Xadrez aumenta a capacidade de cálculo

Xadrez aumenta a capacidade de cálculo

Colégio Santa Maria

18 Março 2016 | 07h30

Autor: Ednilson Oliveira

 

Frequentemente alunos têm um desempenho insatisfatório das ditas “ciências exatas”, por não entenderem o enunciado de um problema, por não terem precisão ao responder, por não saberem o que precisa ser feito ou por não terem condições de traçar estratégias mentais capazes de apontar para uma possível solução. Nesse aspecto é muito importante instrumentalizar o aluno para que aprenda a trilhar um raciocínio lógico, fazendo análises e buscando, para um mesmo problema, várias soluções possíveis sem se dispersar.

É no Xadrez que tais práticas podem ser potencializadas, devido às habilidades específicas que são exigidas e à forma de enfrentar os problemas de diversas maneiras, ou seja, à necessidade de ter em mente as várias jogadas que se pode realizar para chegar a uma solução satisfatória.

Pensando nisso, o Colégio Santa Maria oferece aos alunos da 2ª série do Ensino Médio, como parte do currículo diversificado, uma disciplina para o estudo de Xadrez, estimulando os alunos a pensar profundamente nos problemas e a aplicar estratégias de resolução de forma mais consciente e eficaz em seu dia a dia.

Nesse curso, o aluno passa a ter contato com diversos exercícios, como abertura, desenvolvimento, finais, mate em um, mate em dois, mate em três, cálculos de posições onde ele deve buscar a melhor combinação de lances a serem realizados, tendo à sua disposição inúmeras possibilidades.

Para fazer esses cálculos das inúmeras possibilidades, é fundamental desenvolver a paciência para analisar a situação de diversas maneiras e a concentração para evitar que o raciocínio se disperse facilmente, já que no Xadrez as partidas envolvem muitas jogadas, em que uma pequena falha pode levar à perda da partida.

Aplicado ao estudo das Ciências da Natureza, fundamentalmente, uma questão mais interessante ainda diz respeito à abstração necessária tanto ao enxadrista quanto ao matemático: ambos devem dominar a habilidade de desenvolver ideias mentalmente, antes de passá-las a um plano material. A verdadeira partida de Xadrez desenvolve-se na mente do jogador: é lá que ocorre a multiplicidade de variantes que estarão apenas parcialmente representadas no tabuleiro.

Assim, quando um aluno está jogando, deve sempre verificar qual o melhor lance a ser realizado naquela posição. O número de lances cresce de acordo com as jogadas e o aluno passa, após certo tempo de prática, a descartar algumas possibilidades já estudadas. Com essa prática o aluno passa a contemplar apenas as jogadas mais viáveis. Isso reforça a habilidade de observação, de reflexão, de análise e de síntese.

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Um bom estudante de Xadrez deve ser capaz de visualizar várias jogadas à frente, sem mover as peças, até confiar em uma determinada linha de jogo. Da mesma forma, a resolução de problemas matemáticos exige abstração e análise mental dos problemas, e a representação no papel acontece quando encontrada a melhor forma de resolvê-lo.

Outro campo de convergência relaciona-se ao cálculo, ferramenta indispensável no Xadrez e na resolução de problemas matemáticos. No Xadrez é a capacidade de visualizar as suas jogadas e as do adversário, construindo uma rede de possibilidades, encontrando várias boas jogadas e descartando outras. O aluno não pode analisar apenas uma parte do tabuleiro, mas ter uma visão mais completa dele. É de extrema importância que ele seja capaz de ver o tabuleiro como um todo, sabendo que as peças não devem ser vistas isoladamente, mas sim, que fazem parte de um contexto maior, ter a capacidade de ver uma combinação, ou uma sequência que leva ao mate. Para termos uma leve ideia desta quantidade, estima-se que temos cerca de 10120 possibilidades de jogadas no tabuleiro. Para comparação, acredita-se que existam 1075 átomos no universo. Sim, as possibilidades de jogadas são bem maiores. Esse número é tão grande que nem o computador e muito menos a espécie humana consegue calcular tudo, e daí surge a genialidade da nossa espécie, pois alguns grandes mestres conseguem ganhar da máquina, não por sua capacidade de cálculo fria, mas pelo jogo posicional e criatividade enxadrística. Podemos dizer que o jogo de Xadrez é realmente muito complexo até mesmo para uma grande máquina.

E é com essas intencionalidades que se propõe o estudo do jogo aos estudantes: com a expectativa de que desenvolvam habilidades e hábitos necessários à tomada de decisões, mas também várias outras capacidades, como melhorar a agilidade de pensamento, a segurança na tomada de decisões e o aprendizado na vitória e na derrota, entre outros.