Riscos de suicídio em crianças e jovens

Colégio Santa Maria

28 de agosto de 2018 | 09h00

“As certezas de ontem foram substituídas pelo vazio de hoje.” Vivemos sob o imperativo da “novidade”, mesmo sem saber a qual novidade estamos nos referindo, em que o signo do “novo” segue a obsolescência programada dos bens de consumo.

Hoje, no mercado de consumo, construímos a nossa identidade social não como sujeitos repletos de significados, mas de consumidores repletos de desejos insaciáveis. Assim, quando olhamos no espelho não nos reconhecemos, pois o que vemos é o “vazio”, tomado pela mercantilização da nossa vida e do nosso “eu”.

Com a internet e os smartphones passamos a ter a “virtualização da vida”.  As mais diversas redes sociais são o espaço de nos conectarmos e desconectarmos com o outro. A profundidade dos relacionamentos humanos foram substituídos pela efemeridade dos “likes”, das “curtidas” e dos “seguidores”.

É neste contexto que insere-se a palestra “Riscos de Suicídio em Crianças e Jovens – O Papel da Família na Prevenção”, em que o Dr. Bruno Nogueira traz a reflexão sobre o suicídio numa perspectiva humanista. Quebrar estigmas, refletir com responsabilidade não procurando enquadrá-lo num diagnóstico, mas como um ato extremo (consciente), de um indivíduo que foi perdendo os motivos e significados que o levariam sobreviver até o dia seguinte.

Na sua fala, o palestrante coloca a importância de reconhecermos os sinais que os indivíduos, propensos ao suicídio, vão nos fornecendo. A chave, diz Dr. Bruno, é se colocar no lugar do outro, é mostrar que está ali para “escutar” e não “julgar”. O simples “tocar” e se colocar ao lado são fundamentais na prevenção do suicídio. O papel da família é o de manter o constante diálogo, auxiliando jovens e crianças a lidarem com as frustrações da vida, estabelecer acordos, firmar a autoridade e os respectivos papéis na relação familiar. Trata-se de dar importância às angústias, sentimentos ou emoções das crianças e jovens, para que estes não se sintam sozinhos.

Resgatar a profundidade das relações humanas é a atitude fundamental de prevenção ao suicídio. No caso da realidade da EJA – Educação para Jovens e Adultos – do Santa Maria, a palestra alertou para a importância de acolher as demanda emocionais dos nossos alunos, como um elemento constitutivo do processo socialização, que vai para além dos aprendizados, dos conteúdos específicos, de cada disciplina.

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