O mundo que queremos e o poder da música

O mundo que queremos e o poder da música

Escola Santi

27 Setembro 2016 | 14h38

Estudantes da Santi participam de iniciativas na área da música que vão desde a utilização de material reciclável na construção de instrumentos, até a composição de paródias para abordar temas como homofobia, racismo e saúde pública.

No ano de 2008 foi sancionada a Lei nº 11.769, que determina que o ensino musical deve ser conteúdo obrigatório em toda a Educação Básica (do infantil ao ensino médio). A proposta de conteúdo da lei diz que os alunos terão condições de conhecer noções básicas de música, dos cantos cívicos nacionais e dos sons de instrumentos de orquestra, além de aprender cantos, ritmos, danças e sons de instrumentos regionais e folclóricos para, assim, conhecer a diversidade cultural do Brasil.

Entretanto, há escolas que veem as aulas de música como uma possibilidade de ampliar seu contexto, colocando em prática projetos que estimulam o desenvolvimento da criatividade, da sensibilidade, além da maior integração entre os estudantes.

Um dos exemplos é a iniciativa criada pela Escola Santi – localizada no bairro do Paraíso – de utilizar a música como base para abordar e discutir temas polêmicos e atuais como racismo, homofobia, saúde pública e moradores de rua.

 

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Orientadas pelo professor de música Vicente Domingues Régis, as atividades junto aos alunos do 6º, 7º e 8º anos, com idades entre 11 e 14 anos, ocorrem às terças e quintas, das 7h30 às 9h10. No projeto, os alunos escolhem o ritmo de sua preferência (como rap, rock, funk, MPB) e criam as próprias letras em cima de canções de sucesso.

Entre as músicas já finalizadas, “Super Fantástico” (Ignacio Ballesteros/Difelisatti/Edgard Poças), composição famosa na voz do grupo Balão Mágico, se transformou em “Amor Mágico”, paródia em homenagem à participação dos atletas refugiados nas Olimpíadas Rio 2016.

Já “Malandramente”, sucesso de Dennis DJ, Nandinho e Nego Bam, tornou-se uma canção de protesto contra a homofobia, com os estudantes transformando-a em “Homofobicamente”. As carências e os problemas dos hospitais públicos foram os temas escolhido para que “Fico Assim Sem Você” (Cacá Moraes e Abdullah), hit que marcou a carreira de Adriana Calcanhoto, virasse “Para que Isso Mude”.

 

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Por fim, a batida de “Nego Drama”, dos Racionais Mc’s, ganhou uma nova abordagem, relatando a fome e a vida dos moradores sem-teto, sendo rebatizada de “Todo Dia”.

As músicas já podem ser ouvidas e baixadas por meio da plataforma virtual SoundCloud, através desse link. Há ainda outras canções em fase de produção, que em breve também estarão disponíveis.

Outro projeto da Escola Santi que tem a música como mote é a oficina de instrumentos musicais com material reciclável. Explorando materiais que seriam descartados, como garrafas-pet, canudos, rolinhos de papel higiênico, bexigas, pedras e até mesmo arroz, as crianças descobrem diferentes sonoridades e criam divertidos instrumentos.

Ao longo do projeto, as crianças do T3 ao T5, com idades entre 3 e 5 anos, já construíram tambores utilizando bexigas como pele e chocalhos com pedra, arroz, garrafas e latas. A cultura brasileira não poderia ficar de fora, com os alunos também criando instrumentos indígenas como maracá e pau-de-chuva.

“A intenção é possibilitar experiências com as diferentes sonoridades, de forma que eles criem formas diversas de produzir sons”, explica Camila de Mauro, coordenadora do projeto.

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