Oralidade: conteúdo de aprendizagem que vai além da fala espontânea

Oralidade: conteúdo de aprendizagem que vai além da fala espontânea

COLÉGIO SANTA MARIA

20 de agosto de 2020 | 07h03

Autoria – Claudia Sande e Sandra Souza

A linguagem oral está presente em variadas situações de comunicação e permeia o cotidiano das pessoas nas diversas práticas sociais: conversas, explicações, debates, entrevistas, entre outros, contextos que a tornam uma ferramenta essencial para que todos possam ampliar e potencializar sua atuação na interação verbal.

Pensando nisso, o Colégio Santa Maria promove diferentes roteiros de aprendizagem para desenvolver essa habilidade de modo que os estudantes sejam capazes de articular as palavras com maestria e, consequentemente, atuar como sujeitos históricos em usos ricos e reais da língua.

Desde muito cedo, as crianças são desafiadas, por meio da fala, a comunicar suas ideias, seus propósitos e sentimentos. Esse processo é contínuo e se estende ao longo da vida, porém não é apenas intuitivo e espontâneo. A comunicação, sobretudo oral, se faz na interação com o outro, logo é uma habilidade a ser desenvolvida e refinada de forma intencional e sistematizada.  A escola é o espaço social essencial para a prática da oralidade e ampliação das experiências linguísticas. Nela, as pessoas aprendem, ensinam, transmitem valores e os múltiplos saberes acumulados pela sociedade.

Assim, no 4º Ano do Ensino Fundamental o trabalho com a oralidade perpassa a rotina dos estudantes, de forma recorrente, em diversos contextos comunicativos e modalidades expressivas: charadinhas, parlendas, provérbios, adivinhas, piadas, poemas, canções populares, trovas, quadras, entrevistas pessoais, aulas, debates, plenárias, apresentação de pesquisas e contação de histórias por meio dos projetos literários. Nessas oportunidades de aprendizagem, os alunos têm a possibilidade de fazer o uso contextualizado da linguagem oral de forma significativa, enriquecendo o seu repertório vocabular.

Apesar do atual e inédito contexto das aulas de forma remota, o trabalho com a oralidade permanece a todo vapor no 4º ano.  A obra escolhida para ser o núcleo das ações didáticas relacionadas aos gêneros orais é do autor Ricardo de Azevedo: Cultura da Terra.  O livro revela um universo recheado de elementos da cultura regional do Brasil, herdados das tradições que vieram de países distantes: europeus, africanos, asiáticos e de vários povos indígenas, habitantes primeiros desse imenso território, multicultural, que é o Brasil.

Para enriquecer ainda mais as experiências da turma, organizamos um encontro virtual com o próprio autor. Na entrevista pelo Zoom, os alunos puderam se inspirar e mergulhar na leitura de palavras e ideias que revelam toda a grandeza das histórias preservadas na memória de muitas gerações. A interação contribuiu para os alunos perceberem que têm “um prato cheio” de alternativas para explorar toda a riqueza da tradição folclórica que marca a arte da “gente de nossa terra”.

Nessa perspectiva, os contos, causos, brincadeiras, músicas e receitas têm sido instrumentos valiosos para instigar o desenvolvimento da oralidade em nossos alunos. As estratégias são diversas: brincar com as advinhas e charadas entre os colegas e familiares, entrevistar as pessoas mais experientes e recontar aos colegas os causos já conhecidos por elas. Ler e interpretar as quadrinhas populares e recriá-las por meio dos decalques, voltar às canções populares do nosso chão e se emocionar com as histórias cantadas…

A galeria de opções é riquíssima, o conhecimento sobre nossa belíssima cultura é certo e o desenvolvimento da linguagem oral ocorre, não somente de maneira formal ou tratada como tema escolar, mas numa composição de saberes dinâmicos que compõem as histórias coletivas e individuais que constroem as memórias de uma sociedade.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: