Forma e conteúdo: o uso da tecnologia em registros não-lineares

Forma e conteúdo: o uso da tecnologia em registros não-lineares

Escola Santi

04 Agosto 2016 | 10h55

Lara Marin, professora do 2° ano da Santi, conta sobre uma de suas experiências com o uso da tecnologia. Neste relato, percebe-se claramente algo que acontece nas escolas consideradas inovadoras – professores e alunos aprendem juntos e desenvolvem competências essenciais para atuação no mundo contemporâneo.

 

Se pararmos para pensar, a tecnologia informatizada faz parte de nosso cotidiano já há algum tempo. É comum ouvir adultos dizerem que estão desacostumados a escrever à mão, ou basta percebermos quão abandonados nos sentimos quando esquecemos o celular em casa. Positiva ou negativamente, a tecnologia está aí e para os professores ela pode ser vista como mais um desafio para ser gerenciado em sala de aula. Ou não. A tecnologia também pode ser encarada como um facilitador e um possibilitador de diferentes formas de pensar. É o que observei no encaminhamento de um projeto de Ciências Sociais com alunos do 2° ano utilizando o Popplet, uma ferramenta em que é possível realizar murais, mapas conceituais, entre outros formatos que envolvem uma visão não-linear do conhecimento.

Tudo começou quando fomos encorajadas a elaborar um projeto com base na ABP (Aprendizagem Baseada em Projetos) sobre as transformações da Avenida Paulista e do bairro do Paraíso – onde se encontra a Escola Santi – e construir com as crianças o caminho de estudo que iríamos perseguir para chegar ao nosso produto final. No caso da equipe do 2° ano, pensamos numa questão orientadora que foi “como a história da Avenida Paulista nos ajuda a compreender as transformações do local onde estamos?” e, juntamente às crianças decidimos o produto final do projeto. Meus alunos escolheram criar uma maquete da Paulista atual mostrando os costumes e usos desse lugar e relacionando-a com a Paulista de antigamente que será representada por outra turma. Além disso, também estudam a história da Escola Santi para compreender suas relações com a Avenida.

 

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Uma vez que seriam as crianças que iriam decidir as etapas do projeto e como iriam pesquisar, meu papel ali era apenas o de organizar o pensamento do grupo e apresentar algumas possibilidades, encorajando-os a criar perguntas que os ajudassem a responder à questão orientadora e a compreender as relações propostas por ela. Dessa forma, imaginei ser necessário algum registro desse estudo, o qual fosse não-linear, pois as crianças iriam alimentá-lo a cada descoberta ou questionamento. Sendo assim, busquei o Popplet, ferramenta que já conhecia, para nos auxiliar.

Você pode estar se perguntando: por que não utilizar um mural, o caderno e cartazes para isso, já que tal ferramenta sugere esses tipos de registro? Ora, quando a tecnologia nos oferece facilidades no dia a dia, temos de aproveitar, seja por conta do tempo didático, ou até mesmo pelo fato de que, como dito anteriormente, ela faz parte do modo de vida contemporâneo, então é importante saber utilizá-la. No caso desse trabalho, ela viria facilitar o registro e propor uma forma de visão ampla e específica do estudo para as crianças, uma vez que, com o Popplet é possível visualizar e editar o todo e suas partes.

A partir da questão orientadora, então, as crianças elaboraram novas questões e, posteriormente, pensaram na metodologia do trabalho. Em um terceiro momento, buscaram suas respostas e descobertas. Cada etapa deste trabalho pôde ser organizada em um único lugar por meio de diferentes cores que ajudavam a organizar o pensamento das crianças e a visualizar o que já tinham feito e aquilo que ainda estava por vir.

 

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Essa ferramenta também possibilitou aos alunos se agruparem e atuarem em suas partes. Ao mesmo tempo em que um grupo editava seus registros, o outro também o fazia e eles podiam identificar exatamente o que cada um tinha feito, podendo compartilhar em momento real o que tinham aprendido. O Popplet também proporcionou alguns recursos que, durante o uso, se tornaram fundamentais e potentes para o trabalho: salva automaticamente o que é feito; pode-se alterar cores e tamanhos, de maneira a facilitar e organizar a visualização das etapas do trabalho; é possível compartilhar externamente, evitando, inclusive, desperdícios de materiais; além de poder não apenas escrever, como colocar imagens ou vídeos no mesmo painel.

Tais possibilidades parecem triviais ao mundo da tecnologia e até mesmo simples aos olhos do professor. São elas, portanto, que nos mostram se é potente ou não o trabalho com uma ou outra ferramenta. Quanto mais intuitivo, mais simples o trabalho e mais naturalidade no uso do professor e do aluno.

As crianças se envolveram no trabalho, aprendendo, inclusive, a lidar com essa ferramenta, de maneira a perceber a tecnologia não só para jogos ou diversão, mas também como um potente recurso de estudo. Por já nascerem no mundo informatizado, adquirem também experiência com os eletrônicos e a escola se torna mais um lugar para tal aprendizado. Dessa forma, me vi motivada a experimentar essa ferramenta com os alunos no contexto de um projeto em que forma e conteúdo – como sempre – estavam interligados e as crianças poderiam refletir sobre isso, acompanhando e construindo conhecimento.

 

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Compartilhei minha experiência, então, por achar muitos pontos positivos no aprendizado dos meus alunos, tanto com relação aos conteúdos, quanto ao formato não-linear de leitura do estudo, em que as crianças puderam ter ideia do todo e suas partes ao mesmo tempo, além do uso da ferramenta em si.

Sabemos que nem toda experiência com tecnologia tem sucesso. Nós, professores, que nos arriscamos a embarcar no mundo informatizado, muitas vezes percebemos que em alguns casos a tecnologia não ajuda e sentimos estar perdendo tempo com isso. No entanto, é essa busca que faz com que aprendamos sobre novas ferramentas e possibilidades, avaliando nossas experiências, e avançando com relação ao mundo da tecnologia.

Confira um pouco mais sobre como foi o trabalho nesse vídeo: