O mundo como sala de aula

O mundo como sala de aula

Colégio Santa Maria

03 Setembro 2018 | 07h30

Autoria: Gilberto de Carvalho Soares

 

É parte da proposta pedagógica do Colégio Santa Maria oferecer aos alunos saídas de estudo do meio. Momentos em que a aprendizagem extrapole a sala de aula e a relação professor /aluno e inclua novas vozes, experiências, sons, cheiros e visões. Sabemos o que não deve ser o estudo do meio – uma saída de lazer ou uma atividade que se esgote em si mesma. Mas o que fazer? Aonde ir? O que fazer?

No Ensino Fundamental II, os estudos do meio são atividades de um dia inteiro, focados nos primeiros anos em saídas fora da cidade de São Paulo e nos últimos anos na metrópole paulista, tendo como foco o contato dos alunos e alunas com experiências de vida diferentes das suas, para que exercitem a escuta, pratiquem a alteridade e desenvolvam perante a vida uma atitude de respeito ao próximo, mesmo que este tenha convicções e modos de vida diferentes dos seus.

No 7º ano de 2018, os alunos e alunas foram convidados a um roteiro na região do Vale Paraíba, visitando a fábrica de chocolates da Nestlé, em Caçapava, o assentamento Conquista em Tremembé e o Museu de Imigração Italiana, no distrito de Quiririm, em Taubaté.

Nem precisamos contar que o anúncio da visita à fábrica de chocolates gerou grande expetativa e é exatamente nesta relação entre a expectativa e a experiência que reside a força do estudo do meio. Em uma lógica industrial de grande empresa, com uma marca forte, a visita à Nestlé gerou uma frustração, já que não há possibilidade alguma de contato com a linha de produção e o número de trabalhadores é praticamente inexistente.

No assentamento, os estudantes e as estudantes puderam ouvir da Toninha, moradora do lote, e da Magali, técnica do ITESP (Instituto de Terras do Estado de São Paulo), as explicações sobre a luta dos assentados para que uma terra abandonada pela Petrobrás entrasse no programa de reforma agrária e se fizesse cumprir a lei 4504/64 que define a estrutura fundiária. Em seguida, caminharam pelas plantações de alface, couve, cebolinha, beterraba e lichia com o Paulo, também assentado.

O terceiro ponto de parada foi o Museu de Imigração Italiana de Quiririm, distrito de Taubaté, onde os alunos e alunas tiveram contato com objetos e a memória de uma comunidade de italianos e italianas que desembarcaram em São Paulo, foram trabalhar em situações análogas à escravidão em fazendas de café, se revoltaram e foram acomodados em lotes de agricultura familiar nas terras do sobrinho de um fazendeiro influente da região.

A experiência proporcionada por um estudo do meio é única e tem uma contribuição enorme para a significação dos conteúdos curriculares e repertório cultural dos estudantes e das estudantes. Cada um vive esse momento de forma única. Há os que se incomodam com a terra, os que admiram as plantas e os animais, os que consideram um lote de agricultura familiar uma grande plantação. E esta é a força da proposta!