A arte da reflexão

A arte da reflexão

Escola Santi

08 Julho 2016 | 12h28

Escola Santi utiliza arte contemporânea e as metas globais da ONU para provocar reflexão nos alunos.

 

Quando pensamos em arte, logo nos lembramos das grandes pinturas e esculturas clássicas de artistas de meio século atrás. Mas, a arte contemporânea, que representa a quebra de formatos e tradições, ocupa cada vez mais espaço. Seu tema é o agora e a sua matéria prima pode ser tudo. Não é necessário saber desenhar ou pintar; na arte contemporânea a verdadeira importância está no que você faz com o material que você tem nas mãos.

Através da arte contemporânea, o artista busca interagir com o mundo a sua volta visando gerar mudança na sociedade. Partindo disso e tendo como base as 17 metas globais estabelecidas pelas Nações Unidas para mudar o mundo até 2030 (que discorrem sobre a erradicação da pobreza extrema, o combate à desigualdade e a contenção das mudanças climáticas), os alunos do 6º ao 8º ano da Santi desenvolveram trabalhos de conclusão de curso que marcaram o fim do módulo de artes visuais do 1º trimestre e se transformaram na exposição “Que Mundo é Esse?”

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O curso de artes visuais faz parte de uma reformulação no ensino de artes do Fundamental 2, que agora conta com 3 módulos (artes visuais, música e teatro) com turmas mistas, onde os próprios alunos podem escolher de qual curso participar a cada vez (leia mais em texto anterior do blog). O trabalho é baseado na aprendizagem por projetos (ABP ou PBL), ou seja, os alunos são envolvidos desde o início no processo de obtenção de conhecimento e levantamento de questões problema para serem respondidas ou resolvidas ao longo do percurso de aprendizagem, se tornando um agente direto na obtenção de competências e conhecimento.

 

Tudo começa com uma pergunta, que nesse caso foi “Como os estranhamentos na arte podem se tornar engrenagens potentes para desvendar questões como: contar o incontável, mensurar o imensurável e tornar visível o invisível?”. Para a professora de artes visuais, Sandra Avellar, o caráter abstrato da pergunta já é um exercício para que eles comecem a pensar em outras possibilidades e formas de ver o mundo, já que não há uma resposta certa ou errada. “A pergunta já é um estranhamento e a partir dela a gente vai desenvolvendo durante o curso possibilidades de estranhamentos através da arte contemporânea. Os alunos foram desenvolvendo os seus trabalhos por meio da reflexão, de discussões em aula e de assuntos tratados ao longo do módulo”, conta.

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A ARTE COMO FERRAMENTA PARA MUDAR O MUNDO

Em cima de uma mesa, uma máscara representando as coisas feias que existem no mundo e são ignoradas. “Ao pensar sobre o assunto, eu percebi que as pessoas normalmente só ligam para o que é bonito e ignoram ou esquecem o que é feio, e foi isso que eu quis mostrar com o meu trabalho, tornando essas coisas feias que são invisíveis em algo visível”, conta a aluna Helena P., do 6º ano A, responsável pelo projeto. Em outro canto, o trabalho de Pedro pergunta qual a chave para um mundo melhor (e ele mesmo responde em seu projeto: um mundo com mais amor). Ao lado, o trabalho das alunas Laura, Nina, Helena S. e Mariana também trata de coisas que são invisíveis aos olhos. Elas escreveram diversas mensagens em cartões com tinta invisível, que só eram reveladas ao se passar a tinta certa por cima. “Nós fizemos isso porque muitas vezes, no nosso dia a dia, temos coisas que vemos mas não nos importamos, como o amor, a amizade, a natureza, e nós quisemos dar valor a elas, tornando-as visíveis”, explicam.

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O lixo das ruas, a crescente preocupação com o mundo virtual em detrimento do mundo real, a bipolaridade do nosso mundo dividido em “bom” para os ricos e “ruim” para os pobres, a falta de cuidado com a natureza, e até mesmo a depressão se tornaram temas dos trabalhos de conclusão de curso dos alunos de artes visuais. Houve uma variedade de produtos, feitos em grupos ou individuais: vídeos, pinturas, instalações ou trabalhos através do uso de objetos. De acordo com Sandra, qualquer ideia era permitida, desde que fosse relacionada de alguma forma à pergunta problema e às metas das Nações Unidas.

Os encontros da turma não se resumiam apenas à criação do produto final. Subprodutos, vídeos, performances, pesquisa sobre Marcel Duchamp, pai da arte moderna, fizeram parte do percurso, que foi registrado por cada aluno em seu “livro do artista”.

“Os artistas usam muito esse tipo de suporte. Não é um simples caderno, é quase como um filme que registra todo o processo de criação individual de cada um, suas reflexões, seus esboços, projetos, desenhos, anotações de discussões e debates em sala, e até mesmo livres expressões, como poesia ou desenhos de criação pessoal. Tudo isso ajuda na criação do produto final”, conta a professora.

Depois, os livros de artista criados pelos alunos também foram expostos junto com seus produtos finais. Confira as fotos da exposição no nosso Flickr!

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