Estudo sobre índios une História e Educação Física

Estudo sobre índios une História e Educação Física

Escola Santi

30 Junho 2017 | 15h42

Interação entre diferentes áreas, professores e séries desenvolve competências e qualifica aprendizagem

 

O que os alunos do 6º ano tem a ver com os alunos do 3º ano? E a aula de história com a aula de educação física? E as tribos indígenas brasileiras com tudo isso? Na Escola Santi, localizada no bairro do Paraíso, em São Paulo, a resposta para essas perguntas é: muita coisa.

Embora a estrutura escolar seja tradicionalmente fragmentada – aulas, turmas, áreas, salas etc, sabemos que todas as possibilidades de integração, que qualificam a aprendizagem, são necessárias e bem-vindas. Num mundo em que a demanda é por profissionais que saibam se relacionar, trabalhar em equipe, lidar com a diversidade, resolver problemas, tomar decisões, inovar, criar, falar em público, pesquisar e selecionar informações, a ordem é que essas competências sejam desenvolvidas desde cedo, na escola.

A Santi trabalha com projetos e sequências didáticas desde o T2 até o 9° ano, modalidades que incentivam e permitem a interação entre diferentes áreas, sempre que possível, entre a escola e a comunidade, e também entre alunos de diferentes turmas. Foi assim que aconteceu num estudo sobre os índios no 6º ano, que uniu história e educação física, numa parceria entre os professores Lucas e Diogo:

“Baseados no currículo de história, que aborda os modos de vida de diferentes seres humanos, e no currículo de educação física, que tem a proposta de apresentar diferentes jogos culturais e populares, nós organizamos um projeto de práticas expressivas indígenas que envolveu tanto a pesquisa do modo de vida indígena quanto de danças, esportes e jogos”, explica Lucas, professor de história do 6° ao 9° anos.

Assim, os alunos se dividiram em 4 grupos, cada um se responsabilizando por pesquisar sobre uma comunidade indígena – os Kalapalo, os Krahô, os Xavante e os Guarani – mas o desafio não acabava por aí: além de pesquisar, organizar as informações, dividir responsabilidades, planejar e executar, eles também deveriam apresentar a prática expressiva e suas pesquisas para os alunos do 3º ano, que estão estudando diferentes tribos indígenas.

Para Lucas, isso permite que os alunos se apropriem melhor do que estão aprendendo e vejam um sentido maior na aprendizagem. “Apresentar para outro público permite uma maior fixação dos conteúdos, porque você precisa explicá-los de um jeito que o outro vai entender. A gente criou uma situação real de ensino e assim foi possível desenvolver tanto a capacidade de fala quanto a autonomia. Eles passaram a ser os sujeitos do que estão apresentando.”

Essa premissa faz parte da Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP, ou PBL, em inlgês – Project Based Learning), adotada na Escola Santi desde a educação infantil até o fundamental 2. Um dos pilares desta abordagem é que o produto do estudo seja compartilhado com uma audiência autêntica, e não apenas ao professor, dando assim muito mais sentido ao que se aprende. Para os alunos do 3º ano, que receberam os ensinamentos dos colegas, o ganho também foi grande, conforme explicam as professoras Elisângela Fiorentino e Danielle Rezende:

“A forma como os alunos interagem com outros alunos, a linguagem que usam, é diferente, e o fato de terem aprendido na prática, jogando, gera uma aprendizagem muito mais significativa para as crianças. Além do fato de que elas terem o contato com outros alunos que também estudaram o mesmo tema e verem como eles fizeram essa apresentação e se prepararam para ela gerou conversas muito produtivas em sala.”

Para o professor Diogo, de Educação Física, um dos pontos fortes do trabalho foi a ampliação do repertório cultural de todas as turmas ao estudar sobre as tribos indígenas e sobre os jogos e esportes de diferentes regiões do Brasil.