Para continuar falando das flores

Para continuar falando das flores

Colégio Santa Maria

01 Abril 2016 | 07h30

Autoria: Sônia Brandão

A democracia invadiu a pauta das escolas desde pelo menos meados dos anos 80, quando encerramos a longa noite da ditadura civil-militar e inauguramos a Nova República. Desde lá, com todos os erros e acertos, promulgamos uma Constituição – a sexta da República -, reinstauramos eleições livres e diretas, discutimos o papel do Estado na economia, vendemos estatais que datavam da Era Getulista, assistimos a ascensão de novos movimentos sociais de base popular, consolidamos o papel da classe média, oscilamos sobre o nosso alinhamento na geopolítica regional, estabilizamos a moeda e inventamos programas de redistribuição de renda que passaram a ser objeto de estudo em outras partes do mundo. Falamos aqui no plural porque os avanços e recuos dizem respeito a todos e a conta é dividida por toda a sociedade – incluindo aí a Escola.

Trazer para a sala de aula este debate não era só necessário, era urgente. A história invadiu a Escola e colocou-nos a responsabilidade de “não fugir à luta”. Podemos dizer que tal prática forjou uma geração de professores que formou outros professores que formaram cidadãos (alguns também professores). Fantasia, então, falar num ensino asséptico, não contaminado pelo seu próprio tempo. Ensinar e aprender é, em sua essência, um ato político. Implicam opções e, como diria Guimarães Rosa, “exigem coragem”.

Em 2014 escolhemos dar um espaço privilegiado para a memória construída sobre o golpe civil-militar que completava 50 anos e denunciar os imensos prejuízos que a ditadura impôs para o Brasil e América Latina. Pautamos vários aspectos: da produção cultural à resistência armada, do papel da mídia na montagem do golpe e na propaganda do governo à luta pelas “Diretas Já”.

Lembramos naquela época que o Brasil caminhava para completar 30 anos ininterruptos de democracia, feito histórico, inédito nos anais de nossa curta carreira política como país independente. Uma nação que vivera a exploração colonial, a condenação ao atraso econômico, a dura herança da escravidão, o baixo apreço pelas instituições parecia completar, em breve, o caminho do amadurecimento.

Em 2015 colhemos vários resultados geniais de nossas opções pela democracia. Trouxemos o debate sobre racismo, cotas, herança afro-brasileira, resistência cotidiana, feminismo negro, linguagens da discriminação. Enfim, ousamos e por isso pagamos com nossa parcela de coragem.

Nosso tempo continua nos impondo enormes e fundamentais desafios. O desejo coletivo de aperfeiçoamento das instituições e práticas democráticas, a discussão de nossas particularidades, o debate sobre os caminhos para a sociedade brasileira estão no olho do furacão. A área de Humanidades do Ensino Médio do Colégio Santa Maria reafirma seu compromisso e arregaça as mangas para 2016.

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Fonte da imagem: http://adagadeoccam.blogspot.com.br/2013/07/uma-critica-democracia-atual.html