De São Paulo para o mundo

De São Paulo para o mundo

Escola Santi

15 Dezembro 2016 | 00h04

Alunos da Santi se apropriam do espaço da cidade ao apresentá-lo ao público internacional

Paulista, SESC, Conjunto Nacional, Parque do Ibirapuera, Beco do Batman. Quantas vezes nós paulistanos já não passamos por pelo menos um desses locais, sem notar detalhes ou mesmo conhecer sua história e significado para a cidade e seus visitantes?

Se não conhecermos e valorizarmos nossa cidade e nossa cultura, como podemos esperar que outros as valorizem? Ou como podemos ter certeza que não iremos olhar para outras cidades e culturas e desqualificá-las da mesma forma?

Essas foram algumas das questões que foram apresentadas aos alunos do 8º ano da Escola Santi, durante um projeto interdisciplinar que uniu geografia, língua portuguesa, inglês e espanhol e colocou os próprios alunos como pesquisadores e pensadores com a missão de apresentar o potencial cultural da cidade de São Paulo para um público estrangeiro e romper com alguns estereótipos que existem sobre o Brasil e os brasileiros.

“As questões urbanas são muito importantes para o coletivo e para o cotidiano dos cidadãos, principalmente em uma metrópole tão grande como São Paulo. A ideia era partir de um tema que os permitisse pensar sobre a cidade, sobre a urbanização de São Paulo e sobre a relação entre cultura e cidade, que os levasse a conhecer lugares novos ou a reconhecer lugares de forma autônoma e sob um novo olhar, provocando uma nova forma de pensar a cidade”, conta o professor de geografia da Santi, Gustavo Prieto.

O projeto se desenvolveu desde o começo do ano, quando os grupos se dividiram e escolheram que local de São Paulo gostariam de explorar e apresentar para um grupo de estudantes de uma escola Mexicana, a CETIS No. 2 David Alfaro Siqueiros. A partir daí, eles começaram a trabalhar em sua realização. O formato escolhido para apresentação foi o vídeo, tanto por ser uma tecnologia com a qual os alunos já tem acesso – mas que agora seria resignificada como uma ferramenta nova e potente para promover o diálogo e para demonstrar diferentes espaços geográficos – quanto por oferecer uma linguagem para se comunicar com os outros jovens que fosse rica, inovadora e acessível.

Nas aulas de língua portuguesa, foram trabalhados os fundamentos de roteiro e o gênero entrevista, e como se tratava de um produto que seria apresentado para um público internacional, o domínio dos outros idiomas seria fundamental. O vídeo deveria ser completamente esquematizado e gravado em inglês, inclusive as entrevistas, e depois acrescidos de legendas em espanhol.

“Isso foi muito importante porque os alunos encontraram pessoas de diversos locais do mundo, americanos, holandeses, colombianos, e puderam perceber que a língua inglesa foi a conexão entre eles, além de colocarem em prática o que aprendem em aula e perceberem que eles conseguem se comunicar, explica a professora de inglês, Andrea Dias.

Com tantas demandas e variáveis, o trabalho não seria fácil e, realmente, os alunos encontraram diversas dificuldades, conforme contam os alunos Caio, Felipe e Pedro, que gravaram seu vídeo no Conjunto Nacional: “Foi muito difícil realizar as entrevistas, primeiro porque quase todo mundo com quem a gente tentava conversar não falava inglês, ou estava apressada para ir para o trabalho e não tinha tempo, e depois várias pessoas podiam falar, mas não queriam ser filmadas, foi um desafio. A gente tinha uma ideia antes de ir e na hora ficou tudo diferente”.

Questões de planejamento, entrar em contato com os locais escolhidos, técnicas de filmagem e edição, dificuldades com as entrevistas e dezenas de imprevistos, todas foram situações com as quais eles tiveram que lidar e resolver ao longo do percurso, mas que valeram a pena, segundo a Ana, do 8º ano B, que foi com seu grupo ao Parque do Ibirapuera.

“Foi um trabalho muito difícil, mas muito divertido. Fomos nós que escolhemos os temas, nós pudemos ir até os locais sozinhos e fazer as coisas do nosso jeito. Tivemos a chance de interagir com pessoas novas, falar com pessoas com quem a gente não falaria normalmente e ouvir novas opiniões. Foi um processo muito importante, pelo qual todos deveriam ter a chance de passar.”

A realização do projeto, da forma que ele foi feito, permitiu que os alunos saíssem do campo da teoria e experimentassem na prática os conceitos vistos em sala de aula e diversas habilidades que são necessárias para o século 21. “O que se criou foi um ambiente de muita troca e colaboração, onde os alunos foram as lideranças, os protagonistas, tanto na sala quanto fora dela. Eram eles se empoderando de um conhecimento tecnológico, eles se empoderando das discussões teóricas das disciplinas e as colocando em prática. Eles construindo o projeto e fazendo a diferença. Não é mais o ‘vá lá e conheça’, é o ‘vá lá e faça” e isso só tem potência na educação”, finaliza o professor Gustavo.

Os vídeos criados pelos alunos foram compartilhados no Youtube e apresentados aos colegas do 6º ano em um evento na Santi, inspirando-os para os anos seguintes. Acesse todos os vídeos através desse link!