Olhos bem abertos

Olhos bem abertos

Colégio Santa Maria

28 Agosto 2018 | 07h51

Autoria: José Antonio Pinedo Cervigon

Conta-se que, em 1647, a pessoa que recebeu o primeiro transplante de córnea na história da humanidade, ao se deparar com um mundo totalmente diferente daquele que tinha idealizado na sua cegueira, pediu ao médico que o tinha operado para reverter a cirurgia. O cirurgião negou tal solicitação, mas foi obrigado pela justiça a fazer o procedimento. Daí surgiu aquela famosa expressão de que “não há maior cego do que aquele que não quer enxergar”.

Pois bem, muitos não querem enxergar e outros estão tão acostumados com os fatos que acabam considerando-os normais. Acabam se acostumando, inclusive com situações que deveriam ser totalmente inaceitáveis, como as da injustiça e da desigualdade.

Nossos alunos continuamente são estimulados a não fecharem seus olhos, a perceberem e sentirem-se incomodados diante de tudo aquilo que não condiz com os planos de Deus e com uma sociedade livre de todo tipo de exploração.

“O Vale me ensinou a olhar e perceber os outros como iguais, com os mesmos direitos que eu” (Beatriz Batista)

Alunos voluntários do 9º ano do Santa Maria participaram de um trabalho voluntário no município de El Dorado, no Vale do Ribeira. Durante uma semana, trocaram vivências e, através de jogos, brincadeiras e atividades culturais, foram se aproximando e criando vínculos.

No Vale percebi uma nova perspectiva em relação a tudo… “ (Júlia Lopes)

Na troca de experiências o olhar dos voluntários foi se tornando mais sensibilizado às necessidades dos outros. Começaram a se incomodar diante da falta de oportunidades e, principalmente, de sonhos… Como aquela criança na Barra do Braço que não ia à escola simplesmente porque já sabia que o futuro dela, estudando ou não, seria cortar e carregar bananas. Começaram a perceber as grandes mudanças que ainda devem acontecer na sociedade e que fazem parte dessa sociedade e de que a mudança deve começar por eles mesmos. Assim como afirma o aluno André Tanaka: “O Vale significou para mim, um novo olhar, uma mudança, um novo eu…”

A busca por uma nova perspectiva de vida deve acontecer não por bonitos discursos e sim com ações concretas no dia a dia.

“As flores não falam…” (Christine)

Os voluntários voltaram para casa cansados, pois foi uma semana de muito trabalho, mas muito felizes e cheios de descobertas. Voltaram dispostos a não fecharem os olhos e lutarem por um mundo muito mais justo e fraterno.