Da escuta à ação, uma experiência com a abordagem Design Thinking

Da escuta à ação, uma experiência com a abordagem Design Thinking

Escola Santi

12 Setembro 2016 | 15h37

Do que são capazes pessoas em pouco tempo, com alguns recursos, atitude e colaboração.

 

Por Adriana Cury Sonnewend, diretora geral da Escola Santi

 

 

Você já teve uma ideia seguida de atitude e a colocou em prática? Então você pode se considerar um inovador. Segundo um dos vários conceitos de inovação aos quais já tive acesso, inovar implica em equalizar mentes e atitudes. E é sobre isso que escrevo aqui.

Em março deste ano encontrei a Márcia, moradora da Comunidade Real Parque, num curso chamado Art of Hosting (A Arte de Anfitriar). Por meio de metodologias como Círculo, Open Space, World Cafe, Investigação Apreciativa, contação de histórias e muito mais, a vivência defende algo em que acredito profundamente: o poder das conversas significativas como ferramenta para impulsionar ações positivas, individuais e coletivas. E foi durante uma dessas conversas, que eu, a Márcia e um grupo de cerca de 8 pessoas fomos desafiados a propor ações que possibilitassem a conexão entre distintas realidades.

Um curso de Design Thinking a ser ministrado por Fabio Silveira (professor do 9º ano da Escola Santi, de onde sou diretora – saiba mais nesse nosso outro post) para a comunidade Santi, com a participação de moradores da comunidade Real Parque, para resolver necessidades apresentadas por eles. Essa foi uma dentre outras boas ideias geradas em poucos minutos de conversa naquele encontro no município de São Roque. A verba arrecadada com as inscrições dos participantes pagantes seria revertida para realização das ações.

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Seis meses depois, outro grupo – formado por 20 pessoas (profissionais e pais da Escola Santi), aceitou o desafio e se juntou a mim, à Márcia e ao Fábio, para aprender um pouco sobre Design Thinking, realizar ações na comunidade Real Parque e colocar em prática a ideia que nascera em março. No sábado passado, 10/09, vivemos junto com outros adultos e diversas crianças, uma breve, porém intensa, experiência de conexão entre realidades distintas.

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Parece que o Design Thinking e outras abordagens para resolução de problemas em sistemas complexos chegaram para ficar nas organizações e negócios sociais, como mais um caminho para a inovação e trabalho colaborativo. E o que podemos aprender com ele?

Para resumir algo que pode ser complexo, mas também pode ser simples, o processo do Design Thinking, abordagem de pensamento que utiliza os princípios do design, possibilita a busca de soluções para um problema por meio do pensamento abdutivo e se baseia em 3 princípios:

  1. Empatia
  2. Colaboração
  3. Experimentação

Além disso, o processo envolve o sentir, o pensar e o fazer, e segue ciclos em que a escuta, a criação e a implementação são etapas fundamentais.

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Alguns temperos como uma boa facilitação, disponibilidade dos envolvidos, co-criação e colaboração, podem dar mais sabor à receita.

No caso da experiência no Real Parque, a vivência foi de 10 horas presenciais divididas entre 2 sábados, incluindo uma rápida apresentação teórica no início do primeiro encontro. Um breve e restrito (mais do que gostaríamos) processo de empatia com moradores da comunidade disparou na maioria dos participantes a geração de ideias, atitude e impulso para a realização de ações com intuito de intervir positivamente em problemáticas já existentes no bairro. A equipe se dividiu em 4 frentes – acesso, comunicação, limpeza e lazer/cultura, para propor ações baseadas em relatos dos moradores e do facilitador que já havia visitado a comunidade. Mediados pela tecnologia, os grupos se comunicaram virtualmente durante 6 dias e criaram uma rede de apoio nas duas comunidades – Santi e Real Parque, que possibilitou as ações no sábado seguinte.

“Morar na favela não precisa ser como morar num lixão. Essa escada ficou linda demais. Obrigada.”,  afirmou uma moradora ao descer e fotografar o escadão que dá acesso ao bairro, que recebeu lixeiras coloridas, foi limpo e pintado.

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Mais fotos no Facebook da Rede!

“Agora poderemos usar este espaço para realizar as atividades que tanto queremos – rodas de leitura para as crianças, saraus e shows como o de hip hop que tivemos hoje”, disse outra moradora e líder comunitária ao final dos trabalhos de revitalização do mirante, local que ainda é pouco conhecido pelos moradores, após a verticalização e urbanização ocorrida há cerca de 2 anos.

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“Fizemos um ótimo trabalho! As crianças participaram em peso, nota 10 para elas!! Estavam super envolvidas e felizes”. Mensagem recebida de uma moradora que participou conosco das oficinas de horta, lixeiras e móveis de embalagem tetrapak no espaço do mirante, que pretende ser um centro cultural e onde assistimos a uma belíssima apresentação de hip hop de um grupo local de bailarinos e atores, ao final dos trabalhos no sábado.

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O grupo responsável pela comunicação fez a cobertura completa do evento, com vídeos e fotos que estão sendo divulgados na Rede Real Panorama, página das comunidades no Facebook, onde os eventos e ações são divulgadas para os moradores e seguidores da rede. Confira aqui.

Desconhecemos a complexidade e profundidade do todo que envolve a comunidade Real Parque, bem como do todo ao qual todos nós pertencemos. Mas é fato que podemos desestabilizar positivamente realidades negativamente estáveis com ações como esta e como outras milhares de belas iniciativas que felizmente tem ocorrido para conectar pessoas e realidades.

Algo em cada um de nós, do pequeno grande grupo que se formou entre integrantes da Santi e do Real Parque para esta ação pontual, está diferente depois desta experiência. E, certamente, modificará para sempre a nossa atuação no mundo.

E você? Quer se juntar a nós? Escreva para santi@escolasanti.com.br para participar das próximas ações do SantiSustentável.

Até lá!

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