O desenvolvimento do aluno no Ensino Fundamental II

O desenvolvimento do aluno no Ensino Fundamental II

Colégio São Luís Jesuítas

26 de agosto de 2020 | 10h38

Fase é marcada por transformações e aprendizados

O Ensino Fundamental II é uma etapa importante e um período marcado por significativas mudanças na vida dos estudantes. No Brasil, o Fund. II, como é carinhosamente chamado no Colégio São Luís, contempla do 6.º ao 9.º ano e abrange uma ampla faixa etária que vai dos 11 até os 14, 15 anos. Com isso, este Segmento tem muitas características que advém do momento pelo qual os alunos passam, pois se trata de uma fase de saída da infância e caminho para a adolescência, já no início do Ensino Médio.

Ainda que o senso comum insista em dizer das dificuldades que o começo da adolescência traz consigo, nós, aqui no CSL, entendemos que todas essas características tão marcantes de uma fase de descobertas, incertezas e, às vezes, enfrentamentos, podem ser uma grande oportunidade para o crescimento e o desenvolvimento de habilidades, tanto do ponto de vista estritamente acadêmico quanto daquele que envolve questões emocionais e de relacionamento.

FORMAÇÃO ACADÊMICA

Considerando o desenvolvimento acadêmico, o Ensino Fundamental II traz uma novidade desafiadora: a divisão das áreas de conhecimento e a consequente presença de vários professores especialistas, e não mais de uma professora regente, como era até o 5.º ano do Ensino Fundamental I.

Segundo a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), os estudantes enfrentam desafios mais complexos nesta fase. Isso é possível porque o desenvolvimento permite que compreendam cada vez mais, melhor e com profundidade, tanto conceitos mais elaborados quanto relações mais complexas entre eles. É momento de retomar aprendizagens do período anterior e aprofundá-las. A divisão das aulas em áreas de conhecimento por componentes curriculares e a presença de professores especialistas, exige dos alunos e alunas, paulatinamente, maior compreensão da forma como os conhecimentos estão encadeados. Assim, começam a lidar mais detidamente com as especificidades das áreas e, normalmente, aparecem também as preferências por um ou outro componente.

Atualmente, uma das metodologias utilizadas no CSL e que tem sido importante na construção das habilidades é a Aprendizagem Baseada em Projetos. Partindo de um problema e uma pergunta propostos, os estudantes trilham um caminho de construção de soluções que passa, obrigatoriamente, pela pesquisa e por trabalhos em grupos. A oportunidade, aqui, é da relação do conhecimento acadêmico com a realidade. Para além dos conteúdos específicos dos componentes e necessários, muitas habilidades são desenvolvidas como o enfrentamento de problemas, a resiliência, o olhar para o outro, a responsabilidade.

Há ainda um componente curricular que estreou em 2020 no CSL, a Organização e Aprofundamento de Estudos. Nele, exploramos com os alunos tanto as questões específicas do estudo – como aprendo, como posso estudar melhor – quanto as necessidades formativas que avaliamos importantes para a continuidade dos Projetos de Série.

Os novos desafios da escola são acompanhados por outros, de ordem orgânica e psicológica.

FORMAÇÃO HUMANA

 

Na transição da infância para a adolescência ocorrem mudanças que vão além das conhecidas oscilações hormonais. As transformações que acontecem no cérebro evidenciam-se no cotidiano do adolescente, e apresentam-se nas mudanças dos gostos, na vulnerabilidade para os vícios, nos transtornos de humor, na variação das vontades e dos desejos. O grupo social também ganha importância nessa fase e o adolescente elabora sua opinião moral baseado na expectativa desse grupo e age visando aprovação dos que lhe são significativos.

Os adolescentes passam mais tempo fora de casa e, quando estão em casa, diminuem a interação com os pais e tendem a passar mais tempo trancados no quarto. Essa separação afetiva dos pais é importante para que eles estabeleçam vínculos extrafamiliares. Em geral, os adolescentes falam com seus pais sobre questões que os preocupam e, quando há coesão familiar, alto grau de afeto e controle democrático, os adolescentes crescem com autoavaliação positiva e possibilidade de desenvolver autonomia emocional.

Ao longo da adolescência, desenvolve-se maior capacidade de abstração e a habilidade para assumir compromissos e aceitar limites claros. O refinamento dos valores sexuais, religiosos e morais também se faz presente, ao longo do amadurecimento da adolescência. Nessa fase também, os jovens apresentam generosidade e são mais conscientes de sua missão no mundo, sendo assim o engajamento em alguns projetos sociais é mais intenso.

O Colégio São Luís trabalha na perspectiva da formação integral, que se traduz em uma formação acadêmica e humana de excelência. A Matriz Curricular está calcada em sete competências que se traduzem em trabalho efetivo em sala de aula. Assim, é essencial que as aulas de Matemática ou História, por exemplo, tenham qualidade técnica, bom desenvolvimento dos objetivos relacionados ao componente. Mas isso não basta. É preciso que as atividades propostas conduzam ao desenvolvimento das competências curriculares na perspectiva do que a faixa etária necessita desenvolver e pode alcançar.

DESENVOLVIMENTO DA AUTONOMIA E O PAPEL DA FAMÍLIA

O desenvolvimento da autonomia do aluno é peça chave no Ensino Fundamental II. Para proporcionar melhores condições para o alcance dela e do autoconhecimento, professores e professoras oferecem, ao longo das séries e por meio dos planejamentos estruturados, oportunidades para o exercício dessas capacidades, que são acompanhadas de perto pelos educadores.

Os pais, como primeiros responsáveis no desenvolvimento integral de seus filhos, ocupam uma posição essencial, de extrema relevância e fundamental, embora sempre atuando com a máxima sabedoria para compreender as mudanças, auxiliar nas decisões e ajudar os filhos a crescerem de maneira sadia, autônoma e responsável.

Nesse sentido, enumeramos algumas sugestões:

  • Acompanhe a vida escolar das crianças/adolescentes com interesse, sem intervenções que impeçam o desenvolvimento da autonomia.

 

  • Mantenha um canal de diálogo aberto, sempre reafirmando os valores familiares e evitando os conflitos, mas sempre encarando-os com clareza e verdade.

 

  • Procure evitar imposição com autoridade, dando oportunidade de o adolescente expor suas opiniões. Assim teremos grande chance de entender os processos do seu pensamento e termos condições de realizar intervenções.

 

  • Mostre ao adolescente seu ponto de vista sobre situações que exigem cuidado. Argumente, exponha suas ideias e dê liberdade de escolha para ele, lembrando sempre que liberdade pressupõe responsabilidade.

 

  • Valorize os sentimentos do seu filho, participe de sua vida cotidiana, evitando interrogatórios e respeitando os limites que eles mesmos impõem. Não precisamos, como pais, sabermos tudo o que o adolescente pensa ou sente. O importante é estarmos sempre dispostos e disponíveis para escutá-los e auxiliá-los no que for preciso.

 

  • Mostre interesse pelo universo dele, músicas preferidas, shows, filmes, ambiente na escola, amigos, isso garante proximidade.

 

  • Aproxime-se dele sem medo de julgamentos. Os filhos devem ter consciência de que os pais são feitos de carne e osso, não super-heróis. É importante eles saberem que, temos mais experiências, mas também medos, angústias, inseguranças e dúvidas.

 

 

Equipe do Ensino Fundamental II do Colégio São Luís

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