Autonomia, integração e auto-conhecimento: vivendo as Olimpíadas

Autonomia, integração e auto-conhecimento: vivendo as Olimpíadas

Escola Santi

05 Setembro 2016 | 18h14

Saiba porque este projeto – elaborado do início ao fim pela equipe de estagiários da Santi – gerou tanta aprendizagem e alegria aos alunos e aos profissionais

 

Ao som do sinal, os atletas levantam e saem correndo, a bola é colocada em jogo, as apresentações começam, assim como o apoio da torcida. Não, não são os jogos Olímpicos ou Paralímpicos no Rio, e também não é um treinamento ou uma aula de educação física. Os atletas são crianças, de idades entre 5 e 10 anos, que desde o começo do semestre vêm participando de uma vivência olímpica, organizada durante os recreios pelas estagiárias da educação infantil e fundamental 1 da Santi.

“Nós já estávamos vindo de um movimento de procurar e planejar atividades diferentes para a hora do recreio, fazendo intervenções, então com o gancho das Olimpíadas nós fomos convidadas pela coordenação, logo no primeiro semestre, a pensar em um projeto com esse evento, já que iria acontecer no Brasil e seria parte do dia a dia das crianças. O assunto estaria também nas aulas, nas rodas de conversa, nas ruas e seria bem presente para elas”, contam Julia Tavares e Monique Peres, estagiárias do T5 e 1º ano.

 

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Para planejar as atividades, elas pesquisaram entre todas as modalidades olímpicas e buscaram formas de adaptá-las não só às capacidades, ao repertório e às vontades das crianças, como também ao espaço e tempo disponíveis nos recreios, considerando a montagem e execução das atividades. O futebol vira disputa de pênaltis, o salto em distância é feito no quintal de areia, o salto em altura é invertido e ao invés de saltar por cima da corda, é preciso passar por baixo dela sem encostar. Trazer o espírito Olímpico, a significação das Olimpíadas, desenvolver valores e apresentar modalidades diferentes às que as crianças estão acostumadas também foram grandes motivações.

Para os menores, uma semana foi dedicada ao treino livre das atividades, e apenas na semana seguinte foram feitas as inscrições para os jogos, as contagens de tempos ou pontos que são mais próximos da realidade olímpica, para que as crianças não perdessem a oportunidade de jogar um esporte por nunca terem tido a oportunidade de conhecê-lo. Para os maiores, o planejamento abarcou a realização de uma Olimpíada o mais fiel possível: cada equipe bolou seu próprio mascote e tocha olímpica, teve abertura com apresentação das equipes, contagem dos pontos a cada modalidade e encerramento.

 

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“Nós pensamos bastante sobre o fato de que nem todo mundo é bom em um esporte ou gosta de jogar, então trouxemos também propostas diferentes como a abertura, um quiz sobre os continentes para o qual as crianças tiveram que pesquisar em casa e se preparar. Fizemos um “pentatlo” onde escondemos envelopes com 5 atividades no pátio e as equipes, de mãos dadas, precisavam encontrá-los e fazer a atividade proposta. Então não é só o esporte, é o uso de inteligência, de habilidades, de trabalho em equipe, para que todos pudessem encontrar algo de que gostasse, participar e se sentir contemplado”, contam Paula Pires, Rita Araújo e Tatiane Rodrigues, estagiárias do 4º e 5º anos.

“Como espectadores das Olimpíadas, eles assistiam aos jogos, entendiam as regras e depois queriam trazer para cá, ou o contrário, nós fazíamos uma atividade e depois eles iam procurar quando a modalidade ia passar nas Olimpíadas e é muito importante a escola proporcionar a eles a chance de conhecer esportes diferentes, com os quais eles podem se identificar. Quando a gente apresenta novas atividades, eles vão se envolvendo, começam a brincar no recreio ou em casa, falando que levaram essas brincadeiras pra vida e isso é muito importante pra gente”, completam.

 

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As estagiárias contam que o projeto fez tanto sucesso que as crianças conferiam todos os dias a programação, perguntavam sobre as modalidades, traziam fatos curiosos sobre as Olimpíadas, sugeriam novos esportes, traziam diversas ideias.

“A gente ficou muito feliz com o resultado. Quando se trata da hora do recreio, nós somos as referências das crianças, é a nós que elas buscam, e ter a chance de passar esses conhecimentos pra elas e ver que gostam, se envolvem e aplicam o que aprendem, faz a gente se sentir realizada, porque é um projeto todo nosso. A gente elaborou, teve as ideias, a fez o planejamento, a execução. Ao ver o resultado, pra nós, enquanto estudantes de pedagogia, isso é a vivencia do que a gente estuda, do que a gente quer pra nossa vida, começando pelo recreio”, comenta Paula.

 

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“Foi ótimo porque nos foi dado esse tempo para pensar, planejar, e agora na volta às aulas revisitar o planejamento, mudar algumas coisas para ficar da melhor forma possível. O respaldo da coordenação e o apoio das professoras foi fundamental, não existe nada se não for pela parceria de toda a equipe. E agora a gente vê como as crianças estão mudadas, de como o nosso trabalho está dando frutos. Foi uma chance de nós crescermos e fazermos as crianças crescerem também. Foi muito bacana,” finaliza Julia.

 

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