O “bate-bolão” no Colégio São Luís: os primórdios do futebol no Brasil

O “bate-bolão” no Colégio São Luís: os primórdios do futebol no Brasil

Colégio São Luís Jesuítas

15 Junho 2018 | 13h13

Em 1880, muito antes da primeira Copa do Mundo, a bola já rolava nos pátios do CSL de Itu

Em 1895 Charles Miller realizou aquele que é considerado o primeiro jogo oficial de futebol no Brasil. Mas bem antes, no início da década de 1880, as bolas de capotão já rolavam nos pátios do Colégio São Luís de Itu.

Na segunda metade do século XIX, escolas de todo o mundo estavam mais abertas à incorporação da prática esportiva em seus currículos como forma de incentivar a disciplina e fortalecer a saúde dos alunos. Nesse contexto, os padres jesuítas acompanharam os novos tempos e passaram a promover diferentes esportes em seus colégios. No entanto, o futebol (ou “ballon au camp”, em tradução literal “bola ao campo”, como era chamado) parecia especial.

Prova disso é que em 1875, no livro “Les jeux de collége”, guia da Companhia de Jesus para os reitores, dentre mais de 80 modalidades recomendadas para os colégios jesuítas de todo o mundo o futebol era o preferido dos padres: “esse jogo é o mais bonito e o mais interessante de todos”.

No Brasil, o primeiro jesuíta a trazer novidades quanto às práticas pedagógicas e físicas desenvolvidas na Europa foi o padre reitor José Maria Mantero. Em 1880, após uma de suas viagens, o padre Mantero tornou obrigatória a prática de esportes no Colégio São Luís de Itu. As duas bolas de capotão que trouxe em sua bagagem deram origem ao “bate-bolão”, uma das brincadeiras favoritas dos alunos, graças também à participação ativa dos padres nos recreios.

Precursor do futebol, o “bate-bolão” foi praticado por quase uma década de forma bem simples: os alunos apenas chutavam a bola para o alto ou contra os muros do Colégio. Ainda não havia times de 11 jogadores, demarcação de campo, traves ou um conjunto de regras.

Em 1887, o bate-bolão ganhou alguns elementos do futebol moderno: delimitação da área do gol, feita com retângulos em paredes opostas do pátio, e formação de duas equipes, caracterizando uma disputa (o que não acontecia até então). A partir daí o objetivo do jogo ficou claro: o aluno deveria fazer a bola atingir o interior da área definida na parede do time adversário, marcando o famoso “gol”. Com essas modificações o “bate-bolão” deixou de ser apenas uma brincadeira de chutar bolas contra paredes e passou a ser praticado com mais dinamismo.

Em 1894, seguindo as regras da Football Association, o reitor do CSL, padre Luís Yabar, passou a aplicar as dimensões e demarcações oficiais do campo e substituiu as marcas nas paredes por traves de madeira.

Por essa época foi instituído o título de “campeão de futebol” para o aluno que mais se destacasse nas partidas. O primeiro a ter esse reconhecimento foi Arthur Ravache, em 1895. Ravache viria a ter importante participação no emergente meio futebolístico paulistano. Foi protagonista de uma das primeiras equipes de futebol na cidade de São Paulo, o Sport Club Germânia (futuro Esporte Clube Pinheiros). Também esteve presente na reunião de dezembro de 1901 que fundou a Liga Paulista de Futebol, fazendo parte da primeira diretoria.

Em 1918, com a mudança do CSL para a Avenida Paulista, surgem grupos para estruturar a realização de jogos e campeonatos de futebol, como a Associação Athletica Colégio São Luís. Com a permissão do padre reitor, os alunos da Associação organizavam competições internas, entre times do Colégio, e também externas, com estudantes de outras escolas.

Nas décadas seguintes a prática esportiva passou a ser valorizada de tal maneira que em 1941 a equipe de futebol do Colégio São Luís disputou uma partida contra os alunos do Colégio Arquidiocesano no então maior estádio do País, o Pacaembu, inaugurado um ano antes. Deu empate: 1 x 1.

Na passagem dos anos 50 para os 60, uma aquisição de grande importância: a do professor Waldete Baptista Alexandrino, conhecido como Palmer. Antigo auxiliar técnico do Corinthians, durão e disciplinador, Palmer treinou, selecionou alunos e foi árbitro de partidas. A contratação de um dos primeiros profissionais especializados na prática do futebol revela o quão popular a modalidade era no CSL.

As décadas de 70 e 80 foram períodos de grandes transformações para o Colégio, com a renovação das instalações, a admissão de meninas e maior participação em campeonatos. Um deles, os Jogos Jesuítas, realizados pela primeira vez em 1986, se tornaria tradicional no Colégio. As meninas participaram dos Jogos Jesuítas dez anos depois, em 1996, com o futsal.

Outro evento importante, os Jogos Interamizade, surgiram em 1987. Realizados anualmente há mais de três décadas, dão aos alunos dos grandes colégios de São Paulo uma oportunidade de encontro, incentivados pela competição e pelo coleguismo.

Nos anos 2000 o futebol continuou a ser parte fundamental do cotidiano do Colégio. Em 2009, um grupo de 20 alunos e professores participou de duas copas de futebol amador famosas no continente europeu: a Gothia, na Suécia, e a Dana Cup, na Dinamarca.

Em 2010, o Colégio São Luís promoveu uma mesa-redonda com os dirigentes dos principais times paulistas, todos antigos alunos, para debater futebol, educação e Copa do Mundo.

Nas férias de julho de 2012 foi a vez de os meninos do futsal embarcarem para a Espanha para participar da Palencia Cup. Uma das equipes do São Luís conquistou a medalha de prata e o aluno Luiz Arthur Otaviano foi escolhido o melhor atleta da competição.

Ao longo dos mais de 150 anos de história do Colégio São Luís, o futebol, mais do que dar aos alunos a oportunidade de ganhar uma partida ou campeonato, vem desenvolvendo nas crianças e adolescentes a amizade, o companheirismo e o crescimento individual e coletivo. O futebol nos ajuda a formar cidadãos completos, capazes de superar desafios e entender que vencer e perder fazem parte da vida.