TECNOLOGIA | A reinvenção do professor

TECNOLOGIA | A reinvenção do professor

Colégio Stockler

01 de março de 2021 | 13h06

Conheça os principais desafios e conquistas da jornada heroica do professor no ensino remoto

 

Está prestes a completar um ano que professores de todo o Brasil foram desafiados a desbravar o mundo digital. Em uma típica “jornada do herói” – no melhor estilo de Joseph Campbell (1904-1987), professor e pesquisador estadunidense que criou o conceito de “monomito”, jornada cíclica que se repete nos mitos –, todos levavam suas vidas normalmente na sala de aula até que, da noite para o dia, a pandemia trouxe o “chamado” para se aventurarem pelo ensino a distância.

 

Se Campbell ainda estivesse vivo, possivelmente veria muitas semelhanças entre o percurso dos heróis da mitologia, cuja organização está padronizada em três atos – partida, iniciação e retorno ao lar – e a experiência dos professores em 2020. Após meses de negação, cansaço, superação e também apoio de mentores e aliados, enfim, conquistaram um novo espaço de ensino e aprendizagem.

 

Para conhecer mais de perto essa realidade, mergulhamos na jornada dos professores do Colégio Stockler.

 

 

Partida rumo ao desconhecido

 

No primeiro ato descrito por Campbell, o chamado repentino que o herói recebe para sair de seu pacato mundo gera estranhamento e, por vezes, medo. Não foi diferente com os professores do Stockler, pegos de surpresa pela suspensão das aulas presenciais em março do ano passado por conta da pandemia.

 

Entre os principais fatores que os preocupavam, estavam a necessidade de dominar instantaneamente as ferramentais digitais e adaptar a didática das aulas. “O início foi trabalhoso. Tivemos que aprender a atuar no vídeo. Era surreal. Errava, parava, gaguejava e tinha que editar conteúdo que domino porque, na telinha, é tudo muito diferente.”

 

Como já é de se esperar na jornada de todo herói, os professores do Stockler também contaram com mentores para ajudá-los a abraçar o desafio e capacitá-los para enfrentá-lo. “A maior provação foi saber o que estava acontecendo com os nossos alunos, já que o acompanhamento a distância não é e nunca será como o presencial. Por outro lado, o mais gratificante foi ter mais contato com todos os meus colegas, em especial os professores, com quem aprendi muito de tecnologia e de pedagogia. Cresci muito durante a quarentena”, comenta Beatriz Torrano, professora de Biologia e assessora em Tecnologia da Informação.

 

 

Entre testes e aliados

 

Após o período de estranhamento, vêm a adaptação e o aprofundamento no mundo até então desconhecido. É neste segundo ato que o herói enfrenta testes, conta com a ajuda de parceiros e começa a obter êxitos durante as provações.

 

No caso da jornada da professora Mariana Garófalo, de Educação Física, os parceiros foram os próprios estudantes. Segundo ela, antes da pandemia, as turmas apresentavam resistência a exercícios individuais, preferindo atividades com bola. Com a chegada do ensino virtual, a barreira foi naturalmente vencida. “Passei a propor exercícios de pilates, alongamento e treinos funcionais. Confinados e isolados em casa, passaram a dar mais valor para a prática de exercícios físicos.”

 

Já o professor de Biologia Ismael Andrade, que coordena um projeto de vídeos em sua disciplina desde 2010, a implementação de metodologias ativas é uma das mudanças maispositivas e profundas disparadas pela pandemia. Prova disso foi o trabalho apresentado pelo aluno Lars Kunath, que, junto com outros colegas, fez um documentário sobre o mal de Alzheimer. “Entrevistamos cuidadoras de idosos que enfrentam a doença e também a minha avó, diagnosticada com Alzheimer. Aprendi muito sobre o tema e ainda transmiti meu conhecimento por meio da minha paixão: o audiovisual.”

 

 

O retorno ao lar

 

O último ato da jornada do herói é o momento em que o protagonista precisa retornar ao seu mundo depois de ter enfrentado o desconhecido e passado por uma série de provas. Reencontra-se com suas origens, porém, transformado pelas experiências recém-vividas.

 

“2020 possibilitou a ampliação e a ressignificação no ensino, o nos faz refletir sobre novas estratégias e dinâmicas para a evolução da aprendizagem e dos processos avaliativos”, afirma Josely Magri, diretora pedagógica do Stockler.

 

O saldo também foi positivo sob a ótica de Mariela Bello, professora de Espanhol. “O melhor desse período foi o desenvolvimento da autonomia dos alunos. Cada um aprende do seu jeito e no seu tempo. O pior, sem dúvida, foi a falta do presencial, o olho no olho, o contato humano, que nunca será substituído por uma máquina”, comenta.

 

A volta as aulas no modelo híbrido, porém, está longe de representar um ponto final na jornada de reinvenção dos professores. Mas uma coisa é certa: eles, assim como os estudantes – cada qual, heróis à sua maneira – já não são mais os mesmos de antes da pandemia.

 

Talvez ainda seja precipitado dizer que regressaram com o elixir – o último dos 12 estágios da jornada do herói de Campbell –, mas certamente iniciam este novo ano letivo com mais competências para ajudar uns aos outros. O “novo normal” está em pleno desenvolvimento.

 

 

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