Velhos saberes, novas práticas

Velhos saberes, novas práticas

Colégio Santa Maria

05 Agosto 2016 | 07h51

Adriana Pereira S. B. Freitas e Maria Soledad Más Gandini

A escola não é mais o espaço exclusivo do saber. Diante disso, é preciso ressignificar-se e reinventar-se buscando estratégias alternativas ao formato tradicional de aula expositiva. Os jovens atualmente estão habituados a mensagens instantâneas, grande fluidez de informações e têm pouco foco e fôlego para acompanhar o desenvolvimento do pensamento acadêmico sequencial. O grande desafio contemporâneo na Educação é favorecer a aproximação dos estudantes desse universo em que a habilidade de estabelecer relações com propriedade, autonomia e autoria é fu0508_Aula_Africa_2ndamental.

Não é nova, no Ensino Médio, a busca por atividades não convencionais de ensino.  Exemplo recente, foi a aula magna sobre Galileu Galilei oferecida por uma equipe de oito professores das três áreas do conhecimento a alunos interessados das três séries do Ensino Médio. Numa sequência de diversas falas de 30 minutos de duração, os professores exploraram a contribuição e importância deste cientista para a revolução científica, a posição da Igreja frente à teoria galileana sobre o Universo, além de discutir as contribuições de outros cientistas que romperam paradigmas em suas áreas, encerrando com uma contextualização da abordagem de Bertolt Brecht ao escrever a peça Galileu Galilei, assistida por alunos e professores, ponto de partida para esta jornada acadêmica.

Na 3ª série, a experiência foi uma “aula-palestra” com a temática África: histórias e desmistificações, ministrada por Adriana Freitas, coordenadora da área de Ciências Humanas. No decorrer de 100 minutos, foram abordadas questões como a desconstrução de estereótipos: África não é um país, tampouco é totalmente povoada por tribos selvagens que habitam locais exóticos, com savanas. Associar o continente à fome, à miséria e à doença é transformá-lo em objeto, nunca visto como sujeito. Há que se considerar o (des)serviço prestado pela indústria cinematográfica, que corrobora para a perpetuação desses equívocos. Outros aspectos também foram discutidos, como o pan-africanismo, o processo de colonização e a emancipação política (séculos XIX e XX).

Os alunos pediram mais. A discussão sobre novas propostas curriculares e inovações metodológicas está posta. Cabe-nos continuar experimentando e incorporando à prática regular experiências bem sucedidas como estas.