Trabalho voluntário e escola: cidadania na prática

Trabalho voluntário e escola: cidadania na prática

COLÉGIO SANTA MARIA

26 Agosto 2016 | 07h30

Autoria: Henrique Genereze

 

O Colégio Santa Maria historicamente atua em nossa comunidade de diversas maneiras e, para isso, conta com engajamento de muitos de seus alunos. No Ensino Médio, esses voluntários atuam em três realidades bastante diversas entre si e do seu ambiente familiar: na ONG Gotas de Flor com Amor (que atende crianças e adolescentes de baixa renda), na Ala Infantil do Hospital Regional Sul e no Centro de Acolhida Especial para Idosos do Jardim Umuarama.

Nessas oportunidades, o aluno é estimulado a de fato enxergar, ouvir e valorizar o outro e a perceber a exclusão social à qual são condenadas parcelas significativas da população como um problema urgente da cidadania e, portanto, de todos nós. Como coordenador do Núcleo de Inserção Social, cada vez mais esse trabalho me renova a certeza de que nosso aluno de Ensino Médio é capaz não só de se comover verdadeiramente com as situações desses indivíduos, mas também de compreender tais realidades dentro do contexto social e político entendido como um processo histórico complexo e, diante disso, posicionar-se de modo ao mesmo tempo crítico e engajado.

É verdade que é quase unânime nas propostas escolares a bandeira da educação cidadã e crítica. Porém, na prática, muitos encaram tal cidadania como algo demasiadamente abstrato e que o aluno exercitará somente após a fase escolar. Nada mais falso. A percepção do outro como cidadão pressupõe o exercício cotidiano da habilidade de reconhecer nesse outro um igual, apesar das diferenças que possam existir. Para tanto, a solidariedade trabalhada com os voluntários precisa estar em consonância com as discussões da sala de aula, com o respeito à diversidade no espaço do pátio, com a competição não violenta e equilibrada exigida em nossos jogos interclasses, com estímulos à reflexão sobre as origens e as possibilidades de superação dos nossos preconceitos, além da condenação em uníssono de qualquer descriminação e violência. É só assim que se educa para a cidadania em um contexto democrático.

É com grande alegria que, no cotidiano escolar, vemos que esses mesmos alunos que se destacam no trabalho voluntário também se mostram sensíveis às fragilidades de seus colegas, solidários às suas dificuldades e críticos às exclusões, preconceitos e violências que por vezes surgem no ambiente escolar. Apesar da pluralidade de pontos de vista presente entre os funcionários – professores juntamente com coordenação, orientação e direção – tenho certeza de que essa alegria é compartilhada por todos. Afinal, como um colégio católico, dos nossos alunos, quando confrontados com injustiças ou ataques à cidadania ou aos direitos humanos de quem quer que seja (dentro ou fora da escola), não aceitamos a neutralidade.

 

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