Arregaçando as mangas na cozinha

Arregaçando as mangas na cozinha

Colégio São Luís Jesuítas

09 Novembro 2015 | 11h41

IMG_5744aReceitas podem ser recheadas de lembranças e resgatarem histórias das famílias.  O sociólogo francês, Pierre Bourdieu, afirma que é provavelmente nos gostos alimentares que se pode encontrar a marca mais forte e indelével do aprendizado infantil. Já o escritor francês, Marcel Proust, concluiu que o olfato e o paladar têm o poder de convocar o passado. Ao considerar que a memória é uma dimensão importante na relação com a alimentação, os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental, do período Integral do Colégio São Luís, têm desenvolvido o projeto Culinária da Família.

O intuito é trazer os costumes de casa para serem discutidos em aula. “Priorizamos a culinária, pois o momento das refeições é muito importante para a interação familiar. Mas os alunos também fazem um resgate de objetos antigos em comparação com os tempos atuais”, diz Ana Cristina Croce, coordenadora do Integral. “Tivemos a ideia de promover com o projeto maior conhecimento da nossa história e dos costumes brasileiros.”

A aula promove uma investigação, na qual os alunos buscam informações sobre a família e procuram a história da receita. Cada um leva para casa um formulário para escolher com a sua família a receita predileta que irá apresentar na escola, seus ingredientes e modo de preparo. E escrevem sobre sua história, quem a prepara ou ensinou e uma foto dessa pessoa. Conforme os formulários vão chegando, é estabelecida a ordem da execução das receitas, os ingredientes são providenciados e, depois de prontas,  todos do grupo experimentam.

Segundo Ana Cristina, às vezes, o responsável pela receita é convidado a  cozinhar com os alunos e a contar um pouco dessa história. “O projeto incentiva os alunos a experimentarem novos alimentos aprendendo como prepará-los. Eles se sentem motivados a saborear produtos que até então não conheciam, como tapioca.”

Após a aula prática na cozinha experimental do Colégio, os alunos registram a receita em um caderno específico, com a foto e a sua história. Ao final do ano,  terão a coletânea de todas as receitas trazidas pelas famílias e por alguns funcionários do Colégio, escolhidos pelo grupo.

“Eles participam ativamente e gostam muito de trabalhar com os ingredientes. Aos poucos ensinamos os cuidados que precisam ter na cozinha, como quebrar um ovo, colocar a farinha na medida certa e a higiene necessária”, conta a professora Karen Gobo, orientadora do Integral. Segundo a professora, essa parte da culinária acaba se tornando também um momento prático porque os alunos aprendem a lidar com os utensílios. “Nós já fizemos diversas receitas, como cookies, bolo de cenoura, tapioca e pavê. A atração principal sempre é o resultado da receita, quando eles saboreiam e se divertem.”

As aulas práticas de culinária ocorrem duas vezes ao mês e duas aulas mensais são para os registros nos cadernos.

 

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