Por que estudar cinema nas aulas de Geografia?

Por que estudar cinema nas aulas de Geografia?

COLÉGIO SANTA MARIA

03 de setembro de 2020 | 10h58

Autoria – Gilberto Soares

Nós sempre colocaremos a educação lado a lado com instrução; a mente não será cultivada às custas do coração” – Beato Basile Moreau

 

Foi com estas palavras proferidas no sécULO XIX que o fundador da Congregação das Irmãs da Santa Cruz sintetizou as bases do carisma das escolas da Santa Cruz.  Nascido e crescido em meio às turbulências da Revolução Francesa e as sucessivas perseguições e distensões na relação do Estado com a Igreja, o beato buscou uma educação cristã que não se fechasse às conquistas e progressos da Ciência, mas que, ao mesmo tempo, permitisse que mentes aguçadas pudessem fazer escolhas que levassem em consideração a afirmação das identidades em conjunto com o chamado representado pelo sofrimento e iluminação de Cristo na Santa Cruz.

 

No século XXI, acolhemos a este chamado no Colégio Santa Maria, entre tantas outras iniciativas, trazendo às aulas de Geografia do 6º ano a experiência com o Cinema. Esta escolha está alinhada com a Base Nacional Comum Curricular, aprovada em 2019, em suas competências gerais e específicas, bem como da lei 13.006/14 que alterou a LDB, exigindo a exibição de ao menos duas horas mensais de filmes nacionais nas escolas do país.

 

Até as grandes navegações, no século XIV, a narrativa de mundo era dada pelas diferentes religiões e mitos espalhados pelo mundo. Com a colonização europeia e a criação das redes de comunicação e transportes, a ciência cartográfica e a ciência geográfica passaram a assumir cada vez mais esta função, daí a sua obrigatoriedade nos currículos de educação básica de todo o mundo.

 

Durante muito tempo, e principalmente após a Revolução Francesa, esta narrativa de mundo era quase que exclusivamente unidirecional, ora em conflito, ora em consonância com as religiões. Mas a partir do século XX, com a expansão do rádio, da televisão e, finalmente da internet, o que se viu foi uma explosão de vozes a narrar o mundo. E as verdades outrora trazidas pelo professor e pela professora de Geografia são disputadas por outras narrativas que também têm na relação com as imagens a sua base como verdade – “Eu vi, eu acredito!

 

Exercício de construção de sentido a partir da montagem cinematográfica, realizado no primeiro bimestre, com imagens obtidas em estudo de campo pelo colégio

Ao incorporar a produção de cinema em todas as suas etapas (idealização, roteirização, produção, montagem e edição), o curso de Geografia se abre às experiências dos e das jovens, que são utilizadas pelo professor como exemplos ao trabalhar os mais diferentes conceitos do currículo de Geografia (Espaço Geográfico e Paisagem, Solstício e Equinócio, Indústria, Localização Geográfica, Cartografia, Tectônica de Placas, etc.). Além disso, permite uma experiência de trabalho em grupo integrada, com divisão clara de tarefas, focadas em um produto de criação coletiva. Assim, criar cinema obriga o e a estudante a desenvolver habilidades das mais complexas como a criação e a empatia.

Trabalho de criação de roteiro produzido pelo aluno Leonardo Sakamoto 6º C

 

Desta forma, uma narrativa da formação dos continentes em um trailer do filme “A Era do Gelo 4” pode ser discutida com a narrativa científica da Tectônica de Placas, sem desconsiderar uma ou outra, mas salientando os contextos de sua produção e as diferentes experiências com a imagem. Ou um filme experimental realizado a partir do conceito de Equinócio pode colocar o e a estudante na esteira de malas de um aeroporto, permitindo discutir e vivenciar a sensação de compressão do tempo vivido pelos viajantes que vêm seu tempo pessoal dissociar-se do tempo cronológico.

Cena do filme “A era do Gelo 4”, trabalhada no terceiro bimestre

 

A razão da ciência geográfica e da experiência artística do Cinema torna vivo o Carisma da Santa Cruz no Colégio Santa Maria.

 

 

 

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