Estudos ressaltam a importância do desenvolvimento moral de crianças

Estudos ressaltam a importância do desenvolvimento moral de crianças

Escola Santi

29 Novembro 2018 | 11h46

A Escola Santi recebeu a pesquisadora Adriana Ramos, da Unicamp, para uma palestra sobre a formação moral das crianças.

É hora do intervalo, e dois alunos disputam uma bola. Durante a aula de língua portuguesa, um grupo não consegue dividir o livro. Na atividade de matemática, um colega risca o caderno do outro. Conflitos fazem parte da vida em grupo e cenas como essa são comuns no dia a dia escolar. Diferente do que se pensa, esses desencontros são uma grande oportunidade para o desenvolvimento moral dos alunos.

É o que dizem estudos do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (GEPEM) apresentados à Escola Santi (localizada no Paraíso, em São Paulo) pela pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Adriana Ramos. Sua visita de formação da equipe faz parte do Projeto Convivência, uma iniciativa que envolve toda a escola com o objetivo de trabalhar o desenvolvimento socioemocional dos alunos da Santi.

De acordo com Adriana Ramos, situações conflitivas existem em qualquer ambiente, e nas instituições de ensino não haveria de ser diferente, sobretudo em ambientes cooperativos, onde a interação é incentivada. Em modelos mais estritos, o espaço para discordâncias é menor, já que os alunos passam a maior parte do tempo apartados entre si. A ausência de conflitos, no entanto, lembra a pesquisadora, não é necessariamente positiva. Isso porque o respeito ao outro e às regras de convívio não deve existir pela falta de contato entre as crianças, mas por um sistema moral que guia a conduta.

Os atritos acompanharão a criança até a vida adulta, e é por isso que é importante prepará-las desde pequenas para suas relações interpessoais. Desenvolver habilidades sociomorais e um comportamento autônomo significa instrumentalizá-las para uma vivência saudável em sociedade – com suas concordâncias, mas também seus desentendimentos.

Para a pesquisadora, os conflitos, além de fazerem parte do cotidiano, podem ser oportunidades de se trabalhar valores morais. A partir de intervenções feitas por adultos, é possível desenvolver a autonomia moral nas crianças, ensinando-as os porquês de certas atitudes ao invés de simplesmente reprimi-las.

Trata-se de um caminho em direção à autonomia e não à obediência. Com um sistema moral que guie suas atitudes, as crianças passam a tomar decisões não porque temem regras ou figuras de autoridade externas, mas porque raciocinam dentro de valores internos, se preocupam consigo e também com o próximo.

De acordo com Adriana Ramos, a autonomia moral formará indivíduos que convivam de maneira justa, respeitosa e solidária com o próximo – por vontade própria e independentemente de quem esteja ao redor. Dessa forma, constrói-se um ambiente rico, diverso, cooperativo e democrático.

Fruto do Projeto Convivência e dos seus valores, sempre presentes nos processos de resolução de conflitos, a Escola Santi é reconhecida pela qualidade das relações no ambiente escolar – não só entre alunos mas também entre os adultos da comunidade.