Química Experimental a distância, é possível?

COLÉGIO SANTA MARIA

11 de dezembro de 2020 | 07h00

Autoria – Thiago Tassinari Lopes

O ano de 2020 tem sido extremamente desafiador para professores e alunos. Devido à pandemia do novo coronavírus, a relação professor-aluno mudou completamente, uma vez que passamos a nos comunicar por intermédio de uma tela. Lecionamos utilizando como ferramenta o computador e passamos horas e horas sentados na frente de uma tela e os alunos, por sua vez, assistiram às aulas da mesma maneira, sentados na frente de uma tela. Uma situação que, certamente, ninguém gostaria.

Agora imagine alunos matriculados em um curso de Química Experimental, cujo objetivo é proporcionar aos alunos a vivência prática de alguns fundamentos da Química. Imagine a frustração daqueles que tiveram algumas aulas presenciais antes da COVID-19 aparecer em nossas vidas.

Visando minimizar os prejuízos causados pela impossibilidade da realização dos experimentos, com o aval da coordenação de Área e do diretor do Ensino Médio do Santa Maria e com o apoio da equipe do Audiovisual, passei a transmitir, em meados de agosto, aulas que envolveram assuntos anteriormente estudados apenas no viés teórico, do laboratório do Colégio, de modo que os alunos puderam acompanhar, em tempo real, as atividades práticas realizadas.

A ideia foi possibilitar aos estudantes a visualização dos experimentos teóricos anteriormente estudados por eles, para que pudessem compreender melhor os fenômenos envolvidos. Claro que não foi a mesma experiência, mas acho que ao menos ilustrou os conceitos.

Alguns alunos relataram as suas experiências:

“Confesso que, ano passado, quando compartilharam e explicaram mais sobre o Novo Ensino Médio, esse curso foi o que menos gostaria de fazer, tanto que o coloquei por último na ordem de preferência. Porém, superou, e muito, minhas expectativas. Os primeiros dias de aula foram incríveis. Estava fascinado pela quantidade de vidrarias e experimentos, um mais interessante que o outro. Tudo estava caminhando com êxito. As provas eram tranquilas, dado que me interessava em estudar sobre e gostava muito das atividades propostas pelo professor. Foi quando o isolamento chegou e, junto a ele, o EAD. Compreendo que era necessário que nos adaptássemos à nova forma de ensino, mas a matéria que eu tanto gostava se tornou um desastre. Química Experimental passou a ser apenas Química, algo que detesto. Fomos impossibilitados de fazer experiências e começamos a ter apenas aulas teóricas. Assim permaneceu por bastante tempo. Felizmente, em torno do terceiro bimestre, o professor começou a passar aulas ao vivo diretamente do laboratório, junto com uma equipe de gravação. É óbvio que não era a mesma coisa de antigamente, não eram os alunos fazendo os experimentos, não estávamos presentes, de fato, mas foi a melhor maneira encontrada para este momento e que, sinceramente, melhorou bastante” –  Henrique Nigrin Fleury Alves

 

“Quando vi que tinha em minhas mãos a escolha de fazer um curso de Química Experimental no ano de 2020 eu fiquei muito interessado, até falei com o meu professor na primeira aula que escolhi Química Experimental devido ao fato de que seria um grande desafio… aquelas fórmulas, aquelas vidrarias, um laboratório, usar EPIs, eu sempre tive curiosidade. Acompanhar os experimentos de casa foi um misto de frustração com contentamento. Frustração porque, infelizmente, devido à pandemia, a prática ficou inviável, pois nem tocamos no picnômetro, na pipeta, na proveta, no conta-gotas direito e toda aquela curiosidade que eu falei acima caiu por água baixo. Frustração, pois o lado de ‘botar a mão na massa’, infelizmente, por causa da pandemia, não pôde ser viável. Por outro lado, observar os experimentos foi interessante, pois pelo menos representou uma forma de retomar esse caráter prático do curso e ver o lado prático de muitas coisas que, com certeza, vão cair em vestibulares (Pilha de Daniell, Galvanoplastia, Teor Alcóolico, Gráficos), no ENEM e em outros exames. Não foi tedioso como era quando o curso online estava sendo teórico, no início da pandemia. Foi muito legal e uma rica experiência” – Thiago Antônio Tomé de Oliveira

 

“As aulas foram ótimas, consegui ver claramente que o professor, o Cássio, Glaydon e todos que participavam das aulas na sala dos experimentos se esforçaram o máximo para que pudéssemos ver, observar e entender claramente o que ocorria durante os experimentos. Mesmo assim, devo confessar que é muito complicado entender uma matéria previamente planejada para que nós, alunos, a executássemos. Esse foi o mais difícil, não poder refazer os experimentos, consequentemente, tendo que aumentar o esforço para entender a matéria. Ter reforçado a necessidade de anotações foi muito importante durante os testes e trabalhos” – Julia Luany Silva dos Santos

 

Esperamos que em 2021 possamos voltar às atividades experimentais!

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