Uma visita virtual ao Museu Afro Brasil

Uma visita virtual ao Museu Afro Brasil

Colégio Santa Maria

06 de julho de 2020 | 07h00

Autoria:  Lucas Marchezin

 

“Histórias importam. Muitas histórias importam. Histórias têm sido usadas para expropriar e ressaltar o mal. Mas histórias podem também ser usadas para capacitar e humanizar. Histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas histórias também podem reparar essa dignidade perdida”
Chimamanda Adichie

 

Estudar a história do continente africano é sempre um desafio. Mas por quê? Em primeiro lugar, temos que vencer a ideia de que estudar história é estudar a história do mundo ocidental, ou em outras palavras, da Europa e das áreas por ela influenciada. Mas romper o olhar eurocêntrico, voltar nossa curiosidade para outras regiões, como a África, é superar uma série de imagens estereotipadas que temos sobre esse continente. Mas como fazer isso com os alunos do 7º ano do Santa Maria, ainda mais em um momento de ensino remoto, em que estamos impossibilitados de sair de casa por conta da quarentena imposta pela pandemia de Covid-19?

O primeiro passo foi identificar as imagens que temos desse continente e problematizá-las. A partir de uma série de fotografias – sem legenda – foi pedido aos alunos que buscassem identificar o continente em que ela foi, supostamente, tirada. Imagens que remetiam à pobreza ou à natureza selvagem eram geralmente associadas ao continente africano, mas nunca a cidades grandes e modernas. Ao revelar a legenda das imagens, os alunos ficaram surpresos ao descobrir que as cidades ali representadas eram Luanda, em Angola, e Pretória, na África do Sul. Assim como a imagem de um bairro pobre, tirada em Los Angeles, nos Estados Unidos, e a paisagem natural na Austrália. A discussão que se estabeleceu a partir dessa dinâmica foi importante, pois permitiu uma reflexão sobre como superar tais visões estereotipadas e como o estudo da história dos povos africanos poderia ajudar nesse processo.

O segundo passo foi romper com a ideia de que a África é uma coisa só, um bloco. Afinal, trata-se de um continente, com diversos povos, com histórias distintas, culturas muito particulares e complexas. Mas como fazer isso? A solução encontrada foi propor uma visita virtual ao Museu Afro Brasil, pela plataforma Google Arts & Culture (https://artsandculture.google.com/partner/museu-afro-brasil), explorando assim seu rico acervo.

Para guiá-los nessa visita, foram propostas três questões norteadoras:

1) Há diversidade entre os objetos expostos no Museu Afro Brasil? Se sim, explique essa diversidade. Se não, aponte o que eles têm em comum.

2) Os objetos observados na visita ao museu são de quais materiais? São utilizadas técnicas diferentes na sua fabricação?

3) Escolha um objeto que chamou a sua atenção, descreva-o e explique por que o escolheu.

A partir das respostas produzidas e das impressões dos alunos sobre o acervo do museu, realizou-se um debate sobre a história e a cultura dos povos africanos. A questão da diversidade cultural e multiplicidade de povos foi apontada por eles em diversos momentos. Segundo a aluna Manuela de Souza Aires, 7ºA, no museu “há uma grande diversidade, como por exemplo: objetos antigos, escritas, pinturas, vestimentas, máscaras, objetos de caça. Esses são alguns exemplos de diversidade de culturas, povos, anos, artistas, entre outros”. Para a aluna Mariana Acras, 7ºB, a diversidade de objetos reflete o fato de que “a África não é uma coisa só, como muitos a veem, e sim um continente repleto de pessoas, nações e culturas diferentes”.

A partir dessa perspectiva pudemos então nos aprofundar nas histórias do Império do Mali, das cidades-estados Iorubás e do reino do Congo, conhecendo um pouco mais sobre as sociedades africanas do passado, expandindo o olhar que temos sobre o continente, indo além de uma história única sobre ele.

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