Escolas e programas bilíngues na infância: 5 mitos e verdades

Anna Beatriz

21 de maio de 2018 | 16h12

Diante do mundo globalizado, muitos pais desejam ver seus filhos em contato com o inglês desde a infância, objetivando melhores oportunidades no futuro, mas há uma série de dúvidas frequentes que dificultam a decisão por uma escola bilíngue. Por exemplo, qual a melhor idade para iniciar o aprendizado de um novo idioma e se aprender duas línguas ao mesmo tempo atrapalha a alfabetização são apenas algumas delas.

O tema do bilinguismo infantil vem crescendo entre pais, educadores e profissionais ligados à educação, mas ainda é um assunto bastante novo para o Brasil. Para facilitar o entendimento do que é mito e o que é verdade sobre isso, a coordenadora pedagógica da Seven Idiomas, Daniela Mendonça, lista abaixo algumas das perguntas mais ouvidas por quem trabalha com esse tipo de educação nas escolas e as respostas.

1 – É verdade que crianças expostas a dois idiomas desde cedo possuem mais dificuldade em desenvolver a alfabetização na língua materna?

Mito. Cada indivíduo é alfabetizado apenas uma vez na vida. A partir daí, o que acontece com outras línguas é uma transferência de características de uma para outra. O cérebro passa a trabalhar com hipóteses e com comparações relativas à vivência, mas não apaga o que foi adquirido na língua materna.

2 – É prematuro colocar as crianças em contato com o segundo idioma antes da alfabetização?

Outro mito que povoa não apenas a cabeça dos pais, mas também de gestores escolares. Quanto mais cedo uma pessoa for submetida ao contato com outro idioma, mais cedo ela terá adquirido o conhecimento em função da vivência que terá na língua. E esse aprendizado é um processo composto por etapas. “No programa bilíngue desenvolvido pela Seven Idiomas, nossa recomendação é que essa exposição aconteça ainda na primeira infância, por volta dos 3 anos de idade, para que a evolução seja natural com o avanço da faixa etária”, explica Daniela.

Para um raciocínio mais claro, pense que o ensino de língua estrangeira deve acontecer da mesma forma como as crianças aprendem a materna. Desde o nascimento os pequenos já escutam a mãe e as pessoas ao redor falarem. Depois de algum tempo, eles passam a entender os contextos e respondê-los com o corpo (como quando falamos: “é hora de dormir” e eles se dirigem para a cama). A etapa seguinte é quando eles começam a reproduzir palavras soltas e formar frases. Por fim, chegam a ler e escrever.

Com o inglês é a mesma coisa: contato com o idioma

3 – O aprendizado da segunda língua ainda na infância contribui para melhorar a pronúncia?

Verdade. Quanto mais tempo de contato uma pessoa tem com um idioma, mais ela sente-se segura em aplicá-lo. Na infância o aprendizado inicia como uma brincadeira (e não como uma pressão, como no caso da fase adulta, quando o inglês passa a fazer falta para atividades que almejamos) e isso faz com que a aquisição de conhecimento seja sólida e profunda (ao invés de uma memorização pré-vestibular, por exemplo). Isso porque, a criança tem tempo suficiente para escutar, compreender a língua e, por fim, começar a falar. E é essa confiança que faz com que sua pronúncia e o ritmo da fala sejam mais fluídos e fluentes.

“Nesse sentido, vale ressaltar que ser independente quanto ao uso da língua para expressar-se não significa necessariamente uma fala sem sotaque. O que vale na proficiência é ser capaz de se comunicar e de executar as tarefas esperadas para cada nível de conhecimento”, pontua Daniela.

4 – Os pais precisam ser bilíngues para que a criança evolua no aprendizado?

Mito. Toda exposição ao idioma é benéfica, ou seja, se houver continuidade do inglês em casa isso pode auxiliar no desenvolvimento das crianças. Mas, isso não é obrigatório. O que é mandatório para a evolução do aprendizado é a metodologia usada durante o período escolar. Os pais precisam ficar atentos aos métodos que a escola utiliza para ensinar, aos materiais didáticos e à forma de mensuração de resultados e se isso está de acordo com as peculiaridades de cada idade.

Outra dica é controlar a ansiedade. Muitos adultos possuem bloqueios quanto ao inglês e outros não tiveram a oportunidade de aperfeiçoá-lo. Além disso, as gerações mais antigas vêm de uma escola pautada pela memorização de regras, em que tudo precisava ser aprendido em um curto espaço de tempo. E isso gera uma ansiedade, muitas vezes projetada nas crianças, de que seus filhos sejam iguais.

“Hoje se aprende de outra forma. Há algum tempo, nós aprendíamos a conjugação do verbo to be, por exemplo, memorizando suas formas verbais. Atualmente, a metodologia trabalha com situações contextualizadas, ou seja, nem sempre o aluno sabe explicar porque um verbo em determinada frase termina com ‘ing’, mas ele sabe aplicar a regra de forma assertiva, num contexto real de uso”, diz a especialista da Seven Idiomas.

Os pais também se cobram muito em relação ao que podem fazer em casa estimular as meninas e os meninos. “A melhor recomendação é: não cobre, incentive”, alerta Daniela. Entenda o que está acontecendo na escola, veja o material, sugira que os pequenos ensinem você a falar algo que eles sabem em inglês. Elogie suas produções, mas não “tome” a lição. Faça esse acompanhamento de forma que tenha sentido para as crianças, de uma forma espontânea, sugira um bingo com as cores em outra língua na brincadeira do sábado à tarde, por exemplo. E leve em consideração o que se pode esperar de cada idade: aos cinco anos ela não seria cobrada a saber pedir a conta em um restaurante, mesmo em português. Então, não espere que ela faça isso em outro idioma.

5 – Apenas na escola bilíngue meu filho se tornará independente no idioma?

Mito. Primeiro é preciso entender que colégios bilíngues são aqueles que utilizam o idioma como base para sua comunicação: desde os colaboradores da portaria até o ensino de outras disciplinas, como matemática, por exemplo. Eles já nascem nessa natureza, apesar de ainda não haver uma regulamentação brasileira para isso. Já outras instituições investem em programas bilíngues, que são programas que estendem o contato do aluno com o inglês. No programa da Seven Idiomas, por exemplo, os estudantes menores possuem uma carga horária mínima de pelo menos três encontros por semana ou 1 hora e meia de aula e os maiores durante 2 horas e meia, aproximadamente.

“Acredita-se que a quantidade é o que faz toda a diferença, mas na verdade, somada ao tempo de exposição ao idioma, a qualidade da metodologia tem grande importância para o aprendizado. É possível, por exemplo, que uma pessoa exposta a programas bilíngues de qualidade, em escolas regulares, apresente resultados tão bons quanto um outro indivíduo que tenha frequentado uma escola bilíngue”, complementa a coordenadora.