Uma revolução pela Arte

COLÉGIO SANTA MARIA

01 de novembro de 2019 | 07h30

Autoria: Rita Pisano

 

Uma escola que deseja ter escuta para seus estudantes precisa pensar na Arte como aliada. Uma educação mais integrada entre o corpo e a mente, com espaços mais livres para o educando, pode gerar movimentos de transformação do mundo de forma consciente, empática e integrada. A Arte como componente curricular propõe práticas que exercitam o diálogo constante do sujeito com o mundo de forma não sistematizada e racionalizada, mas no exercício de integração de corpo, mente e afetos.

 

A Arte na escola a que estou me referindo aparece de forma menos “escolarizada” no sentido de ser apenas “cumprimento de tarefas” e sim oportunidade de exercitar uma expressão criadora fazendo com que os estudantes no exercício da criatividade e imaginação possam produzir ações artísticas  que sejam um processo de pesquisa em si para a construção de um conhecimento que articule pensamento, sentimento e intuição.

 

Por esse motivo é importante ressaltar que a produção artística no Santa Maria, em particular no Ensino Médio, está totalmente relacionada à produção de conhecimento mas de forma híbrida, considerando a estética como uma ferramenta fundamental para leitura de mundo e de produção de ideologias e conhecimento.

 

As estéticas presentes ao nosso redor e na maneira como contamos a história da vida e das civilizações determinam quem somos e como chegamos aonde estamos. Ela forma olhares sobre o mundo assim como é parte da construção das identidades de todos nós. Ter uma educação estética permite que nosso olhar sobre o mundo, carregado de repertório e exercício do simbólico, torne a recepção de tudo o que nos rodeia uma recepção mais consciente e menos manipulada.

 

A literalidade de uma leitura de mundo e a incapacidade de ler símbolos minimiza o pensamento crítico e a possibilidade de transformação da realidade. O exercício da metáfora (pensamento simbólico) é fundamental para decodificar os diversos discursos presentes na realidade e principalmente possibilitar imaginar um futuro e assim propor soluções alternativas na criação de um mundo mais justo.

 

O ensino de Arte de maneira nenhuma é utilitário mas sim revolucionário, pois parte do pressuposto que o estudante precisa estar implicado com uma questão, um projeto, um exercício, para conseguir produzir e imaginar formas de elaborar esteticamente aquilo que seu pensamento produziu. O exercício de imaginar e realizar é profundamente transformador, pois permite que o estudante se veja como agente ativo na construção de uma nova realidade,  uma nova escola, um futuro.

 

Uma escola que pretende formar estudantes autônomos e adultos criativos, entendendo a criatividade como uma maneira de entender outras lógicas possíveis para uma realidade, é admitir que o conhecimento acontece por várias vias: afetiva, corporal, mental e reflexiva, e é dessa forma que as ideias e os conceitos podem ganhar uma dimensão ativa. Nesse sentido, é fundamental abrirmos espaços para os estudantes exercitarem a capacidade de imaginar, pois é a imaginação que produz a capacidade de transformar; e a imaginação não vem por si só, ela precisa ser treinada, exercitada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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