São Paulo: a cidade da diversidade e das transformações constantes

São Paulo: a cidade da diversidade e das transformações constantes

COLÉGIO SANTA MARIA

30 Julho 2018 | 07h30

Autoria: Fabíola I. Albuquerque e Tiago Fernandes

 

“No estudo do meio de 2018 do 8º ano, fomos ao Brás, Bexiga e Barra Funda. Lá, conhecemos diferentes imigrantes e concluímos que em São Paulo existem situações muito diferentes, dependendo da região.” – aluna Carolina Parente

 

“O estudo do meio é uma ideia bastante interessante, pois temos algumas experiências que nunca teríamos nas salas de aula.” – alunos Diego Nozawa e Maria Eduarda Mós

 

Em sua quarta edição, o Estudo do Meio do 8º ano do Santa Maria tem como objetivo possibilitar às alunas e alunos a experiência do conhecimento acadêmico e significativo. Brás, Bixiga e Barra Funda: as migrações e as transformações econômicas, sociais e culturais na cidade de São Paulo propõe visitas ao Museu da Imigração; à rua 13 de maio e à Igreja de Nossa Senhora Achiropita com sua pastoral afro; e ao Memorial da América Latina, espaços da cidade que guardam a história de seus processos migratórios, passados e atuais, como também permitem perceber o quanto a cidade é viva e pulsante.

Neste ano, a novidade foi a visita à ONG África do Coração, um local que acolhe refugiados e imigrantes de diversas partes do mundo. O presidente Jean, da República Democrática do Congo, recebeu os pequenos pesquisadores e contou sua história e da instituição que preside.

Após o estudo de campo, os estudantes são desafiados a produzir uma exposição virtual. A exposição é criada por meio de um aplicativo gratuito que permite que textos, fotos e vídeos sejam acessados facilmente via smartphones e tablets. Além da exposição proposta pelos componentes de História e Geografia, Língua Portuguesa e Artes Visuais também compõem o aplicativo com propostas como a produção de um conto e fotografias que mostrem as modificações arquitetônicas encontradas nos bairros visitados.

Abaixo, encontra-se um trecho do texto da exposição virtual produzido pelas alunas Fernanda Torres, Isabela Puig, Isabella Fais e Maria Carolina Ramalho:

 

São Paulo: a Cidade Plural

“Esta exposição busca definir São Paulo como uma cidade plural (diversidade étnica e cultural) resultante de diversos processos, e não somente herdeira de uma cultura europeia e branca, fruto da colonização ou das imigrações europeias do passado.

Além disso, também procura-se problematizar a intolerância histórica contra afrodescendentes, nordestinos e latino-americanos, como também contra os imigrantes recebidos atualmente de diversas partes do mundo que sofrem com as guerras, as catástrofes, miséria ou a perseguição política, como o caso de Jean que teve que sair de seu país natal (República Democrática do Congo) por denunciar um golpe eleitoral e foi perseguido pelo governo até conseguir refúgio no Brasil.

Quando ocorreu a imigração houve a miscigenação cultural e a instalação de imigrantes em vários bairros de São Paulo e em outras cidades do estado, contribuindo com novos costumes, hábitos e tradições.

Assim como Jean, outras pessoas procuram abrigo em bairros tradicionais da cidade de São Paulo como o Brás que recebeu uma grande quantidade de imigrantes entre os séculos XIX e XX por causa da hospedaria pública para imigrantes e migrantes, situada perto de uma estação de trem.

O Bixiga, outro bairro importante para a história da imigração em São Paulo, se destacou por receber muitos italianos que optavam por se estabelecer lá contando com suas terras mais em conta e condições de vida melhores do que as oferecidas pelos empregos nas lavouras de café.

A Barra Funda, abriga o Memorial da América Latina, criado para lembrar os episódios turbulentos do passado e aos problemas sociais da região, lá possui o Salão de Atos, a Biblioteca Latino-Americana, o Centro de Estudos, a Galeria Marta Traba, o Pavilhão da Criatividade, o Anexo dos Congressistas, o edifício do Parlamento Latino-Americano e o Auditório Simón Bolívar.

[…]

O País do Racismo Cordial

O preconceito racial no Brasil começou quando os portugueses trouxeram os primeiros negros para servirem de escravos nos engenhos. Depois da abolição da escravatura o preconceito não acabou e até hoje ele existe. O preconceito racial existe até hoje apesar da legislação brasileira condenar esse ato.

O racismo, como todos os outros preconceitos pode ser, segundo Djamila Ribeiro, cordial, ou seja, quando a pessoa o faz e não assume ou dependendo faz discretamente, como por exemplo quando imaginamos que um homem negro de terno é um guarda e um branco um advogado.

Todo imigrante que muitas vezes teve que deixar para traz uma vida em sua terra natal por viver em uma sociedade desigual carrega em si um desejo de começar uma nova vida, em um lugar mais justo, onde existam melhores oportunidades de trabalho e qualidade de vida, e uma bagagem cultural para oferecer. Países que recebem muitos imigrantes costumam ter uma diversidade social, cultural e racial que enriquecem as experiências de vida de seu povo. […]

 

Uma Mudança que Precisa Acontecer

A cidade de São Paulo é constituída por diversas nações como a dos palestinos que se mudaram para cá e até criaram um restaurante chamado “Al Janiah” que trouxe um pouco de sua cultura e se integra com as daqui, mas mesmo assim ainda temos muito o que melhorar para nos tornarmos cidadãos mais tolerantes e acolhedores com os imigrantes. Combater a xenofobia é uma tarefa de todos os paulistanos, e um bom caminho para começar essa luta é conscientizar pessoas próximas de nós, denunciar a discriminação e também falar que muitos brasileiros já passaram por isso alegando o que fariam se fossem elas nessa mudança de vida ou morte, como no casso do próprio Jean que foi um dos fundadores da ONG África do coração que virou um refugiado por falar mal de sua política e foi condenado a prisão e a morte.

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