Estudantes fazem intercâmbio com comunidade quilombola

Estudantes fazem intercâmbio com comunidade quilombola

Escola Santi

18 Maio 2015 | 12h58

Mais de 3.400 quilômetros separam os municípios de São Paulo e Santarém, no Pará. Mas não é só a distância geográfica que os distinguem. A realidade dos jovens que vivem na capital paulista é bastante diferente daqueles que vivem em uma comunidade quilombola paraense. Com o apoio do programa Rede, promovido pela ONG Vaga Lume, há uma oportunidade de aproximação entre ambos.

Os alunos da Escola Santi participam, desde 2013, do projeto, que visa promover o intercâmbio cultural por meio de cartas, pesquisas e outras produções, para relatar como é viver em sua cidade.

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Para este ano, o local sorteado foi a comunidade quilombola Murumuru, localizada às margens do Lago do Maicá, município de Santarém, oeste do Pará. Com aproximadamente 90 famílias, realiza o tradicional Festival do Açaí. De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), estima-se que em todo o Brasil existam mais de 3 mil comunidades quilombolas, grupos étnico-raciais com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas e com ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida.

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A aluna do 9° ano da Escola Santi, Luiza Prates Pichirilli, que participa pelo segundo ano, conta que por meio dessa iniciativa teve a oportunidade de conversar com outros jovens e descobrir informações que vão enriquecer não só sua vida escolar quanto seu desenvolvimento pessoal.  “Descobri, por exemplo, que praia tem um significado diferente em cada lugar: para nós, a praia é no mar; para quem vive à beira de rios, a praia é no rio. Apesar da diferença de significados, todo mundo adora a praia.”

No ano passado, ela participou do acampamento realizado em Brasília, onde encontrou jovens da comunidade Atins, em Barreirinhas, do Maranhão, com quem tinha se correspondido.

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Segundo o orientador do programa e professor de História da Escola Santi, Lucas Monteiro de Oliveira, “entrar em contato com a ancestralidade, com as tradições e práticas culturais próprias de outra comunidade é extremamente enriquecedor para as crianças que vivem em uma realidade completamente diferente”. Além disso, ao pesquisarem mais sobre sua cidade para repassar essas informações para os jovens da Amazônia, as crianças acabam descobrindo muito sobre aspectos de São Paulo que elas não conheciam.