Por uma internet segura

Por uma internet segura

Escola Santi

13 Julho 2016 | 22h57

Pais e filhos ouviram orientações da ONG SafeNet sobre segurança, responsabilidade e ética na internet, em palestra na Escola Santi

 

Antes o toca-fitas, a televisão, o gravador, a máquina fotográfica, a filmadora, o telefone e o computador. Hoje, todos esses aparelhos estão reunidos em um só, nossos celulares ou tablets, e se tornaram indispensáveis. Num momento em que já se fala em Internet das Coisas – uma revolução tecnológica que pretende conectar objetos à rede – óculos, relógios, eletrodométicos, brinquedos e muitos outros, como podemos, acompanhar e orientar nossos filhos e alunos?

Foi para responder essa e outras dúvidas que a psicoanalista Juliana Cunha, coordenadora da ONG SaferNet e responsável pelo HelpLine Brasil, primeiro canal online de ajuda e orientação psicológica sobre o uso seguro e responsável da Internet no Brasil, esteve na Escola Santi no dia 22 de junho para a 26ª edição do FormaSanti-pais, conversando com pais, alunos e educadores da equipe da escola.

O primeiro alerta, segundo Juliana, é que apesar de acessarmos a internet em ambientes privados, como dentro de casa, ela é, na verdade, um espaço público. Dizer algo na internet é como gritar em uma gigantesca praça pública, que não tem fronteiras entre pessoas e países. Mas isso não quer dizer que ela seja uma terra sem leis. A internet é um espaço de direitos e tem regras muito claras.

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“Não ofender o outro, não ferir os direitos humanos. As mesmas leis que valem fora da internet também se aplicam dentro dela. Antes de publicar qualquer coisa, se for algo que você não teria coragem de falar olho no olho, não o faça na internet, pois vai ter uma repercussão muito maior”, alertou às crianças a representante da SaferNet, se referindo a casos em que postagens em redes sociais que ofendiam um grupo de pessoas viralizaram e repercutiram por todo o país.

Outra coisa importante é desconstruir alguns mitos. Segundo o levantamento de dados da SaferNet, aquele que é o maior medo dos pais, o aliciamento ou o ato de algum adulto estranho tentar entrar em contato com as crianças, é o problema menos relatado por elas. O que elas mais relatam como problema é a violência sofrida por pares, por outras crianças que muitas vezes são conhecidas da escola, do prédio ou da rua.

O problema mais enfrentado pelas crianças e jovens atualmente na internet e nas redes sociais é o bullying digital. “O cyberbullying é uma agressão online feita de forma repetitiva, que por ser online pode se espalhar e viralizar com muita facilidade e é muito difícil de controlar, por ser mais difícil de os adultos verem, já que muitos não fazem parte do mundo digital. Nesse tipo de agressão, a pessoa sofre o tempo inteiro por estar online, o que vai destruindo sua autoestima”, explica Juliana.

Pesquisas mostram que 10% dos brasileiros acham que xingar na internet é normal, apenas uma brincadeira. É função dos adultos conversar com as crianças e jovens e ajudá-los a se colocarem no lugar dos outros. Só é brincadeira quando todos se divertem.

Aquele que se encontrar em uma situação de cyberbullying, seja como agredido ou como agressor, precisa estar ciente que deve informar a seus pais ou a um adulto de confiança, para que a situação seja resolvida com diálogo e respeito o mais rápido possível.

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Outro risco que está cada vez mais presente entre pré-adolescentes e adolescentes é o sexting: a troca de imagens de caráter íntimo, com nudez completa ou parcial. Aqui o perigo é duplo, tanto para quem envia quanto para quem recebe ou compartilha: para quem envia há a falta de controle e o risco da imagem se espalhar; já quem compartilha a imagem ou simplesmente a recebe e guarda a cópia, está cometendo o crime de posse e distribuição de pornografia infantil, podendo ser julgado em tribunal. Quando a pessoa que compartilha a foto for menor de idade, os pais terão que arcar com as consequências legais do crime, tendo que pagar multa por danos morais.

Como podemos, então, proteger os filhos de tudo isso? Quais limites devemos impor na relação entre as crianças, jovens e a internet? A especialista da SaferNet já logo alerta que não há uma receita certa, pois cada família tem um estilo diferente, que demanda soluções diferentes, mas dá algumas dicas:

Primeiramente nós, como adultos, temos que parar de dar a desculpa de que a tecnologia não é algo do nosso tempo. Nosso tempo é o tempo das crianças, inclusive podemos aprender muito com elas!

  • pesquisar e se apropriar da internet e redes sociais para poder orientar.
  • conversar com seus filhos sobre o que eles estão vendo, com quem estão falando, sobre o que fizeram na internet hoje.
  • navegar junto
  • ensinar como reportar e bloquear pessoas indesejadas.
  • ser transparente e verdadeiro. Não olhar as coisas de seus filhos escondido, pois isso gera uma quebra de confiança e só os fará esconder mais coisas de você.
  • Acompanhar de perto e estabelecer combinados
  • Criar regras de uso junto com os filhos, deixando claros os motivos para permitir ou proibir algo.

 

Por fim, Juliana alerta que proibir os filhos de usar completamente a internet não é o método mais eficaz, já que pesquisas mostram que crianças que fazem mais uso dos computadores relatam menos danos e problemas. “O nível de exposição ao risco não é o problema, porque as pessoas mais acostumadas desenvolvem habilidades e competências para lidar com os riscos desse espaço. É papel dos pais e da escola mediar, estabelecer limites, e ensinar essas habilidades e competências, e a como lidar com as situações que eles podem vir a encontrar.”

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FormaSanti-pais

O FormaSanti compreende todas as iniciativas da Santi relacionadas à formação – para a equipe ou para os pais, na Santi ou em outras instituições. Contamos com o FormaSanti-equipe e o FormaSanti-pais, duas marcas que reforçam a importância dada por nós ao constante desenvolvimento da nossa comunidade.

Para os pais, planejamos pelo menos 3 palestras por ano, realizadas por profissionais especialistas em temas relacionados à educação, com o intuito de promover a reflexão e a possibilidade de nos tornarmos cada vez melhores no exercício da maternidade e paternidade. Alguns dos temas já abordados foram a alfabetização, a formação moral, o uso de aparelhos eletrônicos por crianças pequenas, a pedagogia de emergência, entre outros. Saiba mais no site da Santi.

 

SaferNet

A SaferNet Brasil é uma associação civil sem fins lucrativos fundada em 20 de dezembro de 2005, por um grupo formado por cientistas da computação, professores universitários, pesquisadores e bacharéis em Direito. Eles coordenam a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (www.denunciar.org.br), que recebe denúncias anônimas sobre qualquer crime ou violação aos Direitos Humanos praticado por meio da Internet, e o HelpLine Brasil (www.canaldeajuda.org.br), onde sua equipe de psicólogos orienta crianças, adolescentes, pais e educadores que estejam enfrentando dificuldades e situações de violência no ciberespaço, a exemplo dos casos de intimidações, chantagem, tentativa de violência sexual ou exposição forçada em fotos ou filmes sensuais.