Um olhar para outros tempos

Um olhar para outros tempos

COLÉGIO SANTA MARIA

29 de abril de 2021 | 07h00

Autoria – Flávia Andrade

“(…) qual é o valor da vida humana se não a relacionarmos com os eventos do passado que a História guardou para nós?” – Marco Túlio Cícero

Olhar o presente como produto do passado é tarefa desafiadora. Ainda mais quando pensamos nessa habilidade para crianças de 8 ou 9 anos, que enxergam o hoje na intensidade do “agora” e encaram o amanhã como algo distante, longínquo o suficiente para não causar preocupação. Que vontade de, como elas, enxergar nosso dia a dia assim, não é?

Entretanto, o desafio foi abarcado e com a compreensão de que, como sujeitos históricos, estamos construindo nossa história junto àqueles que nos cercam, investigar o passado tornou-se intenção para buscar na evolução de objetos e suas funções a compreensão de como chegamos aqui, neste momento da História.

Em um processo investigativo que envolveu levantamento de hipóteses, coleta de dados, comparações, discussões e estudos e registros em diferentes suportes, os estudantes do 4º ano do Colégio Santa Maria chegaram à conclusão de que não precisariam escavar no Parque Nacional da Serra da Capivara, no estado do Piauí, e tampouco dependeriam de instrumentos sofisticados para encontrar os vestígios históricos que nos antecedem. A grande descoberta foi que tudo que precisavam era olharem à sua volta!

Falas como “tenho guardado um telefone que ganhei do meu avô”, “minha mãe guarda uma bússola muito antiga”, “tenho todas as roupinhas de quando eu era bebê” ecoaram durante os encontros síncronos e trouxeram à tona o pertencimento e o encantamento por objetos que sempre estiveram ali, mas nunca com tanto significado.

Dessa maneira, cada criança elegeu um dentre eles e estudou-o com mais afinco: a quem pertenceu? Em qual período foi usado? O que o tornava um documento histórico? O que fez com que fosse seu escolhido? E outras indagações exigiram um olhar minucioso dos pequenos pesquisadores.

Tantos conhecimentos construídos precisavam ser partilhados. Mas como fazer isso pela tela de um dispositivo, em período de aulas remotas? Uma exposição virtual, é claro!

Intitulada “Um olhar para outros tempos”, em uma sexta-feira bastante aguardada, a exposição aconteceu. A organização das turmas foi diferente: dois a três grupos se juntaram e cada estudante assumiu seus papeis de expositor e apreciador dos demais. Com o recurso das salas temáticas, nas quais podem se compor pequenos grupos, foi possível que participassem de diversas formações, trocando seus pares e seus saberes com um grande número de colegas.

Além do orgulho em mostrar aos colegas seu objeto e o resultado de suas investigações, o prazer de estar entre os amigos e amigas que só encontravam pelos espaços da escola, durante o horário do recreio, transformou a vivência em uma experiência afetiva e enriquecedora.

Afinal, somos feitos das marcas que recebemos e deixamos, seja no ambiente que nos cerca ou, e principalmente, nos seres humanos. Como falar em fazer história sem vivê-la conscientemente agora mesmo?

A História muito guardou para nós, valorizemo-la vivendo nossa história a cada dia!

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