Professor também aprende. Sempre!

Professor também aprende. Sempre!

Colégio Santa Maria

12 Abril 2016 | 13h30

Autoria: Sueli A. G. Gomes

Aprender não tem limite: é a necessidade que move o ser humano. Ainda mais para quem trabalha com o ensino, mantendo contato diário com alunos curiosos, desafiados pelo contexto social e cultural, com condições de acessar todas as mídias! Estudar sempre é o lema.

1204_MG_5227No Colégio Santa Maria, os educadores têm a possibilidade de rever suas práticas de ensino, buscar metodologias mais interessantes e atualizadas para mobilizar os alunos na construção dos saberes.  O Prisma (centro de estudos do Colégio, voltado a educadores), as leituras e estudos encaminhados nas reuniões semanais são recursos abertos aos professores para a formação continuada.

Atualmente, a equipe do 1º ano do Fundamental I partilha aprendizagens nos cursos de Alfabetização, Matemática, Fluência Leitora, Consciência Fonológica, Psicomotricidade, Neurociência, entre outros. Os profissionais se dividiram para garantir que todos pudessem participar e trocar as descobertas.

A professora Lélia de Lucca relata que descobriu como se processa o “artesanato intelectual” que a criança elabora, segundo Walkiria Rigolon no curso A Fluência Leitora em Foco deste semestre no Prisma. Já é possível mobilizar seus alunos desafiando-os a relatar as interpretações que sua imaginação produz ao ouvir a leitura de um texto literário. Melhor do que tentar descobrir o que o autor quis dizer, salienta Lélia, é questionar as criações que cada um elabora a partir das suas vivências, do repertório que construiu, de como ativou sua imaginação. Ao ouvir os colegas, o repertório se enriquece, novas imagens são partilhadas e o desenho ou a pintura pode materializá-las. É muito diferente do que assistir a um filme sobre o livro, é claro! O objetivo é despertar o gosto pela leitura. A professora revela que tem mais consciência ainda de como é importante ser o modelo de leitora e escolher criteriosamente os textos que lerá para os alunos. Logo eles iniciarão a produção de seus textos e terão um repertório rico para acessar, pois aprenderam a soltar sua imaginação, criar os ambientes, dar cor aos personagens e ouvir o que os demais colegas criaram.

Ana Cecília Aguiar já conseguiu intervir nas dificuldades expressas pelos alunos quanto à construção do conceito de número depois de participar das propostas do curso de Luzia Faraco Ramos. A fundamentação teórica e as estratégias já produzem êxito em sua classe ajudando os alunos a relacionar, comparar, associar e aplicar a linguagem matemática de forma mais ágil e compreensiva.

O professor Enrico Mazzini se deu conta do alcance dos exercícios corporais musicados que planejou para os alunos, ao estudar a música sob a ótica da Neurociência com o Me. Carlos Eduardo Vieira. Enrico faz também o curso de Psicomotricidade com Vânia Ramos (Psicomotricidade, do Gesto ao Pensamento)  e programou uma parceria com os professores de Educação Física para atuar em conjunto nos desafios corporais ritmados. Uma disciplina ajuda a outra nas oportunidades de exercitar as habilidades motoras dos alunos com propostas diferenciadas, porém, relacionadas. A professora Renata Fonseca, também neste curso, enfrenta com maiores recursos as questões da preensão e tônus manual na escrita dos alunos.

Pensando em ampliar as habilidades e aprimorar ainda mais o trabalho com a alfabetização, grande parte da equipe do 1º ano estuda com o professor Rodnei Pereira os impactos dos estudos da Neurociência e a contribuição da Fonologia. Nas discussões na sala dos professores, as aprendizagens do curso realizado por Roberta, Rita, Elaine, Cristiane, Débora e Andreia tomam forma na troca de experiências. Cada uma, com os diferentes desafios que cada grupo de alunos traz, programa estratégias e partilha as intervenções que obtiveram êxito. É a teoria se fazendo prática, a materialização dos estudos, na busca da excelência no ofício de professor.

A professora Samanta, cursando mestrado na USP com a equipe do professor Nílson Machado, estuda o impacto da investigação na aprendizagem do aluno. O professor aprende e aprimora sua prática, a partir das aprendizagens dos alunos e os alunos, por sua vez, aprendem uns com os outros e com o professor, mediador entre o processo de aprender e o objeto de conhecimento.

Samanta acredita que o professor precisa se autoavaliar e replanejar ou ampliar as propostas de acordo com o próprio olhar diante das respostas dos alunos no momento das atividades e das colocações que eles fazem sobre a aula. Assim, após cada aula, questiona os alunos sobre o que aprenderam, quais dificuldades encontraram, como tiraram as dúvidas (se ainda continuam com elas) e o que farão de forma diferente numa próxima. É a provocação da metacognição: o aluno refletindo sobre suas próprias aprendizagens.  A partir desses questionamentos, das respostas dos alunos, do olhar e da mediação da professora, ela reestruturará suas aulas analisando se pode ou não avançar em relação às habilidades exercitadas: se é preciso repensar a didática da aula e voltar à teoria para compreendê-la melhor.

Talvez essa seja essa uma das grandes satisfações dos professores: estudar em conjunto, partilhar saberes, aplicar e reavaliar sua prática constantemente na busca do êxito dos alunos. Participar de uma verdadeira comunidade de aprendizagem!