Quando a literatura sai dos livros e (trans)forma humanos

Quando a literatura sai dos livros e (trans)forma humanos

Colégio Santa Maria

06 Maio 2016 | 07h30

Autoria: Natália Ruela

Computadores, tablets, smartphones e mais inúmeros aparelhos eletrônicos estão a tomar cada vez mais espaço nas vidas de pessoas dos mais variados lugares. No Ocidente, a tecnologia é tida já como natural e parece descabido a um jovem do século XXI imaginar um mundo que não seja tecnicista.

Embora estejamos tecnicistas e apegados ao futuro, vivemos em uma sociedade doente. Vemos problemas como depressões, estresses, ansiedades a qualquer lugar ao nosso redor; vivemos, pois, em uma sociedade carente de humanidades, embora ainda nos chamemos uns aos outros de humanos.

A palavra humanidade, de acordo com o dicionário Houaiss (2009) deriva do latim human?tas, ?tis, que é a condição e natureza do ser humano, civilidade, e significa o conjunto de características específicas à natureza humana, sentimento de bondade, benevolência, em relação aos semelhantes, ou de compaixão, piedade em relação aos desfavorecidos. Ao que nos parece, esses conceitos distanciam-se do que a nossa sociedade contemporânea é e do que ambiciona para si.

O contato com os clássicos literários, no entanto, é um meio de formação do homem, mas a literatura, infelizmente, assim como outros saberes das humanidades, tem sido “museificada” ou vista apenas como uma disciplina a ser teorizada nas escolas para aprovações em exames vestibulares.

Quando, no entanto, a literatura consegue sair da obrigatoriedade dos livros exigidos pelas universidades e entrar no imaginário e na vida de adolescentes em idade escolar, temos a certeza de que ainda há esperança de que ela cumpra o seu edificante papel de (trans)formadora de humanos. É claro que podemos atingir essa tarefa no cotidiano, em nossas aulas, mas, algumas vezes, uma saída ao teatro para assistir a uma peça adaptada ou uma noite no pátio para assistir a um filme que depois gere uma roda de conversas, podem reacender chamas e levantar labaredas quase apagadas.

Foi pensando nisso que fizemos duas deliciosas “viagens humanizadoras” em nosso primeiro bimestre no Ensino Médio do Santa Maria. Fomos ao teatro assistir à peça “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, da Cia de teatro As Duas, apresentada no Teatro Parlapatões, e saímos de lá nos sentindo mais íntimos de Machado de Assis e do Realismo brasileiro. Assim como tivemos uma noite no pátio de nosso Colégio, no projeto Pátio em Prosa, e pudemos conhecer um pouco de Virgínia Woolf e debater sobre os sentimentos humanos e a escrita de autoria feminina na historiografia literária.

Essas pequenas ações, no entanto, nos fizeram desfrutar de momentos deliciosos de construção e transformação de saberes, além de proporcionar trocas e vivências fora da sala de aula. As experiências  nos puderam fazer perceber que, quando a literatura sai dos livros (e também só da sala de aula), toca os nossos corações e nos transforma enquanto seres humanos.

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