Potência de dez além da sala de aula

Colégio Santa Maria

24 Março 2017 | 08h00

Autoria: Ednilson Oliveira

Quantas estrelas existem em nosso Universo? Uma galáxia como a nossa, a Via Láctea, pode conter cerca de 100 bilhões de estrelas, sendo que o Universo observável tem uma estimativa de cerca de 100 bilhões de galáxias. Assim sendo, podemos ter algo como 10 elevado a 21 estrelas (1021) no nosso Universo, ou seja, o número um seguido de 21 zeros à direita. Esse número recebe o nome de Zeta – assim como um quilo é o nome para 103 e quilograma são 1.000 gramas – portanto, temos Zeta estrelas no Universo, o que ainda é uma estimativa baixa ou preliminar.

O corpo humano contém cerca de 7 x 1027 de átomos. Nossa, será que temos realmente a noção desses números? Será que esse número é palpável para um estudante que ingressa na primeira série do Ensino Médio? Certamente não, pois para ter essa noção, o aluno (e nós também) tem que de certa forma vivenciar minimamente esses números. Pensando nisso, fizemos uma atividade no Colégio Santa Maria que pudesse concretizar o significado desses números.

Foi proposta aos alunos uma caminhada com o professor de Física para além da sala de aula. Ao longo do trajeto, foi feito o seguinte exercício: para arredondarmos, um passo correspondia a um metro e, pensando nisso, demos juntos um passo, sendo 1 equivalente a 100 (100 = 1). Depois aumentamos uma potência de dez, ou seja, 101 (101 = 10), e, com isso, nós andamos 10 passos – aproximadamente 10 metros.

O procedimento foi feito em todas as classes, cada uma com mais ou menos 30 alunos. Todos caminharam 10 metros em direção ao corredor e logo em seguida aumentamos mais uma potência de dez, ou seja, 102 (102 = 100). Assim, andamos 100 passos, ou seja, aproximadamente 100 metros. Apenas com o aumento do expoente estávamos fora da escola, na calçada perto da entrada principal do prédio.

Fizemos uma pausa e discutimos quanto aumentar uma potência faz diferença. “Nossa! De 10 para 100!”, um gritou ao fundo. Sugeri então que aumentássemos mais uma vez a potência, ou seja, agora estávamos em 103, 1.000 passos, quase 1.000 metros. Todos os alunos foram unidos andando pela calçada, dando uma volta pelo quarteirão, observando o movimento da rua, as sensações das pessoas olhando a turma caminhando e discutindo, os cheiros diferentes experimentados em cada passada – o perfume de uma flor, um bueiro ultrapassado… Estava um dia quente com o sol já a uma certa altura, e outra experiência vivida foi como ao andar por um quarteirão são percebidas  variadas posições de sombras e uma brutal diferença de temperatura em apenas 1.000 passos.

Ao terminar os mil passos, paramos e fizemos uma roda de conversa, ainda na rua, a uns 200 metros da escola. Discutimos muito como uma simples potência errada, uma diferença de apenas um número no expoente pode destruir um cálculo, pode levar uma construção à ruína e assim por diante. Os alunos reportaram o quanto a vivência foi significativa. O professor aborda o assunto e usa a notação em sala de aula, mas o conceito fica abstrato, pois nunca tinham vivenciado de perto. “Agora vamos mudar mais uma?” 104 , 10.000 passos, 10.000 metros, ou 10 quilômetros. Apenas um ou dois toparam, mas todos perceberam que seria impossível em pleno horário de aula.

Está convencido da importância de aprender assim? Então agora lembre-se dos números apresentados no início do texto, da quantidade de estrelas do universo ou dos átomos do corpo humano e boa sorte nas suas andanças pelas potências de dez!