Arte por toda a parte

Arte por toda a parte

Escola Santi

21 Março 2016 | 16h51

Novo modelo de ensino de artes no Fundamental 2 desenvolve competências para o século 21 e incentiva autonomia e protagonismo dos alunos

 

Muito tem se falado sobre as competências para o século 21, habilidades sócio-emocionais e outros termos que alertam para exigências do mundo atual, que parecem novas, mas não são tão novas assim. Os termos associados às competências para o século 21 refletem importantes dimensões da competência humana, de grande valor há muitos séculos, incluindo os “big five”, apresentados há anos pela área da psicologia para definir traços de personalidade e outras importantes características do ser humano.

Pensamento crítico, resolução de problemas, capacidade de análise, argumentação e interpretação, tomada de decisão, flexibilidade, adaptabilidade, apreciação artística e cultural, perseverança, colaboração, empatia, liderança e comunicação, são competências que fazem parte de uma lista extensa, agrupadas pelo instituto americano de pesquisas em educação NRC (National Research Council), entre habilidades cognitivas, interpessoais e intrapessoais, ou seja, no relacionamento com os outros, com si mesmo e com o mundo. Lançado recentemente, o livro “Foco triplo”, de Daniel Goleman e Peter Sange, trata de forma simplificada sobre como desenvolver algumas destas competências na escola.

 

O QUE HÁ DE NOVO?

A principal diferença ao longo do tempo é que a sociedade atual deseja que todos os estudantes sejam mestres em múltiplas competências e conhecimentos que antes eram desnecessárias para o sucesso na educação, no trabalho e na vida.

Além disso, a propagação generalizada da tecnologia digital para se comunicar e compartilhar informações também é uma mudança importantíssima. Embora estas competências (comunicar e processar informação) sejam as mesmas de sempre, hoje elas são aplicadas em velocidade crescente para realizar tarefas em diversos contextos da vida, incluindo casa, escola, trabalho, relações sociais.

 

QUAIS OS DESAFIOS DA ESCOLA?

Criar ambientes de aprendizagem que deem suporte ao desenvolvimento das competências cognitivas, intrapessoais e interpessoais e que possibilitem que os aprendizes transfiram seus  conhecimentos para novas situações e novos problemas para além do espaço escolar, passou a ser um dos principais desafios das escolas, que têm buscado, dentro das suas limitações, acompanhar as mudanças e exigências do mundo contemporâneo.

A Santi é uma escola que já trabalha há anos visando o desenvolvimento destas competências e, no ano de 2016, deu mais um passo nesse sentido, transformando e ampliando os processos de ensino e as vivências com as diferentes linguagens artísticas para os alunos do 6º, 7º e 8º anos, além de introduzir aulas de Design Thinking no currículo do 9° ano (aguarde novo post sobre este assunto).

 

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MAIS ARTE, MAIS AUTONOMIA, MAIS INTERAÇÃO, MAIS APRENDIZAGEM

O novo modelo de ensino de arte na Santi para os alunos do 6° ao 8° anos divide o curso em três módulos trimestrais: artes visuais, teatro e música. Cabe ao aluno escolher a ordem dos módulos que deseja participar em cada trimestre e fazer sua inscrição. Além disso, o novo modelo abole a divisão por idade, criando grupos multiseriados onde alunos das três séries participam simultaneamente do mesmo curso, com um número limitado de alunos por turma e possibilidades ilimitadas de convivência e aprendizagem.

“A expansão do currículo das artes nas escolas é uma demanda nacional. Nós já oferecíamos as três disciplinas na educação infantil e no fundamental 1 e esse projeto nos permitiu integrar também o fundamental 2 nesse processo. O novo modelo incentiva a autonomia e protagonismo dos alunos, pois eles são os responsáveis por escolher o que querem fazer, pensar o que é melhor para eles, conversar com os professores e chegar a uma decisão para fazer sua inscrição, ao invés de encontrarem um currículo já pronto”, detalha a diretora pedagógica da Escola Santi, Marta Durante.

O fato de as turmas serem multiseriadas e mudarem a cada trimestre também trabalha as capacidades dos alunos de se integrarem com diferentes pessoas, e o campo das artes é especialmente propício para isso, conforme explica o professor de música do fundamental 2, Vicente Régis:

“Colocar o aluno em um ambiente diferente ao que ele está acostumado faz com que ele assuma novos papéis no âmbito social. A arte é um campo de aprendizado menos hierarquizado em nível de idade do que outros. Um aluno do sexto ano pode ser tão ou mais habilidoso do que os mais velhos, o que permite uma maior troca de experiências e essa troca de papéis sociais, então todos avançam juntos.”

 

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Não apenas o modelo das aulas é focado nas competências para o século 21, mas também o conteúdo das aulas em si. A arte e todas as suas linguagens são extremamente importantes para a formação de um indivíduo integral.

“As artes nos permitem compreender a realidade a nossa volta, a forma como a sociedade se constrói, e pensar sobre o passado, o presente e até sobre o futuro. No mundo atual, marcado por uma integração muito forte entre as diferentes linguagens com o audiovisual e as redes sociais, trabalhar a arte e suas diferentes formas permite que a escola inicie os alunos nesse processo”, explica Vicente, no que é apoiado pela professora de artes visuais do fundamental 2, Sandra Avellar:

“A arte, na verdade, é um caminho para falar de outras coisas, sobre a vida, sobre si mesmo, sobre como vemos o mundo, como nos sentimos e como podemos buscar soluções para problemas, e, consequentemente, um dos caminhos que nos permitem construir nossa visão de mundo”, conclui a professora.

 

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Durante os módulos, os alunos de artes visuais realizam um mergulho na arte contemporânea, os alunos de música trabalham a apropriação da linguagem musical e o desenvolvimento da musicalidade, além de expandir o repertório de Música Popular Brasileira, e os alunos de teatro  desenvolvem a comunicação verbal e não verbal, o conhecimento de si, do outro e do espaço e o foco por meio de aulas práticas de consciência corporal, vocal e improvisação.