizer que os estudantes devam passar horas a fio sem sair do ambiente online.

 

Como prevenir:

• “Devem ser estabelecidos intervalos de descanso e atividades físicas, restringindo o tempo de jogos online e redes sociais”, alerta Alessandra Bronze, orientadora educacional do Fundamental II no Colégio Stockler.

• A cada 2 horas de estudo, é importante fazer uma pausa de aproximadamente 10 minutos, na qual o jovem precisa se levantar, caminhar um pouco e fazer exercícios de relaxamento muscular.

• Além do tempo funcional, assegure também os tempos de convívio familiar, lazer, ócio criativo e repouso. Tem tempo para tudo.

 

 

Sonhando com dias melhores

 

“É comum observar alunos exaustos por terem passado a madrugada jogando videogame”, diz Alessandra. O fenômeno, no entanto, não é novidade. “A dependência digital antecede a pandemia.”

 

O problema ganha ares ainda mais preocupantes quando as telas invadem o tempo que se destinaria ao repouso. “A luz que elas emitem bloqueia a liberação da melatonina, hormônio responsável por ‘avisar’ que está na hora de dormir”, explica Paulo.

 

Como resultado, o cérebro continua processando ativamente as informações nas quais passou horas e horas concentrado, provocando distúrbios como insônia. Esta, por sua vez, gera fadiga excessiva, sonolência diurna, variações do humor, dores de cabeça, baixa produtividade, entre outros.

 

Como prevenir:

•  Seja o exemplo. “Não adianta exigir que os filhos se desconectem se os pais permanecem no celular o tempo inteiro, inclusive até altas horas da noite”, ressalta Alessandra.

 

 

 

 

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