Voluntariado: um ato de amor ao próximo

COLÉGIO SANTA MARIA

23 de janeiro de 2020 | 07h30

Autoria: Fernanda Dornbusch Farias Lobo e Tiago Moraes Gonçalves

 

As definições de voluntariado falam sempre em interesse pessoal, exercício de cidadania, ausência de remuneração, comprometimento, doação de tempo e expertise. Mas o voluntariado vai além, pois todos esses elementos sem o amor ao próximo seriam apenas palavras agrupadas sem qualquer sentido.

 

É desse amor que nasce uma vontade irresistível de ser um agente de transformação social, capaz de contribuir para a melhoria da realidade de outras pessoas. Sendo um ato de amor, não exige que alcance milhões, que seja algo complexo. Ainda que dedicada a transformar a vida de uma só pessoa, a ação voluntária já é um ato extraordinário.

 

E se engana quem pensa que precisa ter expertise em alguma área para atuar como voluntário. Basta a vontade de estar junto! Pessoas, às vezes, precisam apenas do acolhimento, da presença, de um abraço, de uma palavra amiga. E quem não tem esse talento?

 

Mas o voluntariado exige ação! Não basta ficar sentado em frente à TV e se indignar com o caos social, com a pobreza, com o abandono. Há um sem-fim de associações, escolas, creches, asilos, entidades sem fins lucrativos no seu bairro ou na sua cidade que precisam da sua contribuição.

 

O Colégio Santa Maria nos deu a oportunidade de sair da inércia e exteriorizar todo esse amor. A escola apoia inúmeros projetos de inserção social e voluntariado, que envolvem toda a comunidade de alunos, famílias e funcionários. As crianças são estimuladas, desde muito cedo, a olhar o próximo a partir de um ponto de vista cheio de solidariedade, respeito e amor.

 

Foi nesse ambiente que, há dois anos, conhecemos a EJA, curso mantido pelo Colégio desde 1977, de caráter supletivo para uma população de jovens e adultos que tiveram seu percurso escolar interrompido ou que nunca puderam frequentar a escola regular.

 

No convívio semanal com a direção, a coordenação, com outros voluntários e com os alunos, tivemos a alegria de perceber o impacto de pequenas ações na vida das pessoas. E a cada dia de trabalho, fica mais evidente que todo o poder transformador do voluntariado apenas existe porque é verdadeiramente uma das formas mais puras e verdadeiras do amor ao próximo.

 

No nosso caso, prestando aconselhamento jurídico a uma população extremamente carente, ou ensinando português para refugiados, doamos um pouco de amor, e recebemos de volta uma quantidade muito maior.

 

Fernanda Dornbusch Farias Lobo, advogada, dá aulas de Língua Portuguesa e Cultura Brasileira para alunos refugiados e Tiago Moraes Gonçalves, advogado, presta Assessoria Jurídica aos alunos da EJA do Santa Maria