Visita da EJA à exposição de Sebastião Salgado

Visita da EJA à exposição de Sebastião Salgado

Colégio Santa Maria

03 de dezembro de 2019 | 07h30

Autoria: Carolina Ferrucci Monção

Com intuito de enriquecer o repertório cultural de alunos e alunas, a equipe docente do Fundamental II da Educação de Jovens e Adultos do Santa Maria preparou uma saída pedagógica para a exposição “Gold – Mina de ouro Serra Pelada” (SESC Avenida Paulista) e uma visita à Casa das Rosas.

Nos registros fotográficos de Sebastião Salgado, de 1986, pudemos ver o formigueiro humano formado por homens – fortes pelo trabalho e de aparência sofrida pelo cansaço – aglomerados em barrancos de terra e escadas improvisadas, organizados para descerem e subirem com seus sacos de terra nas costas.

Como sabemos, a mineração em Serra Pelada, estado do Pará, se deu como uma “febre”. Durante os anos de 1980, atraiu mais de 50 mil homens de todos os cantos do Brasil. O que movia essa gente? O sonho de enriquecer com o ouro! Quantos obtiveram sucesso? Poucos (ou quase nenhum).

Além das informações transmitidas pelos professores e pela educadora do SESC, tivemos a oportunidade de conversar com Edson Monção, pai da professora Carolina Ferrucci, idealizadora da Saída Cultural, que, no mesmo ano dos registros de Sebastião Salgado, esteve no garimpo paraense acompanhando um dia de trabalho de seu irmão – mais um daqueles que sonharam em enriquecer com o garimpo de ouro.

Edson nos contou, entre outras coisas, detalhes do transporte dos sacos de terra: eram amarrados, por cordas, à testa dos homens. Com o tempo, formavam-se calos que seriam muito úteis para o carregamento dos sacos porque, assim, as mãos ficariam livres para continuarem garimpando. Também se lembrou da escada apelidada “Adeus, mamãe”, onde qualquer queda seria fatal.

Ainda no SESC, subimos ao Mirante e observamos, do alto, a excelentíssima Avenida Paulista com suas construções modernas, seus arranha-céus, carros e ciclovias. Não poderíamos deixar de nos lembrar das aulas sobre a história da avenida e comparar as fotos antigas com a paisagem atual. Em meio a esse símbolo da cidade de São Paulo, a Casa das Rosas, um casarão dos anos de 1930, aparece como uma “ruga” que traz, em sua arquitetura e decoração, a lembrança do tempo em que a avenida era tomada por grandes casas e seus jardins floridos.

Essa experiência pela cidade de São Paulo teve um quê especial para todos nós: uma aluna que, apesar de décadas vivendo na cidade, esteve pela primeira vez na Avenida Paulista. Lamentavelmente, outra aluna relembrou o luto por perder um tio para o sonho do ouro da Serra Pelada.

São em momentos como esse que percebemos o quão rico é experimentar a sala de aula fora dela mesma.

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