Racismo oculto

Racismo oculto

Colégio Santa Maria

06 Novembro 2015 | 07h00

Projeto do Ensino Médio do Santa Maria discute políticas públicas no contexto do ocultamento do racismo

Dando prosseguimento às atividades do Projeto Ike Zumbi, tivemos uma mesa debate que contou com a participação dos convidados Marina Pereira de Almeida Mello, doutora em Antropologia Social pela USP e mestre em História Econômica pela mesma universidade e Carlos Miranda Oliveira de Jesus, educador popular do Projeto Raiz, Graduado em Direito pela PUC-SP, com pós-graduação pela Faculdade de Direito da USP.

Naquela noite, os palestrantes trataram de temas ligados à identidade e alteridade, aspectos fundamentais quando se trata da questão do racismo, conhecer e se colocar no lugar do negro, sua luta pela igualdade de direitos, de oportunidades, de combater estigmas em que aparece associado com força, com docilidade ou mesmo a própria cor como marcas indeléveis do passado da escravidão negra.

Ao longo das explanações, questionou-se o fato que grande parte dos brancos tem seu passado em ancestrais não brancos como negros e indígenas, e esse fato tem mudado o nosso racismo ou mesmo as nossas estruturas de poder?

Existe em nossa sociedade um discurso contraditório, onde se reconhece a existência do racismo, mas individualmente não se assume a responsabilidade pelo mesmo. O fato do individuo não se reconhecer preconceituoso, por outro lado, não exclui a demonstração desse mesmo preconceito. Vejamos os exemplos recentes de trotes racistas em calouros de faculdades, atitudes carregadas de preconceito.

É urgente um contra-movimento a toda essa construção histórica com ações afirmativas de políticas públicas como a política de cotas, implantada em 2008 e que deve ser vista como fruto de muita luta para a reparação de injustiças ao longo da história e não uma mera concessão do governo.

O combate ao racismo ainda é um desafio para o Brasil. O que vemos na atualidade é o impacto negativo da escravidão e da colonização que resultou em diversas consequências para a população afro-brasileira. É importante adotar ações afirmativas para esse problema social que favoreçam a superação do preconceito nas relações humanas, além de conscientização e educação, alicerces na construção de uma sociedade verdadeiramente mais justa e plural em nosso País.

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