Outra forma de trabalhar em sala de aula

Outra forma de trabalhar em sala de aula

Colégio Santa Maria

17 Março 2017 | 08h00

Autoria: Karin Kansog

O que os alunos mais esperam encontrar na escola? Provavelmente, não estão em primeiro lugar seus professores ou o conhecimento específico das matérias. Não que esse interesse não exista. Ele apenas não está no ponto culminante da motivação dos estudantes… O principal motivo pelo qual os jovens vão à escola são os relacionamentos com seus colegas e amigos: a interação social.

Curiosamente, muitos adolescentes, apesar desse interesse por amizades, também são tímidos, e têm dificuldades de lidar com pessoas diferentes deles; se os deixarmos escolher pares para um trabalho em sala de aula, por exemplo, sempre escolherão as mesmas pessoas: os que chamam de “seus amigos”. Essa forma de se relacionar, umbilical dentro de um mesmo grupo, muitas vezes se derrama para a vida adulta e limita a visão que se tem sobre o mundo – por deixarmos de nos relacionar com realidades e ideias diferentes daquelas com as quais convivemos.

Para poder unir o útil ao agradável, as aulas de Leitura, Interpretação e Produção de Textos (LIP) da 2ª série do Ensino Médio do Santa Maria partem de uma premissa: é fundamental aprender a relacionar-se com pessoas diferentes; aprender a se colocar e a ouvir com respeito, acolhendo o ponto de vista do outro. Para isso, a cada nova atividade, um novo grupo é proposto pela professora, que vai mesclando os alunos aula por aula até que todos tenham interagido uns com os outros.

Esse procedimento é útil, porque os alunos vão ficando mais flexíveis e abertos a outras opiniões – e tendem a se tornar adultos com mais habilidades relacionais; é agradável, porque, afinal, os alunos acabam fazendo novos amigos, e a sala em que passam a maior parte do seu ano termina por se tornar um lugar mais gostoso de se frequentar.

Na avaliação ao fim de uma sequência didática com essa característica, um aluno escreveu: “Ao longo das aulas, pude mudar alguns pensamentos que eu antes tinha sobre outros grupos de pessoas, mudando meu sentimento em relação a eles e me tornando mais solidário. Me senti em processo de evolução, acho que muito disso deve-se ao fato dos grupos de trabalho serem sorteados e que todo mundo irá produzir com todo mundo. Mesmo que em pequena escala, tive a oportunidade de aumentar meu nível de convivência social com pessoas que eu jamais pensaria que iria me relacionar. A prática da interação, quebra de preconceitos e estereótipos, solidariedade e empatia certamente são lições e valores que foram aprimorados e que eu espero continuar carregando em meu coração durante toda a minha vida, que dure muito além deste ano! Está sendo um prazer enorme!” (Vinícius Tadeu Salvato Rodrigues, em texto de 3/3/17).

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