Uma turma, um instrumento e o relógio

Uma turma, um instrumento e o relógio

Colégio Santa Maria

05 de dezembro de 2019 | 07h30

Autoria: Renata Ferrari

AVALIAR: o mesmo que apreciar, qualificar, classificar, julgar, analisar, medir, mensurar, prever, entre outros tantos sinônimos e conotações para uma definição abrangente de um processo corriqueiro e, muitas vezes, tido como único meio de validação da aprendizagem em sala de aula.

Porém, é neste momento que nós, professores do 4º ano do Santa Maria, percebemos que avaliar um aluno começa bem antes do preenchimento de um instrumento. E neste contexto, nos deparamos com algumas provocações que nossa prática nos leva a refletir, dentre elas:  afinal de contas, o que é avaliar um aluno dentro de uma perspectiva de diferenciação pedagógica?

O primeiro “X da questão”: como elaborar um instrumento avaliativo que atenda a liberdade de posicionamento tão defendida em nossa proposta metodológica?

É comum a todos os alunos a premissa de que há uma resposta final, porém esta poderá ser encontrada de diferentes formas e é neste momento que a potência do registro deve aparecer. As anotações, respostas, esquemas ou como quiserem classificar a escrita, devem ser visíveis para que o pensamento se revele de maneira íntegra e possamos dialogar com possíveis dúvidas que ainda persistem.

A segunda equação a se pensar: uma avaliação é território fechado, sem permissão de interferências?

Se as atividades de aprendizagem são nutridas pelas parcerias de trabalho, correção compartilhada e a estabilidade emocional para enfrentar o erro como ferramenta de aprendizagem, por que a avaliação estaria dentro de uma redoma quase intocável, apenas vista pelo viés de julgamento entre saber ou não? Até por que será que não saber (ou saber) significa o flash daquele momento ou o aprendizado em construção? Então, o limite de interferência existe no processo formativo de avaliação?

Depois de tanto refletir, experimentar, revisar e ajustar propostas, eis que vivemos uma experiência de validação de trabalho. Agora, quem foi avaliado foi o professor e, pela rubrica determinada, conquistamos o legítimo “A”.

Uma turma, um instrumento e o relógio” intitula a sequência de critérios plenamente verificados…

  • Uma turma: grupo de alunos que, ao receber o instrumento avaliativo, não desistiu frente às dificuldades. Borraram a folha de anotações com inúmeras marcas de borracha e pedidos de folha à parte para que a professora compreendesse o registro. Enfim, alunos responsáveis, disponíveis e preparados para comprovarem excelência, fortalecidos por suas habilidades emocionais. Não se mensura aqui classificar o intervalo entre “As” e “Ds”, mas identificar a postura ativa de estudantes como condição sine qua non para a aprendizagem significativa.
  • Um instrumento: longe da compilação de uma lista de atividades, a proposta em questão proporcionou aos alunos a estratégia de resolução e explicação de pensamento como principais elementos avaliados. Critérios claros e assimilados, o registro poderia seguir o caminho que julgassem ser o mais apropriado (mesmo sabendo que os cálculos seriam o “escolhido da vez”). Explicar como se deu o processo de resolução trouxe à tona a razoabilidade da resposta. Ali, o próprio aluno foi o “juiz” de sua avaliação, pois conferir se a sua defesa de pensamento apresentava relação com o cálculo foi uma oportunidade de correção prévia importante para as questões de compromisso com a entrega da resposta.
  • O relógio: o tempo para uma avaliação é apenas um acordo e, quando o processo tem mais valor do que o produto final, os ponteiros viram apenas um detalhe. E viraram! Uma professora foi surpreendida por um pedido de um grupo de alunos seguros e conscientes de suas dificuldades e que não respondeu os exercícios dentro do tempo estipulado:

“Queremos fazer algumas perguntas para a prova! Você pode ajudar e nos dar alguns minutos a mais?”

“Sob uma condição: respondo apenas questionamentos escritos e ‘não entendi’ não significa uma colocação para este pedido de vocês. Então, listem as dúvidas de vocês e logo trocamos ideias!”

Anotações feitas, orientações dadas, avaliação retomada e concluída dentro do tempo da conquista e pertencimento. Isso sim é a PROVA que estabelecemos como expectativa da série!

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