Quando o limite é muito…

Quando o limite é muito…

Escola Santi

30 Junho 2016 | 09h08

Muita gente fala sobre a falta de limites e o impacto que isso tem na vida das crianças e adolescentes. Porém, você já parou para pensar sobre o inverso? Será que o excesso de limites também pode ser um problema?

Durante uma conversa com pais e educadores na Escola Santi, Telma Vinha falou bastante sobre isso. Segundo a educadora, o excesso de limite em situações que não são tão importantes ou essenciais, pode ser um problema.

“Tem um estudo que mostra que com 15 anos, eles acham que tudo é implicância. Quanto mais a gente briga por tudo, menos eles obedecem as regras porque há uma diluição de seu sentido e importância”, explica Telma.

 

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Existem vários tipos de conflitos e graus de intensidade para cada um. Tem a conhecida discussão sobre deixar a toalha molhada na cama, cortar ou não o cabelo, de colocar ou não a blusa quando está frio, e por aí vai… É exatamente pensando nisso que devemos refletir sobre a intensidade que damos a cada uma das discussões.

“Se colocarmos a mesma energia em brigar por tudo, vai se perdendo a importância das regras. Temos que saber que batalhas comprar, e ver pelo que de fato vale a pena brigar”, continua.

 

Mas… como medir a importância de cada batalha?

Segundo Telma Vinha, existem 3 tipos de regras: regras do domínio pessoal (jeito de vestir, corpo, cabelo), regras convencionais, (dependem da cultura, contexto) e as regras morais, ligadas ao bem estar próprio e do outro.

“Quando pequenas, as crianças sabem que é mais grave bater do que comer com as mãos, só que, conforme elas vão crescendo, vão perdendo isso, por causa da quantidade de regras e cobranças que apresentamos a elas. Se brigamos por tudo, elas perdem essa hierarquia de que isso é importante e isso nem tanto.”

Além de ser importante medir a intensidade das regras, também precisamos pensar sobre a razão de sua existência e o princípio que está por trás. A regra deve existir quando ela é realmente necessária. Essa necessidade depende, na maioria das vezes, do contexto. Por isso, devemos tomar cuidado, porque o que acontece muitas vezes é que a gente vai ligando no automático e só diz ‘é regra’.

Telma aproveita e dá uma grande dica para pensarmos sobre as regras:

“Para que as regras sejam seguidas, o que ajuda muito é permitir que as crianças participem do processo de elaboração dessa regra. Envolva o outro na solução do problema, mesmo quando é causado por ele, e deixe um espaço para o acordo, para flexibilizar, sabendo que de tempos em tempos esse acordo deverá ser revisto.”

 

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Paradas para troca e reflexão
Na escola Santi, pais e educadores se encontram com frequência no FormaSanti-pais, evento em que especialistas são convidados a falar sobre temas relacionados à educação e outros assuntos do mundo contemporâneo, que contribuem para o desenvolvimento do ser humano. Acreditamos que estes encontros favorecem não só a atuação dos pais com os filhos, mas também fortalecem o vínculo entre família e escola, parceria esta fundamental para o bem estar e boa aprendizagem das crianças e jovens. Em alguns casos, as palestras são abertas a convidados. Acompanhe nossos eventos e convites pelo Facebook da Santi.

 

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