Dez anos de Projeto Conexões

Dez anos de Projeto Conexões

Colégio São Luís Jesuítas

05 Maio 2016 | 09h49

Colégio São Luís é um dos organizadores do projeto internacional de teatro que já envolveu mais de 2.500 jovens na montagem de 40 peças

Montagem “DNA” do grupo de teatro do Colégio São Luís em 2015 (Foto: Jorge Alves – Todos os Direitos de Reservados)

Há uma década, o Projeto Conexões de Teatro Jovem é realizado pelo Colégio São Luís em parceria com a Cultura Inglesa, o British Council Brasil, o National Theatre de Londres e a Escola Superior de Artes Célia Helena.

A iniciativa, desenvolvida em sete países (Brasil, Inglaterra, Itália, Portugal, Suécia, Geórgia e Noruega), tem como objetivo fomentar o teatro feito por jovens e para jovens. Reúne, a cada ano, em torno de 500 estudantes de escolas públicas e particulares da Grande São Paulo, organizados em até 20 grupos.

O Conexões do Brasil é um grande sucesso de público – 40 peças já foram encenadas para mais de 12.000 pessoas – tendo conquistado o respeito e o envolvimento de dramaturgos conhecidos como Marcelo Rubens Paiva, Newton Moreno, Jandira Martini, Leonardo Moreira, Claudia Schapira e Marcelo Romangnoli, para citar alguns dos que já escreveram textos para o projeto. Sobretudo é, literalmente, um palco para que adolescentes de 12 a 19 anos desenvolvam e expressem uma linguagem, baseada no respeito e na capacidade de lidar com os problemas humanos e com as próprias falhas.

Seguindo um conceito desenvolvido pelo National Theatre de Londres, os grupos escolhem uma peça para encenar após estudarem quatro opções: dois textos de autores brasileiros e dois britânicos. Na fase de ensaio, há um workshop de dois dias, com a presença dos autores das peças e de professores das instituições organizadoras (o curso aconteceu no teatro do Colégio São Luís, entre 21 e 22 de maio, e reuniu todos os grupos participantes).

No encerramento do projeto, além de estrearem a peça, os estudantes assistem montagens dos outros grupos, o que é um exercício interessante de diálogo. “A mostra do Conexões não é competitiva”, observa Tuna Serzedello, um dos coordenadores do Conexões e diretor do Grupo do Colégio São Luís.

“É gratificante participar do Conexões porque sempre são peças que falam para nós, jovens, e fazemos amizade com pessoas de outras escolas e grupos teatrais”, comenta Amanda Martinez, aluna da 1.ª série do Ensino Médio do Colégio São Luís, que participa há 3 anos do Conexões. Seu diretor concorda: “Os dez anos do projeto Conexões são uma prova de que o teatro para jovens no Brasil merece e precisa desse espaço para termos um país mais criativo, ético e com base no diálogo entre jovens”, diz Tuna.

Em cartaz em 2016

No portfólio de 2016, um dos textos foi escrito por Patrick Marber, conhecido mundialmente por sucessos do cinema como “Closer” e “Notas sobre um escândalo” indicados a inúmeros prêmios como o TONY, Globo de Ouro e o Oscar. Seu texto “Os Músicos” (The Musicians) fala sobre uma orquestra escolar que se apresenta em Moscou e seus instrumentos ficam presos na alfândega.

Lucinda Coxon é a outra autora britânica com a peça “Eles são assim mesmo?” (What are they like?). Coxon já escreveu mais de uma vez para o National Theatre de Londres e tem muita experiência em textos para jovens, desta vez faz com que os atores interpretem seus pais em uma divertida comédia sobre o embate entre gerações.

Os autores brasileiros também estão muito bem representados por dois jovens talentos dos nossos palcos. Alexandre Dal Farra, vencedor do prêmio Shell em 2012 pela peça “Mateus,10”, já teve peças suas encenadas por grupos importantes como o Teatro da Vertigem, o Núcleo Experimental do SESI e o Tablado de Arruar. Para esta edição escreveu “Ele escreveu um texto para jovens”.

Lucienne Guedes, atriz com um grande currículo em dramaturgia, integra o time com sua experiência de doutoranda pela ECA-USP em processos criativos de dramaturgia e tendo trabalhado com o Teatro de Narradores, Núcleo Bartolomeu e Teatro da Vertigem, traz a peça “A Ponte” que usa da estrutura do teatro NÔ para contar de maneira poética a história de uma cidade e seus amores.