A roda de leitura é necessária?

A roda de leitura é necessária?

Colégio Santa Maria

18 Agosto 2017 | 07h30

Autoria: Sandra Macedo

 

Nesse resgate da tradição de estarmos juntos para ler, como nos antigos serões, e tornarmos a leitura um processo compartilhado, é sim necessária a roda de leitura.

A forma usual, em sala de aula, nas aulas de literatura, atende algumas demandas da formação do aluno. Nelas apresentamos as escolas literárias, autores e textos e fornecemos instrumentos para melhor compreensão e aproveitamento da estética do texto literário.

Mas, apesar dos esforços dos professores para tornar esse processo de aprendizado  um momento de troca, é sempre  muito desgastante  mantê-lo em todas as aulas no decorrer do ano letivo, por vários motivos: número de alunos em sala, um cronograma para se cumprir etc.

Muito se perde, nesse contexto, da intenção de tornar a leitura algo prazeroso. Como, então, despertar o aluno para o gosto da leitura?

A roda de leitura seria mais um instrumento, além da aulas, de formação de vínculo dos alunos com a leitura. Como a música que pode ser ouvida sozinha ou em grupo, a leitura compartilhada é um dos modos de se inserir a literatura nas escolas. Sabemos que sempre é muito especial quando podemos comentar a interpretação, seja do instrumentista ou do cantor, de uma bela música. Sempre tem a pluralidade de conhecimentos individuais inseridos nesses comentários: um gosta mais de um instrumento específico e o outro se encanta mais pelas vozes. Essa pluralidade é muito rica, tornando essas trocas um momento muito especial. O mesmo aconteceria com a leitura compartilhada, acredito eu, em que o texto representaria a música com suas várias e possíveis interpretações.

Além disso, a roda de leitura traz alguns elementos para além das aulas de literatura. Isso não quer dizer que nós, professores, não fazemos uso de alguns  elementos aqui arrolados na aula, mas sim que esses elementos são mais visíveis na roda. Quais seriam esses elementos diferenciadores da leitura em sala de aula e da roda de leitura e quais seriam a sua função nesse contexto?

?     A não obrigatoriedade da presença do participante

?     Ausência de avaliações e julgamentos

?     A figura do professor-mediador. Esta figura teria como objetivo conduzir, com sensibilidade, o interesse dos participantes. Não deve tomar decisões sozinho, favorecendo, assim, a corresponsabilidade, sempre visando o fortalecimento do grupo.

?     A questão do tempo e espaço também agrega mais um estímulo para os leitores. O ambiente  agradável (com luz, silencioso e acolhedor), a duração e os intervalos de tempo entre uma roda e outra seriam regulares, para que os participantes pudessem ir se acostumando à prática da leitura em grupo e a fazer disso uma rotina.

?     O grupo se reúne em círculo, possibilitando cada participante visualizar os seus colegas e poder estabelecer laços de amizade e de trocas

?     Elaboração de registro grupal das rodas, facilitando o andamento para o encontro seguinte

?     Uma mesa com novidades contribuiria bem para roda: poemas, contos etc

?     Jogos de leitura que estimulassem a imaginação e soluções conjuntas: um conto sem o final, um texto que chegaria por cartas, etc.

?     Jogos de ritmos e trabalho com o corpo, brincadeiras seriam bem-vindas também, antes de iniciarmos as leituras compartilhadas. Os jogos estimulariam a interação com os participantes e criariam maior leveza no ambiente de leitura.

 

Essas são algumas formas de pensar a roda de leitura, mas sempre o mediador contribuiria com sua experiência pessoal de sala de aula.

Num mundo em que o diálogo se faz tão necessário, resgatar a leitura compartilhada é dar um bom passo no trabalho de encantamento pelas “palavras”. Fazer delas uma linda história, uma trama que nasce a partir do compartilhamento entre pessoas e da escuta do outro.

Por todas essas razões, estimulamos as rodas de leitura no Ensino Médio do Santa Maria.

Bibliografia: PAGLIETA, Silvia. Clubes de lectura y escritura: hacia la construcción de una pedagogia del deseo de la palavra. Ed.Rosario: homo sapiens, 2016.