Quando a Educação Física vira brincadeira

Quando a Educação Física vira brincadeira

COLÉGIO SANTA MARIA

07 de abril de 2021 | 07h00

Autoria – Claudio Natacci de Souza

Educação Física. Educação Infantil. Brincadeira. Corpo em Movimento. Do que trataremos neste artigo?

Nosso desejo é conversar sobre a importância das aulas de Educação Física em uma escola que respeita a infância, a diversidade e que observa e escuta as crianças; enxerga que cada uma tem suas motivações, seus interesses, seus tempos e ritmos de aprendizagem.

Por isso, na Educação Infantil do Colégio Santa Maria, as aulas de Educação Física tratam criança como criança, ou seja, valorizam o presente e a visão do corpo em movimento como um caminho para a educação integral.

Foi-se o tempo de uma Educação Física Infantil orientada para a repetição de movimentos técnicos e exercícios corporais mecanizados, que não fazem sentido e não têm significado para as crianças. Lembram-se daquelas aulas onde passávamos horas fazendo flexões de braço, abdominais ou correndo por 10 minutos em volta da quadra? Este modelo deu lugar a uma pedagogia que acredita em uma educação corporal que integra corpo e mente, fazer e compreender, sensível e inteligível.

As nossas aulas são encontros que privilegiam as interações, as brincadeiras, os jogos motores, os afetos e a felicidade. Não perdemos de vista a intencionalidade, trabalhamos o conhecimento corporal lúdico e criativo, ampliamos os saberes sobre os jogos, reconhecemos o universo das brincadeiras tradicionais infantis, ampliamos o leque de atividades socioculturais e proporcionamos experiências positivas com o corpo em movimento.

O brincar, que desempenha um papel decisivo no desenvolvimento integral da criança, ocupa um espaço de centralidade nas aulas; enquanto as crianças brincam, aprendem, por exemplo, sobre organização, solução de problemas, concentração, coordenação, confiança, parceria, respeito, criatividade etc.

Os projetos didáticos são pensados a partir de propostas e atividades lúdicas, que dão prazer e não estimulam a competitividade. Os desafios corporais convidam as crianças a desenvolverem habilidades de motricidade e pensamento, da percepção (tátil, auditiva e visual), do esquema corporal e da estruturação espaço-temporal.

Nesta época que estamos vivendo, de confinamento e distanciamento físico, a tecnologia e os recursos eletrônicos tornam-se concorrentes e, muitas vezes, desestimulam o movimento e a prática da atividade física diária.  A tecnologia e o mundo virtual estão a nosso favor, mas com certeza, quando o assunto é a Educação Infantil, o melhor é dar preferência para a velha e boa brincadeira, aquela que, presencialmente, instiga ao movimento, à convivência e à aprendizagem.

Bem, para encerramos a nossa conversa, não poderíamos deixar de dizer que nestes tempos tão difíceis, é necessário priorizar a criação dos vínculos e o desenvolvimento de relações de confiança que levam a criança a perceber que pode se arriscar e errar, sentindo-se protegida e confiante. Não esqueçamos que o corpo em movimento, a emoção e o afeto são fundamentais para o desenvolvimento infantil harmônico e saudável.

   

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