APRENDIZADOS NA QUARENTENA | Ergonomia na Pandemia – Parte 1

APRENDIZADOS NA QUARENTENA | Ergonomia na Pandemia – Parte 1

Colégio Stockler

30 de setembro de 2020 | 12h04

Por Lara Silbiger

 

Dispositivos digitais fazem parte do kit básico de sobrevivência à quarentena entre os adolescentes. “A tecnologia não só facilita a comunicação e permite o acesso ao ensino a distância, como reduz a sensação de isolamento, proporcionando bem-estar psicológico e emocional”, afirma Alessandra Bronze, orientadora educacional do Fundamental II no Colégio Stockler.

Apesar dos benefícios, alguns cuidados são necessários para preservar a saúde dos estudantes diante da exposição prolongada às telas. “O uso inadequado ou excessivo delas pode gerar efeitos colaterais a curto e médio prazos – por exemplo, enxaqueca, dores no corpo, alterações no sono, humor e apetite, problemas de visão e perda de produtividade”, alerta Alessandra.

A boa notícia é que medidas simples de ergonomia aplicadas ao ambiente de estudo em casa podem fazer muita diferença. “Trata-se de adaptar o espaço, antes usado durante apenas algumas horas de lição de casa e estudo, à nova rotina escolar”, conta o médico Paulo Roberto Lima, Coordenador Médico do Trabalho no Hospital Adventista de São Paulo.

 

 

O que levar em conta

“A ergonomia engloba um conjunto de conhecimentos científicos voltados à adequação das condições de trabalho – no caso dos adolescentes, de estudo – de tal maneira que proporcionem conforto, segurança, eficiência, satisfação pessoal e bem-estar”, explica Paulo.

Para aplicar os princípios da ergonomia ao ambiente de estudos, o primeiro passo é observar os aspectos físicos, cognitivos e psíquicos da atividade dos estudantes no período de ensino remoto ou híbrido. “Não podemos pensar em medidas de ergonomia sem entender também a experiência dos alunos.”

Isso é pré-requisito para analisar outros dois pontos fundamentais: fatores físicos do ambiente de estudo – para a maioria, o quarto – e a organização do mesmo. “O objetivo é identificar o que tende a gerar desconforto, desatenção, dificuldade de concentração e até de compreensão do conteúdo. É o caso do brilho da tela, volume das aulas, tipo de mobília, entre outros”, comenta o médico especialista em Medicina do Trabalho.

A seguir, ele dá três dicas nesta primeira parte da série “Ergonomia na Pandemia”.

 

Em (não tão) alto e bom som

Por garantir a privacidade e favorecer a concentração, os fones são bons aliados da aprendizagem. Contudo, se usados com volume alto demais, podem causar danos auditivos. Uma das principais sequelas do uso prolongado de fones de ouvido em volume demasiado alto é o zumbido. Além disso, ruídos contínuos e intensos favorecem alterações de humor e agravam o estresse.

Medidas preventivas

• Mantenha o volume em um nível que seja confortável para o desempenho da tarefa e não o impeça de discriminar outros sinais sonoros do ambiente;
• Dê preferência a fones de ouvido do tipo concha, que distribuem melhor o som;
• Faça intervalos de 10 minutos a cada hora de utilização; e
• Se optar por caixas de som, evite ficar muito perto delas.

 

Iluminação na medida certa

A iluminação inadequada exige mais esforço da visão e ainda obriga o estudante a ficar em posições desconfortáveis para tentar enxergar melhor. Também pode provocar fadiga visual, queimação ocular, dor de cabeça e visão turva.
A quantidade de luz, contrastes de cor, reflexos, ofuscamentos e relação entre luz natural e artificial devem ser avaliados em cada ambiente utilizados pelo aluno para estudar.

 

Medidas preventivas

• Evite muita claridade no ambiente de estudo. O uso de persianas pode ajudar a regular a entrada de luz;
• Posicione o monitor distante de fontes de luz com excesso de luminosidade, evitando assim a incidência de reflexo sobre a tela, sombra ou ofuscamento. Para isso, o ideal é contar com uma iluminação uniformemente distribuída e difusa.
• Mantenha baixo o brilho da tela. A faixa de onda de luz azul presente na maioria delas contribui para o bloqueio da melatonina, o que prejudica a qualidade do sono.

 

Sobre a mesa

A tela mal posicionada é um prato cheio para a postura inadequada – e vice-versa –, podendo provocar dores nos olhos, pescoço, cabeça e costas; fadiga; escoliose, lordose, tendinites e lesão por esforço devido a movimentos repetitivos. De imediato, também pode causar desconfortos que prejudiquem o desenvolvimento das atividades escolares e levem à perda de produtividade.

 

Medidas preventivas

• O hábito de ficar conectado às telas sentado no sofá ou deitado na cama precisa ser, definitivamente, abandonado. O dispositivo utilizado para estudar deve ficar sobre a escrivaninha;
• Posicione o dispositivo de forma que a tela fique a 90 graus em relação à mesa;
• A distância entre a tela e os olhos deve ser de 50 cm a 70 cm;
• A posição correta do monitor é essencial para reduzir a tensão dos músculos do pescoço. Para isso, posicione o topo da tela ao nível dos olhos e a 10 graus do nível do horizonte visual. Se necessário, use um suporte para ajustar a altura; e
• Caso seja possível, dê preferência para telas fixas e maiores, que garantem mais conforto visual.

 

 

 

 

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