As pesquisas eleitorais e de opinião são confiáveis?

Colégio Santa Maria

05 Outubro 2018 | 07h30

Autoria: André Augusto Vallado Batista

 

Com a aproximação das eleições para presidente, governador, senador e deputados, as pesquisas eleitorais passam a fazer parte cada vez mais dos noticiários, das conversas e discussões cotidianas.  Hoje, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), existem cerca de 146 milhões de eleitores espalhados pelo País.  As pesquisas eleitorais vão além das intenções de voto. Opiniões e tendências também são pesquisadas. É justamente neste momento que várias pessoas, inclusive alguns candidatos, passam a discordar ou colocam em dúvida a validade destas pesquisas. Mas de uma coisa temos certeza: os resultados das pesquisas influenciam – e muito – o comportamento dos candidatos e suas equipes, bem como o eleitor.

Ocorre que normalmente as pesquisas acertam os resultados. Tal fato já foi estudado pela Universidade de Houston nos EUA e se verificou um índice de acerto em torno de 90%. No Brasil, onde os métodos de pesquisas são bastante semelhantes aos norte-americanos, os resultados devem ser parecidos.  Agora a dúvida que sempre surge é: como confiar nestas pesquisas se normalmente eu mesmo nunca fui entrevistado e nem conheço alguém que já foi? Para esclarecer esta dúvida de uma forma simples e didática, é necessário saber como uma pesquisa desta magnitude é feita.

Em primeiro lugar, os institutos que realizam as pesquisas elegem uma amostra de pessoas que seja representativa. Esta amostra tem como objetivo simular o total dos eleitores dentro das suas características. Por exemplo, são levados em consideração os níveis sociais, econômicos, gênero e idade das pessoas pesquisadas, para que estes dados fiquem proporcionais e semelhantes ao da população real. Obviamente nenhum instituto realizará a pesquisa apenas dentro do Sindicato dos Metalúrgicos ou dentro da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Serão selecionados pequenos grupos de pessoas em diversas regiões do País, respeitando a diversidade desejada.  Alguns institutos também optam por entrevistarem diversas pessoas respeitando os critérios de diversidade em locais de grande fluxo como os centros das grandes cidades, por exemplo, a Avenida Paulista na cidade de São Paulo.

Após a realização da coleta dos dados, estes são reunidos e tratados estatisticamente. Segundo institutos conceituados, como o Datafolha, o Ipsos e o Ibope, são entrevistadas cerca de 2 mil pessoas. Esta amostra de apenas 2 mil pessoas está muito distante dos 146 milhões de eleitores, mas consegue ser bastante significativa, embora não absolutamente precisa no seu resultado, o que faz existir uma margem de erro que pode variar de 2% a 4% “para mais ou para menos”.  Isso explica porque talvez você nunca tenha participado de uma pesquisa. Caso todos estes cuidados sejam levados a sério pelos institutos, a pesquisa será confiável. Não podemos jamais esquecer que as estatísticas mostram um retrato daquele exato momento em que foram feitas, se um fato novo ocorre, por exemplo, no decorrer do trato dos dados, com certeza o resultado poderá não mais mostrar a realidade. Em um cenário político em que fatos novos e relevantes podem ocorrer a cada instante, este risco sempre estará presente.

Outro detalhe importante: enquete não é pesquisa. As enquetes feitas a partir de um site, por exemplo, não utilizam nenhuma metodologia científica. Na realidade, os realizadores das enquetes não têm nenhum tipo de controle do público participante. Portanto, as enquetes não possuem a mesma precisão e credibilidade das pesquisas.

Os alunos do Ensino Médio do Colégio Santa Maria já têm como tradição, no decorrer do ano, oficinas de estudos para reforçar seus conhecimentos visando à prova do ENEM. Na oficina de Matemática os mesmos tiveram a oportunidade de rever seus conhecimentos em estatística e exemplos de situações como as descritas nesta matéria, foram objeto de estudo e breve discussão, revelando a imensa importância da Matemática para a formação de um cidadão mais crítico e atuante.