Política com Fraternidade

COLÉGIO SANTA MARIA

09 de julho de 2019 | 07h30

Autoria: Daniel A. Santos

 

Estamos diante de questões fundamentais, fruto da maior crise política, econômica e social da História do nosso país. A visão de “cordialidade”, marcante na cultura brasileira, é superada pela da “indignação”. Não nos calamos mais diante da “exclusão social de muitos” e dos “privilégios de poucos”.

 

No Brasil, especificamente, a Democracia sofre uma crise de legitimidade e de representatividade. O espaço público, tomado por interesses privados e partidários, fez com os partidos fossem transformados em máquinas de poder, através dos quais os políticos buscam riqueza e reconhecimento social, esquecendo-se da sua finalidade que é a de representar a cidadania e, consequentemente, os interesses da maioria dos brasileiros. A percepção é de a política estar “criminalizada”, distante das necessidades reais da população.

 

A exclusão social, mantida por políticas públicas clientelistas e populistas, impedem a realização integral da Democracia. Afinal, a cidadania plena (o direito a ter direitos iguais) não é garantida à maioria.

 

O desafio do Projeto Interdisciplinar escolar é justamente esse: questionar e refletir acerca das Políticas Públicas, quanto à sua existência e eficácia.  Perceber que a política não está limitada à atividade partidária, pelo contrário, refere-se à realização plena da condição humana. Não precisaríamos disso, caso houvesse comprometimento no fazer das Políticas Públicas ao pensar na população como um todo, mas como seres “políticos”, por excelência, temos que ocupar o espaço público e lutar por nossos direitos políticos, sociais e civis. Desta forma, estaremos vivendo a Democracia na sua plenitude, como “valor” e como “processo”.

 

“Política com fraternidade”, tema central do Projeto Interdisciplinar dos alunos da EJA – Educação para Jovens e Adultos do Santa Maria, implica na ação transformadora de ocupação do espaço público para a defesa da dignidade humana, do respeito, da liberdade, igualdade e justiça social. Enfim, trazer a dimensão de Fraternidade, da defesa do “bem comum”, de forma plena e incondicional.

 

Assim, “serás libertado pelo direito e justiça” (Is 1,27). Nesta passagem bíblica, fica claro a necessidade de pensarmos as Políticas Públicas como instrumento do desenvolvimento e justiça social.

Esperamos que ao final, no momento da entrega do projeto, os alunos tenham revisto seus conceitos a fim de encarar o mundo como sujeitos ativos, que pensam no coletivo da própria comunidade e, primordialmente, munidos de respostas, que transforme a sociedade.

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