A alfabetização nos ambientes digitais

A alfabetização nos ambientes digitais

Escola Santi

25 de junho de 2020 | 16h51

A chegada ao 1° ano é cercada de expectativas, uma nova série, a entrada no Ensino Fundamental, o início de um novo ciclo da sua vida escolar e da sua rotina como estudante, marcado principalmente pelo desenvolvimento da alfabetização. Esse processo exige muita atenção, dedicação  e proximidade com os pequenos, pois é através do olhar da professora e das intervenções que ela fará com seus alunos diariamente que os mesmos irão consolidar a base alfabética e ampliar seu olhar para o mundo, através da leitura e da escrita. “É um processo de muito empenho para as crianças, vivido ao longo do ano inteiro”, explica Dami Cunha, diretora pedagógica. “Desde que as crianças chegam até o final do ano, tem um trabalho árduo realizado diariamente e presencialmente da professora com a criança”.

Com o fechamento das escolas, a série de alfabetização se tornou um dos principais focos de preocupação não só das famílias e equipe da Santi, mas também de todas as escolas e educadores, exigindo muita criatividade para encontrar a melhor maneira de alfabetizar as crianças neste momento atípico.

Na Santi, a alfabetização é pensada a partir da concepção construtivista de ensino e aprendizagem e consideramos as hipóteses que as crianças têm sobre a construção da escrita. Sendo assim, independente do contexto, presencial ou não, a ideia é que aprender a ler e escrever se aprende lendo e escrevendo. Então, ao passarmos a frequentar o ambiente on-line, a primeira intenção foi não perder o contato com esse contexto de leitura e escrita.

.   Porém, diferente do que aconteceria em sala de aula, a professora nem sempre pode estar tão próxima das crianças, acompanhando seu desenvolvimento e fazendo as intervenções necessárias, como habitualmente fazem na sala de aula, e esse é o maior desafio do processo. “O vínculo é muito importante, o toque do professor, estar pertinho, sentar ao lado, tudo isso ajuda no processo, para que as crianças se sintam confiantes e seguras, se arriscando na escrita”, relata Lara Gil, professora do 1° ano. “Visualizar a forma com que elas estão escrevendo, escrever junto, sendo modelo para as crianças, isso tudo também é fundamental nesse processo e fica dificultado agora”. Até mesmo a falta de interação diária com os colegas de classe também pode atrapalhar o processo. A troca de conhecimento e de experiências com outros alunos ajuda na construção de novas hipóteses que contribuem para o avanço individual de cada um.

Com isso em mente, foram elaboradas e realizadas atividades e jogos como o bingo de letras, bingo com nome dos amigos, leitura e escritas de palavras da rotina, pequenos textos de memória, canções, cruzadinhas, jogos de forca e muitos outros que podem ser realizados tanto presencialmente quanto no universo digital. Além disso, são pensados diferentes agrupamentos para serem realizados on-line, sendo esse um dos maiores desafios desse processo. Pensando nisso, organizamos diferentes modelos também das interações ao vivo com a professora. Assim, acontecem momentos de interações individuais, em duplas, trios ou pequenos grupos, e até mesmo no grupo todo, em que a professora procura usar ferramentas variadas para acompanhar o processo individual de cada um dos nossos pequenos, minimizando os prejuízos da distância.“Essa interação entre as crianças também é nosso ponto de cuidado para garantir que tenhamos minimamente algumas trocas, que contribuem com novas reflexões”, aponta Carolina Cherubini, coordenadora de série do 1° e 2° Ano. “Buscamos garantir essas parcerias nos encontros virtuais e minimizar a perda da convivência diária”.

Ao longo do processo, é natural que as crianças tenham reações muito diferentes entre si, e encarem a alfabetização de maneira  muito variada. Segundo a professora Lara Gil, alguns alunos estão mais motivados que outros, participando ativamente das aulas, enquanto outros sentem o desafio de encarar as atividades mediadas pela tela. Além disso, as crianças também estão afastadas da sala de aula há um longo período, o que também traz novas inseguranças e incertezas no seu dia a dia. Por isso, o papel das famílias durante essa fase se tornou ainda mais crucial. Com a  entrada da escola para dentro de casa, é essencial que os familiares ajudem a reforçar a confiança dos pequenos de maneira cuidadosa, levantando reflexões, estimulando a leitura e a escrita fora das atividades habituais sempre que possível, orientando as hipóteses e respeitando o tempo e o “jeitinho de escrever” de cada criança, sempre levando dúvidas e questionamentos para que o professor possa realizar as melhores intervenções. “É importante tornar esses momentos de desafios uma brincadeira, uma interação prazerosa, que gere orgulho por fazer desse melhor jeito e não traga desconfortos e medos”, explica a coordenadora Carolina Cherubini.

Entendemos que esse momento é desafiador e pode provocar muitas incertezas, mas é certo que nesse caminho nossos alunos seguem avançando e entrando em contato com a leitura e a escrita. “Elas estando saudáveis e se mantendo refletindo sobre a escrita, como dito anteriormente, ajudará nesse processo e temos tido devolutivas positivas das famílias sobre esse aspecto, com avanços de diversas crianças”, conta Lara Gil. “A primeira coisa tem sido pensar no acolhimento das crianças, após tanto tempo em casa, na saudade dos amigos e do espaço escolar”. Com a retomada das aulas presenciais, as professoras poderão voltar a acompanhar de perto tudo que as crianças fazem, intensificando as propostas de alfabetização e, claro, recuperando todo tempo distante. Certamente cada aluno estará no seu momento de aprendizagem, e novamente faremos o que for necessário, com intervenções pontuais, atividades diversificadas e grupos de apoio específicos para cuidar dos processos individuais de cada criança.

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