Tutorias acadêmicas: um olhar nas necessidades específicas do estudante

COLÉGIO SANTA MARIA

02 de março de 2020 | 07h30

Autoria: Maria Soledad Más Gandini

 

O número de alunos por sala e as necessidades do trabalho com foco no coletivo frequentemente dificultam o acompanhamento individualizado do processo de aprendizagem, o que traz frustração para alunos e docentes, uma vez que intervenções que poderiam ser eficazes não são identificadas e implementadas.

Incomodada com essa dificuldade, a equipe de educadores da 2ª série do Ensino Médio do Santa Maria identificou na prática de tutoria uma possibilidade de interação pedagógica interessante em que os docentes pudessem atuar como facilitadores de aprendizagem de forma mais eficaz.

A tutoria consiste no acompanhamento e orientação de alunos de forma individual e sistemática, promovendo a análise da eficácia de suas ações e o planejamento do desenvolvimento acadêmico de cada estudante, notadamente quando existe desconhecimento de procedimentos adequados e/ou tendência à desistência do aluno frente aos desafios encontrados.

O tutor oferece amparo para o aluno ao longo de sua trajetória, observando, promovendo a atitude reflexiva do estudante sobre a sua prática e fazendo recomendações para desenvolver no aluno novas competências, agregando conhecimentos de caráter prático. Além disso, pode suprir as dificuldades de comunicação entre os docentes e os estudantes individualmente, atuando, se necessário, como porta-voz dos demais e mantendo um contato mais pessoal, menos formal e mais frequente.

A partir da identificação de alunos com problemas importantes de desempenho, a equipe estruturou um programa de atendimento semanal aos estudantes. Nesses encontros, tutores e estudantes envolveram-se na construção de um diagnóstico da situação individual e de um plano de ação. Dessa forma, em vez de apresentar uma orientação comum, “receita pronta” para todos, tutores e tutorados puderam identificar os pontos fortes, as áreas de desenvolvimento e o estilo de aprendizagem de cada um e estabelecer estratégias a adotar.

O trabalho envolveu cinco etapas fundamentais:

  1. Coleta de informações: observação direta das práticas que o aluno já domina bem, de seu estilo de aprendizagem, do tipo de raciocínio predominante, das atitudes e procedimentos em relação aos estudos, entre outros.
  2. Diagnóstico: identificação dos aspectos que exigem atenção imediata.
  3. Reflexão conjunta sobre o que foi observado para identificar possibilidades de desenvolvimento.
  4. Plano de ação: estabelecimento de combinados com recomendação de práticas eficazes.
  5. Feedback: devolutiva a partir da observação das ações combinadas, enunciando o que naquele momento está funcionando ou não, apontando avanços e encaminhando novas ações formativas.

Desdobramentos desse esforço coletivo mostraram-se muito significativos: grande envolvimento dos alunos no processo, com resultados expressivos no desempenho no médio prazo, solicitação de tutorias por alunos com necessidades de aprendizagem menos acentuadas ou mesmo por alunos sem dificuldades de aprendizagem, mas com desejo de melhorar seu desempenho, desejo de continuidade dessa proposta na série seguinte e, ao final do ano letivo, uma turma com índice de reprovação zero.

As possibilidades dessa interação mostraram ir muito além de uma orientação para melhorar o desempenho de forma pontual, constituindo ferramenta fundamental na construção de um estudante capaz de compreender como aprende e, assim, continuar aprendendo sempre. Uma experiência que vale a pena incorporar, em caráter permanente, à prática pedagógica.

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